Com Blog do Noblat - O Globo
De manhã, em vídeo divulgado nas redes sociais, Lula foi conciliador:
- Derrotado o impeachment, já na segunda-feira, independentemente de
cargos, estarei empenhado, junto com a presidenta Dilma, para que o
Brasil tenha um novo modo de governar. Nessa próxima etapa, vou usar
minha experiência de ex-presidente para ajudar na reconstrução do
diálogo e unir o país.
À noite, em vídeo também divulgado nas redes sociais, Dilma tocou fogo.
Fez afirmações do tipo:- [Os defensores do impeachment] podem justificar
a si mesmos, mas nunca poderão olhar nos olhos da Nação, porque a
palavra golpe estará para sempre gravada na testa dos traidores da
democracia.
- Os golpistas querem revogar direitos e cortar programas sociais como o
Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. A ameaçam até a educação
pública e querem abrir mão da soberania nacional, mudar o regime de
partilha e entregar os recursos do pré-sal às multinacionais.
- A denúncia contra mim em análise no Congresso Nacional não passa de
uma fraude. A maior fraude jurídica e política da história de nosso
país. [Ela] poderá mergulhar o Brasil em um doloroso processo de
instabilidade e insegurança.
Lula falou para os deputados que se declaram indecisos ou não querem
antecipar o seu voto. Mas falou também para aqueles que defendem o
impeachment sem maior convicção.
Dilma, não. Falou para os militantes do PT e de partidos de esquerda,
principalmente os que acreditam em golpe e prometem oposição cerrada a
um eventual governo Temer. Esses não votam.
Esta manhã, por sinal, Dilma visitará o acampamento montado pelo
Movimento dos Sem-Terra para abrigar os que foram a Brasília protestar
contra o impeachment. Ela foi desaconselhada a ir. Porém...
Não se sabe se deu trela a auxiliares que recomendaram ser mais
prudente. Dilma só faz o que quer, e nem tudo, por exemplo, o que Lula
lhe sugere. Lula estava certo em falar o que falou. Dilma?
De saída, com o discurso que não fez na televisão por medo de ser
processada, ela trombou com os defensores do impeachment, chamados de
golpistas e de aventureiros. Não ganhou um voto. Pode ter perdido.
O discurso do medo, na mesma linha do discurso com o qual se reelegeu em
2014, foi na contramão do que ela dissera, anteontem, ao pregar a união
do país e acenar com “o diálogo nacional”.
União nacional só é possível se adversários forem incluídos – ou não
será união, muito menos nacional. A fala raivosa de Dilma pareceu mais
com a fala de quem se sente derrotado de véspera.
extraídaderota2014blogspot




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