Com Blog do Josias - UOL
Renan Calheiros não se conforma com a decisão de Marco Aurélio Mello. Em nota,
o senador disse que o ministro do Supremo Tribunal Federal agiu “contra
o Senado” ao retirá-lo do cargo que fazia o favor de ocupar. É
compreensível que Renan não enxergue no espelho a suspeição sem
atenuantes. Se há na política alguém que pode se considerar como um
produto do meio é Renan.
O problema está no Senado, não na conduta de Renan. A culpa é do sistema
político, que praticamente obrigou Renan a ser o Calheiros que ele é.
Com todas as facilidades, a impunidade e a cumplicidade que lhe
asseguraram nos últimos 30 anos, Renan não poderia ser outra coisa.
Natural que o senador se surpreenda. Esperava mais tolerância e estímulo
do Brasil.
Renan não admite ser tratado como um Cunha qualquer, que traz a
delinquência nos genes. Decerto avalia que seu caso não é patológico, é
um condicionamento cultural. Não fosse a denúncia sobre a ex-amante, a
filha e o bolsa-pensão da Mendes Júnior, tudo continuaria como antes.
Na noite passada, um aliado de Renan ruminava uma preocupação peculiar. Antes de saber que o plenário do Supremo deve
apreciar a liminar do ministro Marco Aurelio já na sessão desta
quarta-feira, o súdito de Renan imaginava que seria possível
preservar-lhe as mordomias.
Disse o amigo de Renan: “A liminar é uma decisão provisória. Enquanto
não for afastado pelo plenário do Supremo, ele deixa o cargo, mas não
perde as prerrogativas de presidente. Pode, por exemplo, continuar
requisitando jatos da FAB. Que será do Renan sem a Força Aérea? Em voos
de carreira, sua segurança correria riscos!”
Assim caminha o universo paralelo em que Renan se habituou a viver. Sua
Excelência tornou-se réu numa ação penal e protagonista de outros 11
processos judiciais, oito dos quais relativos à Lava Jato. E seus
devotos estão preocupados em evitar que ele tenha contato o povo de
grife dos aeroportos.
De uns tempos para cá, o povo realmente passou a se comportar mal. No
domingo passado, o povo chegou a arremessar tomates num painel
ornamentado com a foto de Renan, em Curitiba. Mas o vaivém dos
aeroportos pode fazer bem ao pajé de Alagoas.
Em contato com o povo, Renan terá a oportunidade de explicar que, como
qualquer pivete forçado a bater carteira para sobreviver, ele também é
um produto do meio e das circunstâncias que o envolvem. Se for
convincente, Renan ouvirá mais pedidos de perdão do que 'vai à…'.
extraidaderota2014blogspot





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