Jornalista Andrade Junior

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Donald Trump era sincero quando anunciava sua posição ultra conservadora

Pedro do Coutto 

Ao longo da campanha eleitoral, o candidato Donald Trump fazia questão de colocar em destaque sua posição ideológica de ultra conservador, ocupando uma faixa de extrema direita que dividiu os próprios republicanos. mas não o eleitorado, tanto assim que se tornou vitorioso nas urnas decisivas. Muitos poderão ter pensado que se tratava de uma estratégia. Mas não era só isso. Suas palavras eram verdadeiras, representavam seu pensamento mesmo.
O reflexo na opinião pública chegou a tal ponto – segundo a Folha de São Paulo – que o Google e o Facebook, gigantes da Internet, resolveram vetar nos sites publicitários a veiculação de notícias falsas e, ao mesmo tempo, analisar a colocação de matéria distorcidas, pois, em ambos os casos, favoreceram Trump. O Google e o Facebook certamente possuem as respectivas provas e vão passar a dedicar mais atenção ao plano ético, impedindo a circulação de inverdades. Tarefa difícil, mas necessária; são bilhões de mensagens diárias,. Os motivos são muitos e abrangem múltiplos setores.
Mas no caso dos pronunciamentos de Donald Trump, ele não enganou. Ao contrário. Está começando a fazer exatamente aquilo que se comprometeu a realizar, deslocando a próxima Casa Branca ao plano do radicalismo.
NOMES ESCOLHIDOS – Reportagem de Henrique Gomes Batista, correspondente de O Globo, e a análise do New York Times, traduzida pelo O Estado de São Paulo, deixam claro o rumo do presidente eleito, com base na seleção dos escolhidos para compor seu governo.
O general Michael Flynn, que será conselheiro para Segurança Nacional, em passado recente defendeu o uso de tortura para obter confissões. Flynn situa-se ao lado de Stephan Bannon, editor de um site racista, escalado para estrategista do governo que assume em janeiro.
O quadro ideológico atual tem um precedente no passado, mas que resultou em efeito inverso. Ocorreu nas eleições de 64, um ano após a morte de Kennedy, quando Lyndon Johnson derrotou Barry Goldwater.
GUERRA DO VIETNÃ – O conflito no Vietnã estava crescendo e se tornando cada vez mais dramático para os EUA. Goldwater vai à televisão e afirma que por traz dos guerrilheiros do Vietnã estava a China de Mao Tse Tung e Chou En Lai, portanto então comunista. “Eleito”, disse o republicano, “acabo com a guerra do Vietnã lançando uma bomba atômica na China”.
Minutos depois, entra em cena Johnson, na mesma rede, e afirma simplesmente: quero avisar aos americanos que o meu adversário não está falando somente para agradar seus eleitores. E faria isso mesmo se chegasse a Washington. Boa noite, completou. Com isso, Barry Goldwater foi derrotado, alcançando apenas 1/3 dos votos.
LEMBRANDO O GENERAL – Goldwater inspirou-se naquela noite de outubro numa afirmação do general Douglas Mac Arthur, herói da guerra no Pacífico e nomeado em 45, depois das bombas em Hiroshima e Nagasaki, governador geral do Japão. Havia a guerra da Coreia, com a região Norte contra a do Sul, com os EUA apoiando a segunda. Hoje são dois países. O confronto começava em 49, a China de Mao dando suporte à região Norte.
Mac Arthur dá uma entrevista ao New York Times e ao Washington Post, sustentando que a solução seria jogar uma bomba atômica contra Pequim.
O presidente Harry Truman o demitiu imediatamente. Afirmou que uma decisão desse porte pertencia exclusivamente ao presidente da República. Truman havia sido vice de Franklin Roosevelt e assumiu em abril de 45, sendo reeleito em 48. Sabia tomar decisões. A divisão da Alemanha, uma delas, freando a expansão do poder de Stalin. Decidiu o Plano Marshall que, através do Banco Mundial, permitiu a reconstrução da Europa e a contenção do comunismo.

Bem. voltando a Donald Trump, ele, claro, não é Goldwater. Mas parece um pouco.




























EXTRAÍDADETRIBUNADAINTERNET

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