Jornalista Andrade Junior

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Crise do desemprego exige solução rápida, o país não pode esperar

Pedro do Coutto

 No momento em que triplica o número de devedores que atrasam o pagamento das prestações do financiamento à aquisição da casa própria  – reportagem de Márcia Del Chiara, em  O Estado de São Paulo – e a crise do desemprego se agrava, agora abrangendo 12 milhões de pessoas, a realidade passa automaticamente a exigir uma solução rápida do presidente Michel Temer, e não permanecer condicionada à aprovação de reformas a longo prazo, com é o caso de uma nova legislação para a Previdência Social.
O presidente da República necessita acordar e acelerar a recuperação da economia através de meios mais ágeis. Pois uma reportagem de Gabriela Valente, Martha Beck, Ana Paula Ribeiro, João Sorima Neto e Daiane Costa, em O Globo, aponta que o trabalho do governo segue em marcha lenta. Muito lenta, acrescento eu, para a gravidade da situação.
GRAVE CRISE – Quando os pagamentos das prestações da casa própria atrasam, é porque a crise se agravou de maneira total. Se os mutuários deixarem de pagas os empréstimos, geralmente fornecidos pela Caixa Econômica federal, acabam perdendo seus imóveis. A sequência da crise passa a atingir o plano social que inclui o direito de morar.
O que poderá a CEF fazer? Colocar os apartamentos em leilão, como é de seu comportamento usual? Não resolve. Não resolve, porque isso vai contribuir para a queda dos preços dos imóveis, numa primeira escala. Em segundo, porque descapitaliza o FGTS, principal fonte dos financiamentos. Numa terceira etapa, imobiliza por excesso de oferta a movimentação financeira, refletindo no mercado da construção civil. Nesta altura da ópera, travar a construção civil resultará numa taxa de desemprego ainda maior que os atuais 11,5% revelados pelo IBGE. O processo social traduz inevitavelmente uma série de consequências desastrosas.
TETO DE GASTOS – Superada a barreira da emenda constitucional do teto de despesas, condicionando-as à inflação (oficial) do exercício anterior, o que significa um empate conservador nas contas públicas, o Palácio do Planalto conta com a aprovação da reforma da Previdência alcançando a população dos que trabalham na planície. Mas este projeto que se dispõe na forma a salvar o INSS quanto exigiria para reduzir as despesas? A pergunta é essencial, tanto quanto sua resposta.
Isso porque passar a exigir mais permanência dos celetistas e funcionários públicos pagando suas contribuições, constitui algo que, para resultar em cortes na despesa,, sem discutir a legitimidade da ideia, somente poderá gerar efeitos concretos pelo menos daqui a dez anos. E a população brasileira não pode suportar tal período submersa na desesperança.
SACRIFÍCIO COLETIVO – Nem tem cabimento pensar-se em exigir tal sacrifício coletivo, principalmente num país, como o Brasil, que paga por ano 400 bilhões de reais aos bancos para girar a dívida interna na escala de 3 trilhões de reais, montante divulgado em novembro pelo próprio Banco Central, presidido por Ilan Gofdjan, ex-diretor, ou melhor, diretor licenciado do banco Itaú, que parece ter alargado seu espaço político, depois da saída de Joaquim Levy (Bradesco) do Ministério da Fazenda. Dois postos-chave, fontes de informações preciosas sobre os rumos que vão seguir as diretrizes econômicas. Especialmente no mercado de câmbio. Mas esta é outra questão.
O ponto nevrálgico, na pauta do futuro imediato, é o desemprego. Os assalariados não podem mais esperar. Necessitam respirar. Caso contrário sua exclusão vai abrir um abismo social cada vez maior no país.
A solução tem que ser logo tomada. As rotas atuais não estão conduzindo a nada. Este é o fato concreto.


























extraídadetribunadainternet

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