MATÉRIA COMPILADA DA FOLHA DE SÃO PAULO
Mensalão: Lewandowski e suas contradições que beiraram servilismo.
Ministros do Supremo Tribunal
Federal fizeram intervenções ontem para apontar "contradições" no
voto do revisor do processo do mensalão, Ricardo Lewandowski. Um dos pontos
questionados foi a afirmação de que o publicitário Marcos Valério Fernandes
de Souza não havia dado seu aval para um empréstimo tomado pelo PT junto ao
Banco Rural em 2003. O ponto é fundamental na acusação para caracterizar uma
ligação entre Valério e o então presidente do partido, José Genoino. Os dois,
ao lado do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, assinaram o empréstimo no
valor de R$ 3 milhões. Na última quarta, Lewandowski absolveu Genoino da
acusação de corrupção ativa.
O ministro Marco Aurélio
indagou ao revisor se não era fato que Valério fora avalista da operação.
Lewandowski negou. "Não, aval de Marcos Valério, não. Aval de José
Genoino e Delúbio Soares, que eram o presidente e o tesoureiro do
partido." Marco Aurélio insistiu, dizendo que havia notícia da
participação de Valério no negócio. Lewandowski negou. Minutos depois, o
presidente da corte, Carlos Ayres Britto, fez aparte para dizer ao revisor
que havia consultado os autos e podia confirmar que Valério havia, sim, sido
avalista.
Marco Aurélio acrescentou que
o dado "envolve a assertiva do réu Genoino de que não tinha ligação
maior com Valério, de que os encontros eram casuais". A fala do réu,
disse, ficava "contrariada" nesse ponto.Lewandowski tentou então
relativizar a as assinaturas: "Vossas Excelências sabem como funcionam
esses avais, o tesoureiro avaliza, o presidente avaliza." Ouviu uma
provocação de Marco Aurélio: "Certamente não seria por altruísmo, tendo
em conta o envolvimento do PT com a ideologia detida por Valério." Mais
adiante, no voto sobre o ex-ministro José Dirceu, o revisor afirmou que o
único "depoimento isolado" que sustentava a tese da compra de apoio
parlamentar no Congresso era o do ex-deputado Roberto Jefferson
(PTB-RJ).
Gilmar Mendes indagou se o
colega não estava entrando em contradição ao condenar, na semana passada,
deputados por corrupção passiva e Delúbio por corrupção ativa, afirmando não
ter provas. Lewandowski disse que Mendes "não ouviu claramente" o
que ele vinha dizendo. E que, para ele, bastava a oferta ou recepção da
vantagem indevida por parte dos parlamentares, sem a necessidade de um ato de
ofício. Mendes disse que o plenário havia decidido fato diverso: "Nós
dizemos que houve ato de ofício. O ato de votar, de apoio político, o ato de
participar das comissões".Celso de Mello afirmou que "o Ministério
Público apontou,de modo específico na peça acusatória, a reforma tributária e
a previdenciária".





0 comments:
Postar um comentário