por Raquel Landim Folha de São Paulo
Até algumas semanas atrás, o discurso —-em público ou privado— de boa
parte dos empresários brasileiros era que não há razões concretas para
um eventual impeachment da presidente Dilma.
Muitos deles diziam que uma mudança institucional desse calibre não
acontece de uma hora para outra, e que tal passo poderia mergulhar o
país numa crise ainda mais profunda. Pediam racionalidade ao Congresso e
uma chance para que o ministro Joaquim Levy (Fazenda) implementasse o
ajuste fiscal.
Nada disso aconteceu. Na verdade, as coisas pioraram. O Brasil perdeu o
grau de investimento das agências de classificação de risco, o que
encarece o custo de capital para as empresas. Já chegamos em outubro e a
recessão se aprofunda.
Com o tempo passando, os empresários parecem ter jogado a toalha. Agora
eles dizem que o governo não tem projeto e não consegue criar uma agenda
positiva para o país. Em resumo, que o governo não governa.
Até líderes empresariais que não podem ser acusados de estar na oposição
já estão afirmando em conversas reservadas que apenas uma mudança
política significativa pode salvar a economia brasileira.
Por essa mudança, querem dizer um impeachment ou uma acordão político em
que a presidente, embora permaneça no cargo, entregue na prática o
poder —uma versão mais profunda do que foi tentado nos últimos dias, sem
muito sucesso.
Claro que essa visão ainda não é consenso. Mas o fato é que as vozes
empresariais que defendem abertamente a presidente Dilma estão
emudecendo.
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