Advogados,
engenheiros, professores, ou enfermeiros serão as próximas vítimas de
um partido totalitário que não dá a mínima importância para a
Constituição Federal.
Tenho visto, estarrecido, que inúmeras entidades médicas continuam manifestando-se, na imprensa escrita e na internet, sobre o Programa Mais Médicos. Leio, perplexo, apelos em que se segue falando em “dignidade médica”, planos de carreira e condições de trabalho. Pergunto: é impressão minha ou será que ninguém percebeu que essa fase já passou? Não entendem os presidentes de conselhos, sindicatos e associações que a medicina está acabando? Qual o sentido em falar nesse tipo de coisa quando a Medida Provisória 621 – agora prestes a ser transformada em lei – determina um golpe de morte na nossa profissão?
Quanto
tempo vai levar para o que os médicos brasileiros consigam perceber que
não estamos lidando com um partido comum, mas sim como uma organização
criminosa filiada ao Foro de São Paulo? Semana passada, o agora
ex-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Paraná
apontou o caminho a ser seguido pelo Conselho Federal e demais
regionais. Não foi o suficiente?
No
dia primeiro de outubro a MP 621, com várias modificações para o pior,
entra em votação. O relator, Rogério Carvalho, é médico e deputado
federal pelo PT do Sergipe. Leiam o que está escrito ali e me digam
depois se faz sentido, nesse momento, falar em plano de carreira,
salários e condições de trabalho ou se é imperativa nessa hora a
renúncia de todos os conselheiros e presidentes de entidades médicas.
Respondam se devemos pensar em exame “Revalida” ou no “Ato Médico” até a
renúncia imediata do Ministro da Saúde e a revogação completa do
programa Mais Médicos! Não percebem os verdadeiros colegas brasileiros e
a população que as nossas entidades representativas – como quaisquer
outras no Brasil – estão completamente “aparelhadas” pelos
“companheiros”? Nem mesmo nas redes sociais nós conseguimos formar um
consenso - tamanho é o medo da “Polícia Federal” vigiando o que
escrevemos - e deveríamos mesmo assim esperar reação efetiva das grandes
instituições?
Enquanto
eu escrevo, quero fazer aqui uma denúncia gravíssima: 93 mil médicos
brasileiros são mantidos politicamente calados num grupo do Facebook
chamado Dignidade Médica. Não permitem os administradores qualquer
manifestação contra o PT nem ataques a Alexandre Padilha. Prestam ali,
conscientemente ou não, excelente trabalho para o Ministério da Saúde,
pois imobilizam a reação dos colegas e – sob pretexto de manter o “foco”
- não aceitam de maneira alguma uma luta francamente aberta contra o
governo federal!
Já
pedi – e faço novamente o apelo – ao presidente do CFM e dos conselhos
regionais: por favor, renunciem. Não justifiquem com a sua presença no
cargo esse plano diabólico do governo, que não é um golpe só contra
nossa classe, é contra toda a população. Não forneçam, com a sua
presença, a impressão de legalidade, de decência, e de boas intenções
que essa gente do PT jamais teve ou terá.
A
luta que nós, médicos, enfrentamos nesse momento não é mais nossa, as
sim de todas as pessoas de bem no país. Advogados, engenheiros,
professores, ou enfermeiros serão as próximas vítimas de um partido
totalitário que não dá a mínima importância para a Constituição Federal,
que tem na folha de pagamento o Judiciário Brasileiro, entre seus
funcionários todo o Legislativo, e como seus cabos eleitorais toda a
classe acadêmica.
Renunciem, senhores, não há mais nada a fazer. Quem mata prefeitos não tem medo de médicos.
Porto Alegre, 29 de setembro de 2013.
Milton Simon Pires é médico cardiologista.





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