O
“tenentismo” no século XXI
Em
inúmeras oportunidades, enfatizamos a leniência das autoridades militares
diante de diversos desmandos do anterior e do atual desgoverno em relação à
sociedade e às próprias Instituições Militares que amiúde são vilipendiadas.
O
silêncio dos chefes militares para muitos atingiu às raias do incompreensível,
e impressiona a ausência da menor tentativa de demonstrar um recatado gesto de
desagrado.
Quando
relembramos os sapos engolidos durante a vigência petista, coroando um
revanchismo que parece não ter fim, nos deparamos com a inefável Comissão da Verdade
e a trilha de investigações que a famigerada camarilha percorre na tentativa de
massacrar o Estamento Militar.
Com
estardalhaço, a mídia estampa que agora investigam a morte do Jango, do
Juscelino, de índios, e assim sem limites e sem o menor senso, a cada dia
querendo apossar - se de qualquer coisa que possa aviltar ainda mais o seu arcaico
inimigo, as Forças Armadas.
Vimos
que por razões desconhecidas, as autoridades militares quedam - se à espreita
ou à espera.
Como
historiador, ao escrever “A Formação da
Identidade do Exército Brasileiro através de sua Evolução Histórica”, obra considerada
de pouca profundidade pelos entendidos, entre outras, abordamos o envolvimento
de militares nas revoltas de 1922, 1924, 1930 e 1932.
Naqueles
eventos históricos, tivemos o que foi chamado de “tenentismo”.
“Quando
o Governo está com a lei, a Força Armada deve apoiá - lo, ainda que haja de
combater o próprio povo. Quando, porém, os governos mutilam a lei e
desrespeitam a Constituinte, compete à Força Armada colocar - se ao lado
destas, ainda que seja mister destruir o poder constituído” , Juarez Távora, enunciando a
Doutrina do Tenentismo.
Tendo
em vista a magnitude das consequências para a conformação da Identidade do
Exército Brasileiro, cumpriu - nos analisar o amplo espectro que conformava o
comportamento dos militares da época:
“Jovens oficiais constituíram um
núcleo de idealistas, que sem a ação inibidora dos superiores hierárquicos, arvoram - se em
salvadores da Pátria.
Praticamente, abandonaram a hierarquia e a
disciplina e indignados com os governos da época e participaram
ativamente das ações contra os seus governantes.
Imbuídos de autêntico idealismo,
aqueles militares insurgiram - se contra a falência do Estado, que acobertava
uma desmoralizada máquina administrativa e promovia o crescente protecionismo
governamental, e se mostrava incapaz de eliminar as divergências políticas e os
antagonismos...
Apesar do desgaste provocado pelo
tenentismo, como fonte de indisciplina e de quebra da hierarquia, sublinhando
de certa forma a insatisfação e a descrença dos mais jovens para com a
capacidade dos superiores na implantação das medidas necessárias ao atendimento
de aspirações relativas às melhorias da Instituição, e pior, inoculados pelo
viés político de sua formação, extravasaram suas insatisfações para os níveis
governamentais, arvorando - se em instrumento capaz de impor uma nova ordem, em
atenção aos anseios sociais”,
Valmir Fonseca Azevedo Pereira, Historiador.
Hoje,
por ora, os chefes militares podem estar às voltas apenas com as suas
consciências e decidiram aquietar - se como se nada estivesse acontecendo.
Porém,
é bom colocar as barbas de molho, pois assim, como os oficiais de maior posto, preocupados
em futuras promoções, buscam resguardar - se de complicações; os mais jovens
sejam oficiais sejam sargentos não possuem limitações deste tipo, e eles como
os tenentes do início de século XX, podem, esquecendo - se das amarras impostas
pela hierarquia e pela disciplina, assumirem as rédeas de uma revolta contra a
atual tirania.
Que
os chefes militares meditem e se preocupem com este cenário que poderá explodir
em suas faces, se nada for feito.
Quem
alerta amigo é, ou pelo menos, um desmancha prazeres.
Gen.
Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira





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