Políticas sociais seguem em queda e no momento estão sendo aprovadas dentro da margem de erro.
por Marlos Ápyus
Os governistas, disfarçados ou não,
celebraram em setembro ao menos dois números acerca do governo Dilma. O
primeiro deles surgiu no dia 10 quando uma pesquisa da CNT dizia que 74% dos brasileiros eram favoráveis à vinda de médicos estrangeiros ao país.
O segundo, um pouco mais tímido, celebrava já no dia 27 uma recuperação
da imagem da presidente, que naquele instante chegava a 54% de aprovação.
Por mais que tais dígitos soem como
respostas, eles podem significar algumas perguntas intrigantes: por que
74% dos brasileiros são favoráveis à vinda de médicos estrangeiros? E
quão sólida é esta momentânea aprovação do governo?
Saúde
Para a primeira pergunta, na mesma
pesquisa do dia 27 saiu algo bem esclarecedor que estranhamente não
ganhou tanto destaque da mídia chamada de golpista pelos governistas.
Seguindo a leitura disponibilizada pelo CNI/Ibope, descobria-se que 77% dos brasileiros não aprovam o trabalho realizado pelo governo Dilma na saúde,
índice este que vem crescendo nos últimos meses, mesmo quando o Mais
Médicos já estava sendo implantado. É um número só 3% acima dos 74% que
aprovam a vinda de médicos estrangeiros. Portanto, não parece ferir a
lógica concluir que os brasileiros querem a vinda de profissionais de
outros países porque estão muito insatisfeitos com tudo o que foi
colocado à disposição deles até aqui.
Reprovação geral
A segunda questão pede uma resposta mais
subjetiva. Mas o mesmo trabalho pode trazer alguma luz. Ao todo, a
pesquisa CNI/Ibope pediu para os entrevistados avaliarem 9 áreas de
grande interesse em qualquer governo. Em todas elas, os índices pró
governo tiveram quedas. E, somada à saúde, um total de 8 áreas foram
reprovadas de acordo com a população:
- Saúde
Cresceu de 66% para 77% a desaprovação do governo - Segurança pública Cresceu de 67% para 74% a desaprovação do governo
- Impostos
Cresceu de 64% para 73% a desaprovação do governo - Taxa de Juros
Cresceu de 54% para 71% a desaprovação do governo - Combate à inflação
Cresceu de 57% para 68% a desaprovação do governo - Educação
Cresceu de 51% para 65% a desaprovação do governo - Combate ao desemprego
Cresceu de 45% para 57% a desaprovação do governo
- Meio ambiente
Cresceu de 39% para 52% a desaprovação do governo
Programas sociais se salvam com a margem de erro
A pesquisa tem margem de erro de 2% para
mais ou para menos. Os número apresentados dizem que 51% dos
entrevistados aprovam o combate à fome e a pobreza que vem sendo
realizado pelos programas assistencialistas do governo. Do outro lado,
47% dos brasileiros desaprovam as mesmas iniciativas, enquanto 2%
disseram não saber opinar. Dentro da margem de erro, isso pode signicar
tanto um 53% x 45% quanto um 49% x 49%.
No entanto, comparado às pesquisas
anteriores de março e junho, nota-se não apenas uma tendência de queda,
como de acentuação da mesma. De 64% de aprovação, passou por 60% antes
de chegar aos atuais 51%. Portanto, não seria uma surpresa o “placar”
virar na próxima rodada de perguntas.





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