Por Daniel Carvalho, na Folha:
Em evento com direito a bandinha,
descerramento de placa e palanque, o governador Eduardo Campos (PE)
inaugurou ontem na periferia do Recife uma escola que já funciona desde
março. Apesar do feriado escolar do Dia do Professor, parte dos 784
alunos da Escola Monsenhor Manuel Marques compareceu ao evento, a
convite da direção. Duas professoras e uma ex-diretora da escola
disseram à reportagem que há aulas no local desde março. Em 20 anos, a
escola mudou de endereço algumas vezes.
Questionado,
o pré-candidato do PSB à Presidência da República disse que não viu
problema em inaugurar uma escola em operação há sete meses. ”Ruim é
quando a gente inaugura e não está pronto. Quando a gente inaugura o que
está funcionando, a gente deveria ter o reconhecimento. Sobretudo se
vocês [jornalistas] tivessem visitado a escola como era antes.” No mesmo
evento, o governador lançou programa de intercâmbio para professores de
inglês, que permitirá a 17 docentes da rede estadual aperfeiçoamento na
Inglaterra durante quatro semanas.
Na unidade
oficialmente inaugurada ontem, contudo, pais e alunos dizem que há
cerca de quatro meses não há aulas de inglês, o que gerou protestos. A
empregada doméstica Ana Amélia Pereira, 38, disse ter ido à escola para
cobrar aulas de inglês para seu filho, Luiz Gustavo Pereira, 11, aluno
do quinto ano. Ele disse não ter professor de língua inglesa há quatro
meses. “A antiga professora se demitiu e nunca mais se tocou no
assunto”, afirmou. “Acho isso um absurdo. Como é que se vai exigir que
tenha uma boa educação sem ter professor?”, questionou a mãe do aluno,
Ana Amélia.
David José
dos Anjos, 16, aluno do oitavo ano, disse não ter professor de inglês
desde que a escola começou a funcionar. “Disseram que ia chegar, mas até
agora não chegou. Acho que isso atrasa a gente um pouco”, afirmou.
Questionado, Campos disse num primeiro momento que era difícil encontrar
professores de língua inglesa. “O professor que está na rede às vezes é
chamado para um curso, é chamado para uma outra escola, e a gente tem
que buscar o professor de inglês, que não é tão fácil encontrá-los”,
afirmou.
(…)





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