Por Carlos Chagas
Importa
constatar que o Lula cresceu na política como expressão dos pobres e
dos oprimidos, mas termina seus dois mandatos como representante
dos ricos Não dá para deixar de pesquisar as causas dessa mutação.
Viram
o que o companheiro falou em Paris, quarta-feira, a um auditório
repleto de empresários, por sinal aqueles que o hospedaram no Hotel
Maurice, de 2 mil dólares a diária e sabe-se lá qual o pagamento por
cada uma de suas “conferências”?
Disse que ao candidatar-se à presidência, as
elites tinham medo dele, tanto que perdeu três vezes para ganhar na
quarta, mas quando deixou o poder, “jamais os empresários ganharam tanto
dinheiro, cresceram tanto e geraram empregos como no meu governo”.
Atestou
então ter sido eleito para enriquecer os ricos, mesmo pregando o
contrário. Para fazer crescer as elites e, certamente, crescer com
elas. Quanto à criação de empregos, pode ser verdade, mas apenas como
conseqüência do objetivo principal, isto é, a satisfação dos interesses
das minorias dominantes.
Numa palavra, o
Lula confessou haver-se entregado à dominação dos fortes, aqueles que
utilizam os costumes, a economia, a lei e o Direito para continuar
dominando os fracos. A Humanidade caminha nessa trilha desde tempos
imemoriais, mas de que maneira entender mais transformação daquele em
que confiamos? Estávamos sendo enganados desde o primeiro momento?
Frustramo-nos
com Jânio Quadros, depois com Fernando Henrique, mas parece demais
assistir o Lula renegando a força que o impulsionou através da
promessa de transformações fundamentais na sociedade. Dirão alguns
inocentes e outro tanto de malandros que o ex-presidente minorou as
agruras de milhões de miseráveis. Pode até ser, através de esmolas como o
Bolsa-Família, mas em momento algum esses programas assistenciais
exprimiram aquilo que dele se esperava. A propaganda fala em inclusão
de camadas menos favorecidas nesse imenso e disforme pavilhão de
feira chamado classe média, onde são cobertos todos os diferentes tipos
de mercadorias. Só que não foi essa a proposta do torneiro-mecânico,
pelo menos antes que escrevesse a famigerada “Carta aos Brasileiros”.
Um
dia, o Lula exprimiu o anseio da supressão das diferenças entre as
classes e raças espalhadas pelo país. Nada que significasse a revolução
sangrenta, muito menos a insurreição armada dos famintos, mas, pelo
menos, a inexorável marcha pela igualdade. Por que cedeu, reconhecendo
agora? Seria essa sua verdadeira estratégia? Seus desejos mais íntimos
de menino pobre, de retirante e de operário humilde? Esta semana,
deixou cair a máscara que usou antes de chegar ao governo,
revelando outra, quem sabe sua verdadeira identidade: jamais os ricos
ganharam tanto dinheiro como durante o seu governo. Ele também? Se
poucos ganham, muitos continuam perdendo.
A
alma do companheiro, transmudada pelas tentações de uma ascensão
social ilusória, leva-nos à conclusão de que deveremos começar tudo
de novo. Um dia, todos conquistarão, sem esmolas, a igualdade inerente à
natureza humana.





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