Jornalista Andrade Junior

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Pesquisa mostra pouca esperança no desempenho dos novos prefeitos

José Roberto de ToledoEstadão

Os brasileiros esperançosos com os prefeitos que tomam posse no próximo domingo formam uma maioria apertada. Estudo inédito do Ibope revela que apenas 54% da população pode ser chamada de otimista quanto aos futuros gestores de suas cidades. Por outro lado, os pessimistas chegam a 30%. O restante está ressabiado, esperando para ver o que vai dar, mas com um pé atrás.
O Ibope aplicou uma bateria de perguntas sobre as expectativas em relação aos novos prefeitos e vereadores, sobre os motivos do voto, se o eleitor elegeu ou não seu candidato – entre outras questões. Usando técnicas estatísticas, agrupou as pessoas com respostas semelhantes e, assim, dividiu-as em três agrupamentos.
Como era de se esperar, a grande maioria dos otimistas conseguiu eleger seu candidato a prefeito. Mas nem todos os pessimistas perderam a eleição. Nem todo mundo que está esperando um prefeito melhor acha isso porque votou nele; tampouco todos os que esperam pioras votaram no perdedor. A opinião pública raramente é simples. Há nuances de todos os lados.
OTIMISTAS E PESSIMISTAS – É possível, porém, esboçar as características de cada grupo segundo os traços que mais se destacam em comparação à média. Os otimistas estão mais concentrados nas pequenas e médias cidades, têm um peso maior entre os evangélicos e são menos críticos em relação ao governo Temer. Eles ficaram mais satisfeitos com o resultado da eleição e dão um peso maior ao fato de o seu candidato representar a mudança. Nas suas cidades, houve mais troca do partido no poder do que na média do país.
Os pessimistas tendem a ser mais velhos e têm maior probabilidade de terem feito faculdade. Têm uma concentração maior nas capitais e nas grandes cidades. Desaprovam com maior veemência o governo federal. A maior parte desse grupo aposta que o próximo prefeito vai ser pior do que o atual.
Não dá para enquadrar os grupos em perfis pré-concebidos. Nenhum dos dois pode ser chamado de “coxinha” ou “petralha”. O que os divide e o que os une não é a preferência partidária.
INDEPENDE DE PARTIDOS – Não há diferença significativa entre os dois grupos segundo os partidos que governam as cidades onde moram. Isto é: há proporcionalmente tantos otimistas e pessimistas entre municípios que hoje são governados pelo PSDB ou pelo PT. O mesmo ocorre em relação ao partido dos eleitos. O otimismo não cresce nem diminui em função da agremiação política do novo prefeito.
O que se extrai do estudo do Ibope é que a expectativa positiva é mais baixa do que se poderia esperar para uma pesquisa feita tão próxima do resultado da eleição. Mesmo descontando-se o “fator derrota”, o otimismo tenderia a ser mais alto se as condições econômicas fossem melhores, e se a fé no processo eleitoral e na política não estivesse tão em baixa.
DUAS MANEIRAS – Repetindo a classificação do Ibope, há duas maneiras de encarar a pouca esperança em relação aos novos prefeitos. A visão otimista é que a avaliação de um governante é sempre o resultado da aprovação do seu governo subtraída a expectativa. Caso se espere pouco dele, maior a chance desse saldo ser positivo. Ele precisa fazer menos para surpreender positivamente.
A visão negativa é que os novos prefeitos já começam a governar em um clima de desconfiança de, em média, 46% da população. Qualquer deslize pode confirmar as expectativas negativas e levá-los, rapidamente, para os porões da impopularidade.
O risco é mais alto para quem se elegeu prometendo mudança. Maior a demora para convencer seu eleitor de que está mudando a prefeitura para melhor, maior a chance de decepcioná-lo e ver o “efeito Dilma” solapar seu apoio logo no começo do mandato.
























extraídadetribunadainternet

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