por Raquel Landim O Estado de São Paulo
Após a vitória de Donald Trump, do partido Republicano, à Presidência
dos Estados Unidos, está provado que tudo é possível. Os mercados estão
em polvorosa, mas é hora de acalmar os ânimos e se lembrar de que é
pouquíssimo provável que as grandes corporações americanas permitam que o
novo mandatário implemente sua nefasta política comercial.
Durante a campanha, Trump fez promessas que dão calafrios aos defensores
do livre comércio, mas não esperem nada extremo como acabar com o Nafta
(acordo com México e Canadá) ou abrir uma guerra comercial contra a
China. Isso dificilmente vai acontecer, porque o Congresso não vai
permitir. E, nos EUA, os congressistas têm a palavra final sobre a
política comercial.
É possível argumentar que o partido de Trump garantiu a maioria na
Câmara e no Senado. Mas isso não significa que deputados e senadores
republicanos concordem com ele sobre a maneira como os EUA devem se
relacionar com o mundo e, principalmente, não quer dizer que os
financiadores desses políticos concordem com ele.
Maior federação empresarial dos Estados Unidos, com mais de três milhões
de filiados de todos os setores, a US Chamber of Commerce não financia
candidatos à Presidência da República. Embora seus membros façam
doações, a instituição aposta todas as suas fichas no Congresso.
Os números mostram que a entidade foi muito bem sucedida nessa eleição:
95% de todos os deputados e senadores apoiados pela US Chamber of
Commerce venceram. No Senado, dos dez políticos em que eles investiram
recursos significativos, oito foram eleitos —uma taxa de sucesso de 80%.
Isso significa que os empresários estão, mais uma vez, muito bem
posicionados no Congresso e eles não vão apoiar medidas que restrinjam o
livre comércio, simplesmente porque é ruim para os negócios.
A questão central é que os republicanos que elegeram Trump não são os
mesmos que elegeram um Congresso Republicano. Enquanto o presidente teve
apoio do Meio Oeste e dos operários do setor industrial que deixaram o
Partido Democrata por estarem desiludidos com a globalização e o sistema
político em geral, muitos senadores e deputados foram eleitos pelo
lobby agrícola e pelas grandes empresas.
Ao assumir, Trump não pode simplesmente virar de costas para os "órfãos"
da globalização que garantiram sua vitória e se empenhar para aprovar,
por exemplo, o Tratado Transpacífico. É provável que ele deixe novos
acordos em banho maria e implemente uma série de medidas de defesa
comercial de alcance reduzido, mas deve parar por aí.
O sistema eleitoral americano favorece que o discurso dos candidatos
caminhe para os extremos do espectro político para vencer as primárias e
as eleições.
Passada essa fase, os companheiros de Trump —que também é um homem de
negócios— estarão a postos para dizer a ele que "treino é treino e jogo é
jogo".
extraídaderota2014blogspot





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