J.R. Guzzo: Publicado na edição impressa de VEJA
Essa hostilidade é acompanhada – ou antecedida, ou incentivada – por um rancor pelo menos equivalente por parte dos órgãos de imprensa. Na televisão e na internet, especialmente, vai se tornando regra atirar primeiro, durante e depois – e não fazer pergunta alguma. Parece bom para a mídia, pela pressa e pela alegria que demonstrou em aceitar as acusações da polícia, que as empresas percam dinheiro, tomem multas e sejam condenadas na Justiça. É ótimo, como na história dos frigoríficos, que este ou aquele país suspenda as importações de carne brasileira. É excelente que vão à falência de uma vez – assim a população fica “livre” delas. Por que não? A imprensa engole, praticamente com casca e tudo, a convicção de que os cidadãos estão sendo envenenados em massa pelo “agronegócio” e pelo uso de “agrotóxicos”. Pela lógica dos comunicadores, não há saída: como os brasileiros se alimentam com produtos brasileiros, e não com alimentos orgânicos importados da Suécia, o fim está próximo. A reação dos empresários brasileiros a tudo isso tem sido a pior possível. Em geral se limitam, como faziam cinquenta anos atrás, a visitar os órgãos de imprensa para bajular da forma mais abjeta os seus proprietários, na esperança de receberem “proteção” contra tiroteios futuros. São recebidos, dispensados e no dia seguinte aparece em algum lugar que o Big Mac dá câncer, tem barata na Coca-Cola e a Ambev, com propósitos misteriosos, captura pombos para misturar, triturados, às suas cervejas.
O quadro se completa com a participação cada vez mais agressiva de falanges inteiras de procuradores, juízes e policiais. O Brasil, para eles, é uma grande Odebrecht, símbolo indiscutível da corrupção nas empresas – de um jeito ou de outro, acreditam que toda empresa brasileira é assim e que para acabar com os corruptos é preciso acabar com as empresas. Vamos aí na direção contrária à dos países bem-sucedidos. Corrupção empresarial, lá, combate-se com a punição real dos empresários, com cadeia e multas de verdade, a perda de suas ações e a preservação da empresa, seus empregos, sua produção e seus clientes sob o comando de outros dirigentes. Aqui a prioridade absoluta da Justiça é destruir a empresa – e deixar os donos com sua fortuna e uma tornozeleira.
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