Jornalista Andrade Junior

domingo, 11 de outubro de 2015

O lulopetismo expõe novamente a paisagem da alma totalitária

 VALENTINA DE BOTAS

Quando menorzinha, minha filha desenhava árvores, era uma mania. Somente elas povoavam a folha de papel em rabiscos adoravelmente toscos que não revelavam nenhuma grande artista, mas, claro, geravam elogios. A pequena os rechaçava aborrecida: como era possível que ninguém comentasse os animais atrás delas? Era tudo de bom. Gilberto Carvalho disse que “esse pessoal todo que nos acusa não tem moral porque o nosso grande erro foi o de imitá-los (sic)”. No seu marxismo esquisitão sacropolítico em cópula com capitalistas selvagens, fingindo lidar com as altas matérias do espírito enquanto as eleva para baixo na adesão ao fascismo da política concreta do PT, Gilberto Carvalho precisa saber que o lulopetismo superou qualquer modelo de canalhice.

Imitando ao contrário, por exemplo, o PSDB, ficou devendo ao país alguma coisa equivalente ao Plano Real; em vez disso, a seita castrou a evolução que o Plano significou e abortou o futuro que ele engendrava. Naquele instante fecundo de que o Brasil poderia se beneficiar no primeiro mandato do jeca, os vigaristas preferiram semear o mensalão para colher petrolão, enquanto cultivavam o cerco às instituições para preservar a colheita de delícias deles e a de padecimentos para a nação devastada. Tal cerco imita o esgarçamento institucional de períodos ditatoriais da nossa história e culmina na tentativa asquerosa de intimidar o TCU: é o lulopetismo expondo novamente a paisagem da alma totalitária.
Nesse credo aberrante, o ente soberano é o partido, que se serve do Estado através do Governo, de tal forma que o nixon de picadeiro – na grande imagem plasmada por Augusto Nunes para tão mísero gilberto carvalho – coloca-se acima da presidente da república porque, na hierarquia do partido, é acima dela que ele rege para o jeca e por este é regido. Aliás, o jeca coloca-se acima da presidente que se submete na farsa que imita uma reforma ministerial para impor ao país um ministro da saúde ameaçador com uma CPMF (com “p” de permanente) de penetração dupla e um mercadante de volta ao ministério da educação só para ratificar que, no lulopetismo, a civilização espera na chuva.
Acontece que, atrás das árvores, o país que presta sempre se fez visível para quem soubesse ver com olhos de indignação. Assim, as trincas na inimitável catedral da cafajestice lulopetista, mesmo pequenas, mas bastavam para a florada dos sonhos que só se dá no cotidiano de resistência. A resistência – da oposição até, dos movimentos que já agendaram ações para a semana, dos jornalistas independentes, dos milhares de indignados que enviamos mensagens de e-mail para o TCU, do próprio Tribunal e do resto do país de indignação latente – esfregou o estado de direito na cara dos desesperados pastores da canalhice que não o enxergam.
Eles continuarão tentando se impor pela truculência e pela fraude e continuaremos a resistir porque há um país que quer ser grande e, reparem, espera ávido de futuro atrás das árvores. E porque é tudo de bom.






EXTRAÍDADEAUGUSTONUNESOPINIÃOVEJA

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