Por Nilson Borges Filho (*)
A segunda-dama da República, madame Rosemary Noronha, tomou um chá de sumiço. Depois
do escândalo que derrubou a toda poderosa chefe de gabinete da
presidência, com sede em São Paulo, pouco ou quase nada se sabe sobre o
seu paradeiro. Diz-se que ainda reside na capital paulista, na mesma rua
e no mesmo apartamento que ocupava antes do imbróglio.Certeza mesmo é de que Rosemary conta com um batalhão de advogados, formado por pesos pesados das lides jurídicas nacionais. Os ilustres causídicos estão distribuídos por áreas de interesses, conforme os possíveis ilícitos cometidos pela madame. Fala-se em 40 advogados à disposição de Rosemary. Não é pouca coisa, mesmo para alguém que costumava dividir a cabine do avião presidencial com Lula e hospedar-se no mesmo andar onde ficava o apartamento destinado ao presidente.
Nunca
foi surpresa para os jornalistas que cobriam à presidência da República
a intimidade de Rosemary com o principal mandatário da Nação. Por ser
um caso privado, os jornalistas entendiam que era o tipo de coisa que só
interessaria ao casal de pombinhos e a mais ninguém. Porém, resta um
pequeno detalhe: a partir do momento em que a aeronave presidencial e as
hospedagens eram pagas com o dinheiro do contribuinte, o assunto
saltava da esfera privada para o interesse público.
O
ex-presidente Lula tinha todo o direito de dividir os lençóis com quem
desejasse, desde que limitasse os custos de seus desejos carnais ao
próprio soldo e não aos cofres públicos. O dito popular aqui se
comprova: o povo brasileiro tem memória curta. Não se fala mais no
assunto e o principal interessado em provar que toda essa história não
passa de intriga da oposição e da mídia conservadora, se fecha em um
silêncio de convento de freiras carmelitas.
O
falastrão, o palanqueiro que a tudo se achava com autoridade para dar
seus palpites, agora não dá um pio sobre o que fazia a madame Rosemary
Noronha nas aeronaves oficiais e em viagens pelo mundo afora
acompanhando a comitiva presidencial, às custas do dinheiro público.
Para
o Brasil que presta, o caso Rosemary encontra-se na rubrica da ética e
da moralidade pública como restos a pagar. Fôssemos um país com mínimo
de dignidade e com resquícios de amor próprio, Lula já teria vindo a
público para se explicar – e muito bem explicado - sobre o papel que
representava Rosemary Noronha nas coisas da República.
O
pior ainda esteve para acontecer, quando um candidato ao STF frequentou
o escritório da madame pedindo apoio para que fosse nomeado para uma
das vagas de ministro da Suprema Corte. Ainda bem que Lula
desconsiderou, nessa nomeação, a análise abalizada da companheira sobre o
currículo do candidato que pleiteava o cargo. Mas, afinal, aproveitando
a virada do ano, por onde anda Rosemary Noronha? (*) Nilson Borge Filho é doutor em Direito e articulista





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