Carlos Newton Folha
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), armou um esquema para retardar ao máximo o afastamento da presidente Dilma Rousseff, tentando levar para o final de maio a primeira votação em plenário, que decidirá sobre a admissibilidade do processo de impeachment. A Folha teve acesso a um calendário por escrito montado pelo senador, com seis etapas, prevendo a votação para o dia 17 maio, se não houver nenhum atraso, mas é claro que haverá.
Como se trata de Renan Calheiros, nenhuma promessa dele pode ser considerada confiável, muito pelo contrário. É preciso desconfiar sempre, porque o presidente do Senado é muito experiente e sabe manobrar para que as etapas se arrastem ao máximo.
Este procedimento de Renan atende a um apelo pessoal que lhe fez a presidente Dilma, ao lhe informar a estratégia do PT. E o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) já deu entrevista a O Globo, confirmando que é preciso retardar a votação da admissibilidade do processo, porque o partido acredita que a rejeição ao vice Michel Temer poderá ajudar Dilma, vejam como os petistas podem ser ingênuos.
DILMA DELIRANTE
Embora 47 senadores já tenham se manifestado a favor do impeachment, e são necessários apenas 41 votos, a presidente Dilma Rousseff continua delirando e ainda acha que poderá se manter no governo, através das mais diferentes artimanhas e maracutaias. O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, alimenta essas falsas esperanças e está preparando um recurso ao Supremo, a ser apresentado assim que o Senado aprovar o afastamento da presidente.
Já foi até traçada a estratégia a ser seguida. O que sobrou da base aliada (PT, PCdoB, PSOL e parte do PDT) continuará lutando contra o impeachment no Congresso e nas ruas, com apoio das centrais sindicais e dos movimentos populares. Ao mesmo tempo, Lula e Dilma seguirão em caravana pelo mundo, para denunciar que estão sendo vítimas de um golpe de estado.
Com isso, não conseguirão barrar o impeachment, é claro, mas o resultado será a destruição do que ainda resta da imagem de nosso país no exterior, pois à exceção de Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador, Angola, Moçambique e Guiné Equatorial, com toda certeza Lula e Dilma serão levados ao ridículo nos demais países.
UM PROCESSO POLÍTICO
Despreparados e sem visão, os dirigentes petistas e o chamado núcleo duro do governo raciocinam como se o impeachment fosse um processo judicial, em que as instâncias superiores podem reverter a situação. Não percebem que se trata de um processo eminentemente político, em que o passo mais importante e decisivo era vencer a primeira etapa, na votação do parecer na Comissão Especial da Câmara.
Trabalharam muito mal, deixaram que o relatório do deputado Jovair Arantes (PMDB-GO) fosse aprovado, e daí começou a Teoria do Dominó. Quando a primeira pedra é derrubada, as demais vão caindo sucessivamente. Assim, na segunda etapa o plenário também seguiu o parecer, o Senado agora vai aprovar a admissibilidade do processo e depois o próprio impeachment.
NUM MUNDO DE SONHO
A presidente Dilma, em seu raciocínio sempre confuso, não consegue entender esta situação irreversível, vive num mundo autista de sonho, em busca de uma realidade virtual que jamais se concretizará.
Quando o Supremo, ao tentar favorecê-la, alterou o rito do impeachment, o resultado saiu ao contrário e está prolongando o martírio dela. Hoje, Dilma Rousseff é uma presidente-zumbi, que já perdeu o poder e ainda não desencarnou. Tornou-se uma espécie de versão feminina do Quixote, acompanhada de um Sancho Pança velho e embriagado, a investir contra os golpes de um moinho de vento que não existe, suas pás se movem ao sabor da História, são indestrutíveis.
PRISIONEIRA DE SI MESMA
Hoje, Dilma Vana Rousseff é uma pessoa acuada. Não pode sair às ruas, entrar num restaurante, ir ao cinema, frequentar a praça com o netinho ou fazer compras num shopping. Só pode escapulir de madrugada, cercada de seguranças, para dar uma simples pedalada, que é uma das raras especialidades dela.
Tornou-se prisioneira de si mesma, vive uma
situação aflitiva e deplorável. Chega a ser uma perversidade esta
situação a que os dirigentes do PT lhe conduziram. Deveriam convencê-la a
renunciar logo, acabar com esse sofrimento e tentar buscar uma nova
vida, se é que isso lhe será possível. As cartas dizem que não, e ela
sabe que já está fora do baralho.





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