recebi via e-mail e o repasso na integra aos amigos.. texto de Guilherme
Fiúza - Época -
Andressa
Cachoeira, a musa do Brasil cafajeste, continua desfilando tranquilamente
em sua missão de lavar a reputação do marido. Laudos médicos desmentiram
sua denúncia de que o bicheiro sofria de depressão crônica, mas ela não
se abalou. “Que mal esse homem fez ao Estado, à União, às pessoas?”,
disse Andressa, firme na busca de compaixão para com o pobre réu.
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Já
declarou até que Cachoeira é preso político. “Cala a boca, Magda!”,
alguém gritaria em outros tempos, usando o famoso bordão do personagem de
Miguel Falabella. Mas hoje o Brasil ouve calado os disparates da dama dos
caça-níqueis. Ela está amparada na nova escala de valores que, tudo
indica, vieram oficializar a doutrina da cara de pau.
O mensalão, por exemplo, foi um grande mal-entendido. Tanto que o Tribunal de Contas da União (que existe para guarnecer o dinheiro público) decidiu que estava tudo bem na movimentação milionária do Banco do Brasil para o bolso de Marcos Valério.
O mensalão, por exemplo, foi um grande mal-entendido. Tanto que o Tribunal de Contas da União (que existe para guarnecer o dinheiro público) decidiu que estava tudo bem na movimentação milionária do Banco do Brasil para o bolso de Marcos Valério.
Por
coincidência, essa
decisão veio calçar com perfeição a alegação dos advogados de Valério,
Delúbio e mensaleiros associados – de que não havia dinheiro público no
esquema do valerioduto. O escândalo Visanet, em que o Brasil
acreditava ter visto R$ 73 milhões escoar do banco público para o PT, via
agência DNA (Marcos Valério), foi ilusão de ótica.
Graças ao TCU, agora se sabe que tudo não passou de ilusão de ótica: doações privadas a um simples caixa dois. Graças ao TCU, agora se sabe que esses contratos eram perfeitos. E que, se apareceu uma montanha de dinheiro nas contas do grupo político de Lula e José Dirceu, tratava-se de doações particulares para um inocente caixa dois. Ou seja: o dinheiro era deles, eles gastavam como quisessem, compravam o que (e quem) bem entendessem. É um absurdo o país ter passado sete anos se intrometendo num assunto de foro íntimo. Como diria Andressa Cachoeira, que mal esses homens fizeram às pessoas?
A
lei que serviu de base (ou pretexto) para a decisão do TCU, aprovada
cinco anos depois do mensalão, foi proposta pelo atual ministro da
Justiça, José Eduardo Cardozo. O mesmo que declarou ser “leviano”
relacionar o assassinato do agente federal Wilton Tapajós com a
investigação da gangue do bicheiro, na qual a vítima se destacara.
Valério e Cachoeira certamente são apreciadores desse senso de justiça.
Chega de preconceito contra esses dois empresários brasileiros que
fizeram história na última década.
O
silêncio do ministro Cardozo e das demais autoridades sobre a execução do
policial Wilton é ensurdecedor. Nunca se mudou de assunto tão
rapidamente. Mas eles têm razão. Quem mandou a vítima ficar escutando
conversa dos outros no telefone, atrapalhando negócios de alta
prosperidade? Quem procura, acha. E onde já se viu ir ao cemitério
sozinho, neste mundo perigoso de hoje? Alguém ainda há de concluir que
foi suicídio culposo.
Esses
homens que não fazem mal a ninguém são muitas vezes incompreendidos.
Estava tudo bem depois da decisão libertadora do TCU, legalizando a
parceria de Marcos Valério com o ex-diretor do BB Henrique Pizzolato,
quando o Banco Rural veio atrapalhar a festa. Também réus no processo do
mensalão, dirigentes do banco resolveram dizer que havia, sim, dinheiro
público na conta da empresa de Valério. Essa alegação, enviada ao Supremo
Tribunal Federal, é no mínimo um gesto ingrato. Afinal, ao lado do BMG, o
Banco Rural foi o escolhido pelos chefes da quadrilha do mensalão para
operar a dinheirama do esquema. Esses banqueiros nunca estão satisfeitos.
O problema foi que o banco teve
de responder à acusação de lavagem de dinheiro, e aí o jeito foi abrir o
bico e entregar a origem dos milhões. Vinha tudo de entidades estatais,
diz o Rural, especialmente do Banco do Brasil. Mas não há de ser nada.
Embora seja impossível demonstrar os serviços fantasmas prestados por
Valério ao BB, os amigos de Lula, Dirceu e Dilma no TCU haverão de
encontrar um jeitinho republicano de passar a limpo essas operações todas
– nem que seja preciso recorrer ao senso de justiça do companheiro
Cardozo.
Tudo
aponta para um final feliz. Aliás, a Justiça acaba de inocentar Erenice
Guerra, a ministra que fez história transformando a Casa Civil num bazar
de família. Vá em frente, madame Cachoeira. E mande lembranças à
companheira Carminha.





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