Diretas Já e Constituinte Exclusiva
Os leitores do Diario de Pernambuco, nesses tempos de crise, têm sido
contemplados com uma cobertura rigorosa e equilibrada de todos os fatos
relevantes. As análises aqui publicadas têm se pautado pela pluralidade
democrática de ideias e posições políticas, inclusive em nossa renovada
página de Opinião. Esse rigor na apuração dos fatos e diversidade
analítica vai continuar proporcionando o jornalismo de qualidade que é
compromisso maior do Diario.
Imaginamos,
todavia, que é chegada a hora de externarmos uma posição editorial
aberta que responda aos interesses do nosso futuro como país. Tal como
começa a ser feito por outros veículos de comunicação no Brasil.
Angustia-nos acompanhar a escalada do desemprego, a quebra de empresas, a
inadimplência em série, o colapso do investimento público e privado, a
diminuição dos recursos para educação, saúde e segurança pública, e o
derretimento das conquistas sociais do governo Lula. O consequente
sofrimento da população atinge todos, mas sobretudo os mais pobres.
Dilma teve todas as oportunidades de realizar seus ideais e não correspondeu aos que confiaram nela. Desperdiçou a chance de mudar a forma de fazer política, de transformar o Estado brasileiro, e de fazer as reformas econômicas capazes de ampliar e democratizar o investimento produtivo. Hoje não tem mais as condições para aprovar as medidas de um programa anticrise. Então, todos se perguntam: por que demonstrar apego ao cargo? Se não consegue melhorar a vida do povo, por que continuar? A oposição passa a arguir que a insistência deve estar ligada à tentativa de proteger o ex-presidente Lula e outros investigados, bem como ao apego de seus partidários aos cargos públicos.
Depois do desembarque do PMDB, a tentativa de arregimentar os 172 votos para rejeitar o impeachment é mais do mesmo. O toma-lá-dá-cá, a instrumentalização de alguns movimentos sociais, e a política do ‘nós-contra-eles’, além de ineficazes, levam à divisão da sociedade brasileira.
Por isso, o Diario de Pernambuco acha que chegou a hora de que sejam dados passos verdadeiramente cívicos e historicamente corajosos. O norte tem que ser a Constituição e as leis, que a democracia requer obediência aos procedimentos legais. O art. 81 da Constituição Federal prevê a convocação de novas eleições se presidente e vice renunciarem antes da metade do mandato. O eleito completará o mandato a se expirar em 2018. Aí está o roteiro do reencontro de todos os brasileiros. Dilma e Temer, cumprindo-o, dariam suas contribuições para que o país volte a ter esperanças de superação da crise. Evitariam que o Brasil sangrasse por mais três anos e se acumulassem ainda mais ressentimentos que estão a dividir a Nação. Dilma, pelas razões acima vistas. Temer, porque também teria poucas condições de governar quando ele próprio já foi alvo de menções em delações premiadas. Como presidente do PMDB e vice no governo Dilma, Temer foi sócio dos erros dos quais tardiamente tenta se distanciar. Sem contar que, na presidência, seria alvo da Lava-Jato e da pressão-chantagem dos seus partidários nela envolvidos.
Chegou, portanto, o momento de colocar de lado os projetos pessoais de poder para viabilizar um outro que seja do conjunto do país. Por isso, o Diário de Pernambuco se perfilha com aqueles que propõem a renúncia dupla, para que tenhamos eleições diretas em 90 dias. Como dito no editorial do sábado, o afastamento imediato de Eduardo Cunha é condição sine qua non para a solução. Que se vayan todos los culpables! Como lembrou o ministro Barroso, do STF, a foto de uma possível alternativa a Dilma, sem novas eleições, é no mínimo desalentadora. O presidente que vier a ser eleito em novas eleições deverá reunir as condições de implementar um programa mínimo de saída da crise. E, como foi discutido aqui no Diario, na edição do Contraditório de ontem, deve ser instalada uma Assembleia Constituinte Exclusiva, para, atuando em paralelo ao Congresso Nacional, destravar as reformas estruturais na política, no sistema tributário, na economia e no Estado brasileiro. Está aberto o debate e a luta pela paz!




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