editorial de O Globo
A presidente Dilma não conseguiu resistir à pressão do ex-presidente
Lula e da cúpula do PT para defenestrar o ministro da Justiça, José
Eduardo Cardozo, acusado pelo lulopetismo de não “controlar” a Polícia
Federal na Operação Lava-Jato, mas demonstra tentar proteger ao máximo a
Pasta e, por tabela, a autonomia da PF.
Numa manobra de redução de danos, a presidente aceitou colocar no
ministério o procurador-geral de Jaques Wagner no governo da Bahia,
Wellington Lima e Silva, sinal de que deve contar com a ajuda do
ministro-chefe da Casa Civil, próximo de Lula, na administração deste
enorme conflito — pois a Lava-Jato avançará. Afinal, da força-tarefa da
Operação fazem parte duas instituições sem qualquer dependência do
Executivo, o Ministério Público e a Justiça. Uma outra interpretação é
que Jaques Wagner terá ainda mais poder, por conseguir colocar alguém de
sua área de influência na Justiça.
A presidente Dilma já deu declarações favoráveis à autonomia da PF. Não
deve querer desmentir a si mesma. E ao optar por Wellington, Dilma
evitou nomear alguém indicado pelo PT, mobilizado para blindar Lula.
Consta que o partido não gostou de não ter podido colocar alguém de
confiança para tentar controlar a PF. E não devem ter repercutido bem na
legenda declarações do novo ministro sobre a maturidade das
instituições e a continuidade dos trabalhos na PF.
Podem ser palavras formais, porém a escolha de um representante do
Ministério Público evitou que desembarcassem no Ministério da Justiça
deputados como Wadih Damous (RJ) e Paulo Teixeira (SP), da tropa de
choque do lulopetismo. O primeiro costuma dar declarações agressivas em
defesa do ex-presidente, e o segundo virou notícia há pouco por acionar o
Conselho Nacional do Ministério Público contra o procurador do MP de
São Paulo que investiga evidências de que Lula teria sido beneficiado
por empreiteira no caso do tríplex no Guarujá. Antes, conseguiu impedir
que o ex-presidente e a mulher, Marisa, depusessem nesse inquérito.
A intenção do lulopetismo, a julgar por esses nomes de ministeriáveis da
lista do partido, é intervir de fato na PF para defender o chefe. Caso,
de alguma forma, isso venha a acontecer, haverá grande crise
político-institucional.
A PF, como organismo de Estado e não de governos, tem prerrogativas que
deverão ser defendidas na Justiça, caso corram risco. O ministro pode
mudar o comando da Polícia, para que os novos dirigentes boicotem a
Lava-Jato de forma indireta: pela remoção de delegados e corte de
verbas, por exemplo. Mas nada passará despercebido, e haverá uma crise
séria do mesmo jeito.
O lulopetismo parece partir para um tudo ou nada, o que garante que as
pressões continuarão sobre o Planalto. Jaques Wagner terá bastante
trabalho
extraídaderota2014blogspot





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