por Nelson Motta O Globo
Apelidos muitas vezes falam mais sobre as pessoas do que sua própria
identidade. Frutos da maldade e do humor, ridicularizam o poder e o
dinheiro, devastam reputações, abundam na política brasileira e fazem
história como crítica social. Assim como nome, apelido é destino. Como o
falecido ex-deputado alagoano Cleto Falcão, que as más línguas diziam
meio agatunado, ser apelidado de Clepto Falcão. E o ex-governador
mineiro Hélio Garcia, que seria muito chegado aos copos, de Ébrio
Garcia.
Grande especialista, Brizola alcunhou Lula eternamente de Sapo Barbudo;
Moreira Franco, de Gato Angorá; e Collor, de Filhote da Ditadura. ACM, o
Toninho Malvadeza, apelidou Michel Temer de Mordomo de Filme de Terror.
Todos merecidos e em plena vigência. Em diálogos de corruptos gravados
pela PF, Sarney é chamado pelo codinome de Madre Superiora. Apelidos são
até roubados, como Garotinho fez com o famoso locutor esportivo
homônimo. Ou fabricados, como o Lulinha Paz e Amor, por Duda Mendonça,
que abriu caminho para a vitória de Lula em 2002.
Porque assim como atrapalham, apelidos podem ajudar: Tim poderia ter o
mesmo sucesso como Sebastião Maia? Lulu Santos seria um popstar como
Luiz Mauricio? Alguém imagina Lobão cantando e fazendo o que faz como o
roqueiro João Luiz? Grandes craques sempre tinham apelidos, Pelé, Zico,
Fenômeno, nunca poderiam se consagrar como Nascimento, Coimbra ou
Nazário.
A Lava-Jato trouxe uma nova leva de apelidos que fazem rir e farão
história. Como Lula ser chamado de Brahma por executivos da OAS, dizem
que por ser “o número um” mais do que por cervejeiro, mas há
controvérsias. Sempre com uma mochila que parecia uma extensão do seu
corpo, abarrotada com seus pixulecos milionários, João Vaccari Neto era
conhecido como o Moch pelos pagadores debochados, que também sacaneavam
Nestor Cerveró chamando-o de Lindinho, e Luiz Argôlo de Bebê Johnson,
que, enjaulado, virou bebê chorão. Já Renato Duque, por seu estilo
exuberante e confiante de que nunca seria pego, era o My Way, que, como
Frank Sinatra, fazia as coisas do seu jeito, até que o juiz Sérgio Moro
fez do dele.
EXTRAÍDADEROTA2014BLOGSPOT





0 comments:
Postar um comentário