MIRANDA SÁ
“Há
indivíduos que não hesitam em prejudicar semelhantes com a mentira, o
engano e a calúnia, contanto que o possam fazê-lo impunemente” (Sigmund
Freud)
Li
e ouvi certa vez que o filósofo Zenão de Eléia, famoso por enunciar
paradoxos, apresentou um deles que é um verdadeiro jogo de palavras: “Se
dizes que mentes e estás falando a verdade, mentes; se dizes que mentes
e mentes de fato, estás mentindo.”
Curioso,
encontrei esse representante da Escola Eleática que viveu quase meio
século antes de Cristo. Foi discípulo de Parmênides, e usou seus
conhecimentos da Lógica criando argumentos para desacreditar os críticos
do seu mestre. Herdamos restos dos seus escritos e o que temos de
concreto sobre eles, devemos a Aristóteles nos seus estudos sobre
Física.
Os
paradoxos mais famosos de Zenão buscam demonstrar a inexistência do
movimento, conhecidos como “Método de Zenão”, em que ele assume como
verdades as hipóteses das teses dos adversários e esmiuçando-as
derruba-as com conclusões contraditórias e inaceitáveis.
Esses
ardis do raciocínio, para enganação doutrinária dos sentidos, impõem,
porém, o hábito da mentira, a compulsão em mentir, mais tarde estudada
na psicanálise como “mitomania”.
A
mitomania é uma patologia considerada pelos estudiosos como o mentir
compulsivamente, seja no infantilismo de expressar fantasias, seja como
reflexo do desejo inconsciente de se expor seja utilitária na busca de
compensações.
Esta
busca de compensações é a cara da Era Lulo-Petista. Para Dilma, por
exemplo, a mentira tornou-se um vício incontrolável, fantasiando um
“País das Maravilhas” em marcha para o socialismo bolivariano…
Dilma
mente até quando está falando a verdade. Há vários sites nas redes
sociais listando as dezenas de vezes em que ela mentiu. Curioso é que ao
contrário do que expõe a doutrina psicanalítica Dilma sabe que está
mentindo. O seu criador, Lula da Silva, também sabia que estava mentindo
quando criou a fraude da “gerentona”, enganando os eleitores incautos
para elegê-la.
Foi
Lula, um grande manipulador da mentira, quem inventou a síndrome do
“nãosabiismo”, uma fuga ao conhecimento dos crimes cometidos à sua volta
e por si mesmo. O “nãosabiismo” é uma manifestação nacional da
mitomania; os mitomaníacos mentem para se exibir, os “nãosabiistas”
mentem para se esconder e fugir às responsabilidades.
Vivemos
uma explosão política com as contundentes denúncias da delação do
senador petista Delcídio do Amaral. Até ontem, Delcídio era líder do
PT-governo no Senado Federal. Passeava a sós nos jardins do Alvorada com
a Presidente, conchavando ações políticas. Visitava Lula semanalmente
provocando ciúmes entre velhos pelegos. Enfim, era de confiança.
Por
interferir criminosamente nas investigações da Lava Jato o parlamentar
mato-grossense foi preso. O PT falou em expulsá-lo, mas ficou na
suspensão; solto, seus parceiros se mobilizaram e, arranjaram até um
sabujo do PDT para evitar a cassação na Comissão de Ética.
Agora
descobriram por uma reportagem da revista IstoÉ, que Delcídio aderiu à
delação premiada, envolvendo Dilma nas maracutaias de Pasadena e em
confabulações para soltar empresários corruptos; e revelando que foi
Lula quem planejou a trama da fuga de Cerveró.
Pelos
acontecimentos que se desdobram e pelos “fragmentos delinquenciais”,
sabemos que Lula, Dilma e seguidores não hesitam em usar a mentira
crendo na impunidade, como alertou Freud.
EXTRAÍDADETRIBUNADAIMPRENSA





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