Por que alguém gosta do Foro de São Paulo?
Olavo de Carvalho
A
propósito do XIX Encontro da coordenação estratégica do movimento
comunista no continente, um sr. Breno Altman indaga no “Opera Mundi” de
31 de julho, com ares de perplexa indignação: “Por que a direita odeia o
Foro de São Paulo?” A resposta, como não poderia deixar de ser em obra
de tão criativa inteligência, vem pronta, copiada de qualquer manual de
marxismo-leninismo: é “ódio de classe”, é a maldita burguesia
inconformada de que após a queda da URSS o socialismo não morresse, mas
prosperasse de vitória em vitória.
O
próprio sr. Altman reconhece, no entanto, que nenhum sinal de
hostilidade ao Foro se viu na “grande mídia”, porta-voz por excelência
da “burguesia” segundo o ensinamento esquerdista repetido em todas as
escolas. Em vez disso, os protestos direitistas, vindos de “grupos de
distintos naipes” (sic), pipocaram por toda parte na blogosfera.
Nem de longe ocorre a esse gênio da estupidez perguntar por que raios a
burguesia enraivecida, em vez de fulminar o Foro de São Paulo pelos
possantes meios de comunicação de massas que ela mesma possui e comanda,
preferiu sussurrar seu “ódio de classe” em blogs raquíticos de alcance
limitado e orçamento nulo, como por exemplo o “Mídia Sem Máscara”, que
sobrevive das rebarbas do meu salário.
Muito
menos notou o arguto mentecapto que, inversa e complementarmente, a sua
própria opinião, em vez de ocultar-se em tão paupérrimas e frágeis
publicações de quintal, brilha num site protegido pelo bilionário Grupo
Folha e subsidiado pela Petrobrás, empresa onde uma parte substantiva da
nossa burguesia investe o seu querido capital.
Com
toda a evidência, as respectivas “ideologias de classe”, no caso, não
correspondem à posse ou falta de posse dos meios de produção. Estão
sociologicamente invertidas. Mas no Brasil de hoje isso é normal entre
intelectuais de esquerda (e suponho que o sr. Altman se creia um deles):
sendo incapazes de discernir sua própria posição de classe, e
sentindo-se inibidos de perguntá-la ao papai ou à mamãe, encontram
alívio de tão angustiante desorientação inventando estereótipos amáveis e
detestáveis e os vestem em quem bem desejem, acreditando que com isso
estão fazendo análise sociológica.
É assim que os pés-rapados da blogosfera se transmutam na “burguesia” e os potentados da Folha e da Petrobrás no povão oprimido.
A resposta do sr. Altman vale o que vale o seu conhecimento das classes sociais no Brasil.
Mas, antes mesmo disso, a pergunta mesma já veio errada.
Ao longo de duas décadas e picos, o Foro de São Paulo acumulou uma folha de realizações que ninguém deveria ignorar:
1)
Deu abrigo e proteção política a organizações terroristas e a
quadrilhas de narcotraficantes e seqüestradores que nesse ínterim
espalharam o vício, o sofrimento e a morte por todo o continente,
fazendo mesmo do Brasil o país onde mais cresce o consumo de drogas na
América Latina.
2)
Ao associar entidades criminosas a partidos legais na busca de
vantagens comuns, transformou estes últimos em parceiros do crime,
institucionalizando a ilegalidade como rotina normal da vida política em
dezenas de nações.
3)
Burlou todas as constituições dos seus países-membros, convidando cada
um de seus governantes a interferir despudoradamente na política interna
das nações vizinhas, e provendo os meios para que o fizessem “sem que
ninguém o percebesse”, como confessou o sr. Lula, e sem jamais ter de
prestar satisfações por isso aos seus respectivos eleitorados.
4)
Ocultou sua existência e a natureza das suas atividades durante
dezesseis anos, enquanto fazia e desfazia governos e determinava desde
cima o destino de nações e povos inteiros sem lhes dar a mínima
satisfação ou explicação, rebaixando assim toda a política continental à
condição de uma negociação secreta entre grupos interessados e
transformando a democracia numa fachada enganosa.
5)
Gastou dinheiro a rodo em viagens e hospedagens para muitos milhares de
pessoas, durante vinte e três anos, sem jamais informar, seja ao povo
brasileiro, seja aos povos das nações vizinhas, nem a fonte do
financiamento nem os critérios da sua aplicação. Até hoje não se sabe
quanto das despesas foi pago por organizações criminosas, quanto foi
desviado dos vários governos, quanto veio de fortunas internacionais ou
de outras fontes. Nunca se viu uma nota fiscal, uma ordem de serviço,
uma prestação de contas, um simulacro sequer de contabilidade. A coisa
tem a transparência de um muro de chumbo.
Diante
desses fatos, perguntar por que alguém odeia o Foro de São Paulo é
perguntar por que a chuva molha ou por que as vacas dão leite em vez de
botar ovos.
É pergunta idiota de quem se faz de desentendido porque tem algo, e muito, a ganhar com uma cínica afetação de inocência.
O
que toda inteligência normal e honesta deve perguntar, diante das obras
e feitos do Foro de São Paulo, é, isto sim, como é possível alguém, sem
ser parte interessada, gostar de uma porcaria dessas.
***
Devo
acrescentar, a essas considerações, uma nota pessoal. No artigo do sr.
Bruno Altman fui chamado, sem maiores explicações, de “filósofo de
bordel”. Embora o julgamento do sr. Altman sobre quaisquer filósofos
valha tanto quanto a sua sociologia, devo reconhecer que o rótulo não é
totalmente descabido, de vez que tenho, de fato, dedicado bastante
atenção filosófica a vários bordéis, lupanares, prostíbulos, alcoices,
casas de tolerância, casas da tia ou como se queira chamá-los, cujas
atividades espantosas requerem explicação. Há, entre inumeráveis outros,
o bordel internacional do Foro de São Paulo, o bordel federal da sra.
Dilma Rousseff, o bordel ao ar livre da “Marcha das Vadias” e, agora, o
bordel jornalístico do “Opera Mundi”.





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