Jornalista Andrade Junior

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Ainda os médicos

Ainda os médicos
Gostaria de estar aplaudindo a iniciativa oficial, mas sou forçado a concordar com o economista César Benjamim ao dizer que “no Brasil predomina o império da improvisação, do marketing e da corrupção”!
Gen Ex José Carlos Leite Filho –
linsleite@supercabo.com.br – Publicado no “O Jornal de Hoje”-Natal/RN De um governo não se pode esperar leviandades, muito menos mentiras posto que o governante eleito deve se fazer credor da confiança e da esperança dos seus eleitores ao passar a ser responsável pelo bem estar da população, sem distinção de aliados e contrários. Vai daí a obrigação de gerir uma equipe capaz de equacionar os problemas urbanos existentes por meio de planejamentos inteligentes e da formulação de projetos viáveis a fim de bem empregar os recursos disponíveis.

     Nos dias atuais, o que se vê é a improvisação que ganha vulto com a proximidade de novas eleições já que há necessidade de impressionar bem os eleitores e assim conquistar votos. Nessa conjuntura, a presunção é que os governantes são expertos e julgam idiotas os eleitores.

     Atentemos para o caso da saúde como direito constitucional de todos e dever do Estado. Constata-se, com facilidade, a falta de políticas sociais e econômicas capazes de reduzir o risco de doença e de assegurar a recuperação da saúde, bastando um rápido exame das precárias condições da assistência médica pública em nosso redor. Tudo é deficiente!

     Mais uma vez ganha notoriedade o “jeitinho” brasileiro encontrado com a importação de médicos, desprezando-se requisitos de capacitação técnica normalmente exigíveis, conforme legislação vigente, pois o objetivo maior é eleitoral e não a saúde. Evidentemente, trata-se de um remendo ou melhor dizendo, de um esparadrapo na relevante obrigação estatal da saúde trocada pelo adágio popular que diz : “em terra de cego, quem tem um olho é rei”. A campanha eleitoral que se avizinha impõe o imediatismo de uma resposta positiva ao cidadão, máxime os afastados dos grandes centros urbanos, normalmente carentes de meios de proteção e/ou recuperação de sua higidez.

     A novidade da medida governamental, se por um lado vai agradar ao eleitor, do qual o voto e não a saúde é o alvo, por outro desnuda a fragilidade da situação existente que apenas será aliviada no curto prazo de sua validade: três anos prorrogáveis por mais três, o que foi considerado suficiente para a consecução do objetivo maior. Se nas metrópoles é precária a questão de assistência médica não só pela insuficiência de recursos humanos, mas também pela falta de leitos hospitalares, de equipamentos, de remédios e outras coisas afins, que imaginar dos municípios interioranos? Certamente, isso não é ignorado como não o é a certeza de que o eleitor gostará de esperar menos por um eventual atendimento, embora precário, em consequência da chegada de um novo médico. Seria saudável a iniciativa se fosse coordenada com um planejamento de melhoria da infraestrutura. As modernas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e as de Pronto Atendimento (UPAs) abrem e fecham com a mesma facilidade, evidenciando descaso com os investimentos feitos, que serão repetidos após as eleições. Conjectura-se agora se os municípios a serem beneficiados disporão de recursos financeiros para o seu novo encargo de fornecer moradia aos novos médicos acompanhados dos seus dependentes quando, via de regra, não os tem para as UBS e UPAs. De que adiantará o encurtamento da fila de espera de consulta se permanecer a inexistência de meios?

Gostaria de estar aplaudindo a iniciativa oficial, mas sou forçado a concordar com o economista César Benjamim ao dizer que “no Brasil predomina o império da improvisação, do marketing e da corrupção”! Cabe ao povo refletir e votar com a sua consciência.

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