#vamosmudarbrasilia
Percival Puggina.
No Evangelho de São Lucas, Jesus narra uma história que se tornou,
provavelmente, a mais conhecida dentre todas as suas parábolas. Ela
descreve a experiência de um filho que pede ao pai rico a antecipação de
sua herança. Com a grana na mão, ele viaja para um país distante, cai
na vida, afunda nos vícios, gasta tudo que tem e experimenta o sabor da
mais irrecorrível miséria (vem daí o adjetivo pródigo, ou seja,
esbanjador, gastador, associado a esse personagem). Gradualmente, porém,
ele se arrepende, decide retificar sua conduta e retorna à casa do pai,
a quem pede e de quem recebe efusivo perdão.
Tem muita razão o jornalista Eugênio Bucci, em artigo publicado no
Estadão. Segundo ele, embora a presidente Dilma e os
governistas acusem a oposição de explorar politicamente o evento da
FIFA, foram os governos petistas que confundiram futebol com política e
eleição desde que se dispuseram a oferecer o país para a realização da
Copa de 2014.
É bom recordar. Logo no início,
Lula faturou os abraços e as lacrimosas efusões de alegria perante a -
assim proclamada - conquista. Depois, explorou as escolhas das sedes da
Copa, aumentando em cinquenta por cento, sem necessidade alguma, os
teatros em que ela se desenrolaria. Bastavam oito sedes, mas Lula quis
12 para faturar em mais quatro Estados os dividendos eleitorais que
disso adviriam. Depois, junto com Dilma, aproveitou politicamente,
anúncio por anúncio, as "obras da Copa" voltadas para mobilidade urbana,
aeroportos e infraestrutura.
Custou a cair a
ficha. Passaram-se seis anos inteiros, ao longo dos quais o governo
petista reinou com a convicção de que poderia fazer o que bem entendesse
no país. O PT se tornou o novo Príncipe de Machiavel, com a vantagem de
estar com os cofres cheios de dinheiro para usos e abusos. O partido do
governo se fundiu e confundiu com o Estado, com o governo, com a
administração pública federal e com as empresas estatais. Como é fácil,
na política, a vida dos endinheirados inescrupulosos!
Foi em junho do ano passado, quando entramos na contagem regressiva
para os jogos da Copa, que a ficha começou a cair e a nação passou a
compreender o quanto haviam sido absurdos e abusivos os custos, os
gastos, as exigências e as concessões feitas pelo governo petista. O
escandaloso contraste entre o "padrão FIFA" e a realidade social do
país, a tenebrosa situação do sistema de saúde e a péssima qualidade do
ensino público, levou o povo às ruas nos protestos de junho de 2013. E
produziu a impressionante reação popular ante a presença da presidente
Dilma no jogo inaugural da Copa.
No entanto,
vale o alerta: no poder, o governo petista conta com o dinheiro de todos
nós e nada - absolutamente nada! - sugere que vá arrepender-se, ou
mudar de conduta. Para o PT, cair em si significa fazer mais do mesmo. E
vem aí a outra "conquista" desse filho pródigo da ingenuidade nacional -
os Jogos Olímpicos de 2016. O PT é um filho pródigo incorrigível, que
precisa ser mantido a quilômetros de distância dos recursos públicos.





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