Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
Uma das cenas mais repetidas pela presidente Dilma Rousseff nos últimos três anos é o anúncio de duplicação de rodovias pelo país. Nem sempre as promessas se concretizam – em alguns casos, o tempo passou e ela acabou lançando a mesma obra mais de uma vez. Levantamento feito pelo site de VEJA e pela ONG Contas Abertas mostra que o governo federal concluiu menos de 30% das obras rodoviárias do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2 até agora.
Uma das cenas mais repetidas pela presidente Dilma Rousseff nos últimos três anos é o anúncio de duplicação de rodovias pelo país. Nem sempre as promessas se concretizam – em alguns casos, o tempo passou e ela acabou lançando a mesma obra mais de uma vez. Levantamento feito pelo site de VEJA e pela ONG Contas Abertas mostra que o governo federal concluiu menos de 30% das obras rodoviárias do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2 até agora.
Dados do
próprio governo apontam que foram 421 empreendimentos prometidos e 126
entregues. Maior ainda é o número de obras que ainda estão em “ação
preparatória” ou em fase de licitação: 133, o equivalente a 31,6% do
total, continuam apenas no papel. A conclusão contraria o que diz o
próprio governo, que normalmente enfatiza os dados financeiros para
apresentar um balanço positivo do Programa de Aceleração do Crescimento.
Ao todo, apenas 12% das quase 50.000 obras do PAC foram entregues.
Em um país
onde cerca de 60% das cargas são transportadas em caminhões, grande
parte das regiões produtoras sofrem com a precariedade das estradas.
Muitos trechos, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste,
simplesmente não possuem asfalto. Assim como em outras áreas, a lentidão
e a má qualidade do serviço são os maiores adversários da eficiência. O
resultado prático da lentidão nas obras é fácil de se medir. E, por
vezes, a conclusão das obras não significa o fim dos problemas. O
senador Sérgio Petecão (PSD-AC), vice-presidente da Comissão de
Infraestrutura do Senado, cita um exemplo que conheceu de perto: o da
BR-364, em seu Estado.
O trecho
entre Cruzeiro do Sul e Rio Branco foi reinaugurado no ano passado. Mas
não durou muito até que as chuvas transformassem vários pontos da
rodovia em um atoleiro. Enquanto novos trechos eram construídos, partes
recém-inauguradas de asfalto começavam a se desintegrar. “Lá aconteceram
as duas coisas: má execução de obra e má qualidade do material. Quando
termina um trecho, outro já está intrafegável”, diz o senador.
O cenário
econômico incerto, o risco de descontrole nas contas públicas e a
legislação eleitoral não devem permitir ao governo multiplicar os gastos
com as obras do PAC em 2014, para corrigir a defasagem dos primeiros
três anos de governo. De acordo com dados da Confederação Nacional dos
Transportes (CNT), em janeiro e fevereiro o governo não aplicou um real
sequer do valor previsto para o transporte rodoviário no Orçamento da
União. O 1,5 bilhão de reais que saiu dos cofres públicos sob esta
rubrica foi integralmente fruto dos chamados restos a pagar – débitos
assumidos em anos anteriores. A má gestão e a falta de controle sobre
as obras não são os únicos problemas: especialmente na construção de
rodovias, a corrupção é uma praga contra a qual o governo não parece ter
as armas necessárias.
Logo no
primeiro ano do governo Dilma, VEJA revelou como o Ministério dos
Transportes – em especial o Departamento Nacional de Infraestrutura de
Transportes – havia se transformado em uma máquina de fazer dinheiro
para o caixa do PR, partido que comandava a pasta graças ao loteamento
político promovido por Dilma. A revelação das irregularidades, que
envolviam superfaturamento de obras e fraudes em licitações, forçou o
governo a promover um expurgo que, como efeito colateral, paralisou
temporariamente obras em todo o país. Nem mesmo a “faxina” durou muito:
dois anos depois, Dilma devolveu o comando do ministério ao PR e
escolheu César Borges para comandar a pasta.
Resposta
De acordo com o Ministério dos Transportes, há muitos trechos de rodovias que já estão liberados para o tráfego mas não aparecem como “concluídos” na lista do governo porque restam “pequenos subtrechos” em obras. O PAC 2, diz a assessoria de imprensa, entregou 3.080 quilômetros de rodovias até agora. A pasta reconhece que, devido ao “porte, extensão e complexidade” das obras, pode haver alterações nos cronogramas.
De acordo com o Ministério dos Transportes, há muitos trechos de rodovias que já estão liberados para o tráfego mas não aparecem como “concluídos” na lista do governo porque restam “pequenos subtrechos” em obras. O PAC 2, diz a assessoria de imprensa, entregou 3.080 quilômetros de rodovias até agora. A pasta reconhece que, devido ao “porte, extensão e complexidade” das obras, pode haver alterações nos cronogramas.





0 comments:
Postar um comentário