Em 1964,
a situação tinha se deteriorado muito, o presidente era um total incompetente,
os seus esquemas sindical, militar, politico eram uma perfeita bagunça, e não
foi só o Exercito que partiu para o golpe.
Três
governadores, inimigos de Goulart e cada um com pretensões presidenciais -
Lacerda na Guanabara, Ademar em SP e Magalhaes Pinto em MG -- deram a partida
ao movimento, e de certa forma obrigaram os militares a se posicionar.
A tal de
Marcha com Deus... foi uma resposta ao comício da Central do Brasil, quando se
pensava que a esquerda daria um golpe comunista.
Tudo hoje
é diferente, e não apenas porque os generais querem defender suas
aposentadorias.
A
sociedade não está tão escandalizada com o governo dos companheiros, como
estamos nós, e provavelmente os militares também; a inflação não chegou a 90%
ao ano, como era a tendência em 1964, sem indexação; as greves e manifestações
ainda não são tao intensas quanto em 1964.
De resto,
havia naquela época o espectro de uma outra Cuba, uma outra China comunista,
coisas que são ridículas hoje: os companheiros querem se abastecer no
capitalismo, não virar a mesa; eles são a burguesia do capital alheio, como já
foi dito por alguém...
Ou seja,
a "coisa" ainda tem muito espaço para se deteriorar, não nos
iludamos. O Brasil está apenas no começo de uma longa decadência, e não será
uma outra Venezuela, apenas um país medíocre, ignorante, explorado pela mafia
política, como dezenas de outros países ao redor do mundo.
Ainda
temos muita gordura para queimar no caminho do retrocesso.
Gostaria
que fosse diferente, mas não temos estadistas, e nossa oposição é tão mediocre,
mas tão medíocre, que não consegue fazer um partido eficiente como o dos
companheiros. Eles são leninistas, eles se prepararam e não precisam mais
assaltar o Palacio de Inverno como em 1917. Atualmente, as ditaduras são
eleitas, pela massa amorfa que pede mais Estado, mais benefícios, mais
políticas "sociais"...
Ainda
temos um longo caminho para a decadência...
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Paulo
Roberto de Almeida





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