Que bom te ver por aqui, seja bem vindo. Neste espaço busco repassar a informação séria, sem censura. Publico artigos e notícias que estão na internet e que acredito serem de interesse geral. Também publico textos, vídeos e fotos de minha autoria. Nos textos há sempre uma foto ou um gif, sempre ilustrativa, muitas vezes, nada tem a ver com o texto em questão. Para entrar em contato comigo pode ser em comentários nos artigos ou, então, pelo e mail andradejrjor@gmail.com.
CARLOS ALBERTO SARDENBERG Azar, claro. A falta de chuvas e o calor excessivo estão fora da
curva, eram imprevisíveis. E, de certo modo, continuam assim. A
temporada molhada no Sudeste e Centro-Sul, na teoria e na experiência de
décadas medidas, vai até abril, de modo que a torcida ainda faz
sentido. Não é possível que não chova mais, tal é o sentimento. É verdade que, em 2001, o pessoal do governo FHC ficou dizendo isso
até o momento em que não choveu mesmo e foi preciso fazer o
racionamento. E, sem querer ser pessimista, certas situações hoje são
até piores. Em compensação, aí estão as termelétricas, movidas a gás, carvão e
óleo, cuja construção foi uma das medidas tomadas em consequência da
crise de 2001. Nem toda herança é maldita, não é mesmo? Assim, esperemos pelas chuvas até abril. Mesmo técnicos mais críticos
das opções do governo pensam desse modo. Sugerem, entretanto, que se
deve preparar para o pior, ou seja, o governo deveria já estar
promovendo economia de energia e ter pronto um plano de racionamento. Programas de economia não existem. Quanto ao plano de racionamento,
tudo bem se o pessoal do governo Dilma não quer falar disso, assunto que
azedaria ainda mais o humor em relação ao andamento da economia. Falta
de energia vai na veia do PIB, suga crescimento. Mas deveria ter o
plano no gaveta. Não adianta só esperar e torcer. Muitas das consequências da seca e
do calor já foram dadas. Vieram antes das chuvas. Preços de alimentos
estão em alta, puxando a inflação de março e do meio do ano. E o buraco
nas contas do setor elétrico já passa dos R$ 35 bilhões, na avaliação do
governo. Esse é o tamanho do prejuízo especialmente das distribuidoras,
levadas a uma situação em que precisam vender energia a preço menor do
que compram. Esse rombo está sendo coberto com dinheiro do Tesouro,
logo, dos contribuintes, e de fundos do setor elétrico. E terá de ser
recuperado com aumentos de tarifa ao consumidor. São, portanto, três consequências: alta imediata da inflação,
expectativa de mais alta pela recomposição das tarifas e aumento do
gasto público num momento em que o governo federal promete controle de
despesas. Tudo seria contornável, se a política econômica estivesse nos
trilhos. Por exemplo: todo mundo concorda que uma alta de preços
provocada pela seca não deve ser combatida com aumento de juros. O
regime de metas de inflação prevê essas emergências. No caso nosso, a meta de inflação é de 4,5% ao ano, com uma margem de
tolerância de dois pontos, exatamente para uma circunstância como a
atual. Funciona assim: a inflação está rodando na meta, vem um choque de
preços de alimentos e o Banco Central informa que vai tolerar uma
inflação um pouco mais alta até que o clima melhore e a produção de
comida volte ao normal. Todo mundo compreenderia. Hoje, porém, todos aqui olham desconfiados
para o Banco Central porque não existe a margem de tolerância. Há muito
tempo o BC aceita uma inflação rodando perto do teto da meta, em torno
dos 6%. É como se já tivesse usado o seguro, não tendo mais direito. A
tolerância agora é inflação na veia e exige mais juros. Não é por causa do azar da seca. É porque a política monetária já vinha errada. Vale para o reajuste de tarifas. O governo poderia perfeitamente
dizer: pessoal, essa seca é um azar danado, imprevisível, por isso vamos
precisar economizar energia e pagar mais caro por um bem mais escasso. De novo, já gastou esse seguro. A inflação alta há três anos não
absorve mais choques. E como aumentar a tarifa depois de dizer que este
governo foi o único que pensou no povo e reduziu a conta de luz? Vale também para as contas públicas. Se os gastos estivessem
controlados, se a contabilidade fosse normal, sem truques, e se o
superávit primário estivesse na meta, todo mundo compreenderia um desvio
para lidar com os efeitos da seca. O governo poderia anunciar: vamos tirar uns 30 bi do superávit
primário, em três ou quatro anos, para pagar a conta das termelétricas;
depois a gente recompõe o saldo. Quem seria louco de pedir mais
superávit e menos energia? De novo, esse seguro foi torrado. A despesa criada pela seca cai
sobre contas já deterioradas pela política, equivocada, de estimular
consumo público e privado. (Aliás, estimulou-se, e muito, o consumo de
energia). Foi um baita azar, portanto. Mas um azarado que joga mal . . . .
Como profissional, trabalhei como apresentador, repórter, redator, produtor, diretor de jornalismo em várias emissoras de rádio - Rádio Difusora de Pirassununga, Rádio Cultura de Santos e São Vicente, Rádio Capital de Brasília, Rádio Alvorada de Brasília, Sistema Globo de Rádio/DF, Rádio Manchete FM/DF, Rádio Planalto de Brasília e 105 FM DF e Rádio Cultura de Brasília. Fui Professor de Radiojornalismo no CEUB. Funcionário concursado da Secretaria de Saúde do Distrito Federal requisitado pelo TCDF até me aposentar em fevereiro ultimo. Também trabalhei, nos anos 70 no jornal O Movimento de Pirassununga.
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