A
decisão da Hamleys deu à escritora Peggy Orenstein a chance de fazer a
pergunta: “Deveriam as diferenças sexuais ser eliminadas dos
brinquedos?”
Quando
se faz tal pergunta direta, a resposta óbvia é “não.” Aliás, a pergunta
é um tanto ridícula. Afinal, como Orenstein escreve no jornal New York Times,
em idade pré-escolar, as diferenças entre meninos e meninas são
evidente no que se refere a brinquedos: “as meninas preferem brinquedos
que são bonitos, exibem ‘harmonia’ e lhes permitem contar uma história,”
enquanto os meninos preferem construir coisas.
As
diferenças entre os sexos vão além de suas atividades preferidas até o
jeito de brincarem: “as meninas tipicamente se reúnem em grupos de duas
ou três, conversam juntas mais do que os meninos e brincam de modo mais
cooperativo.” Assim, empresas como a Lego estão em sólido campo
científico quando dizem que “a fim de serem justas com os sexos… têm de
ser específicas com relação aos sexos.”
Questão
resolvida, certo? Não, infelizmente não. O motivo é que a questão de
“apagar as diferenças sexuais dos brinquedos” é parte de um projeto
político maior. Esse projeto vê o turvamento, e até mesmo a erradicação,
das diferenças sexuais como crucial para a igualdade das mulheres.
As
primeiras gerações de feministas buscavam erradicar as barreiras
formais e legais para a igualdade das mulheres. Sua meta era um mundo em
que se a mulher quisesse ser, por exemplo, senadora dos Estados Unidos
ou uma empresária bilionária, ela estava livre para realizar seus
sonhos.
Embora
alguns obstáculos ainda permaneçam, esse mundo em grande parte veio a
se concretizar. Contudo, em algumas áreas como política e negócios, as
feministas ainda não estão felizes.
Por
que? Elas acreditam que as mulheres não estão realizando essas
oportunidades porque ainda aceitam as ideias tradicionais sobre
diferenças sexuais. A malevolência dirigida às mães que permanecem no
lar é apenas um exemplo desse pensamento.
Mais
recentemente, esse pensamento se manifestou num represália contra
mulheres proeminentes que são consideradas femininas demais. A atriz
Zooey Deschanel é um alvo favorito das feministas que a consideram
“feminina” demais e, como tal, um mau exemplo para as moças.
Os cursos feministas nas faculdades ensinam que não existe diferença entre os sexos. O sexo é simplesmente uma escolha.
É
a partir dessa perspectiva que essa conversa de “eliminar as diferenças
sexuais dos brinquedos” deve ser vista. Essa discussão não é motivada
pela ciência e certamente não é motivada pelas necessidades e bem-estar
de meninos novos, que mal fazem parte da discussão.
É
motivada por uma visão do que as feministas acreditam que as moças
deveriam estar aspirando e o que é necessário para alcançá-lo: que é
minimizar as diferenças entre os sexos.
Essa
agenda ideológica está criando grande confusão entre os jovens, e o que
nada ajuda é a lição de reeducação política que eles recebem ao
entrarem numa loja de brinquedos. Nossas filhas já são iguais aos nossos
filhos em todo jeito que é importante, não importa a cor da roupa que
estejam vestindo.
Do artigo do BreakPoint: Gender-Free Toys?
Tradução: Julio Severo





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