#vamosmudarbrasilia
Os candidatos estimam gastos com a campanha eleitoral perto de R$ 1
bilhão, apenas para o cargo máximo de presidente. A petista Dilma prevê
gastar R$ 300 milhões, o tucano Aécio Neves quase o mesmo montante (R$
290 milhões) e Eduardo Campos R$ 150 milhões. Os gastos dos 11
concorrentes somados podem chegar a R$ 918 milhões. Isso representa um
aumento de quase 50% em relação a 2010...
No Rio, a previsão de gastos chega ao triplo de 2010, podendo consumir
R$ 180 milhões. Lindberg Farias, do PT, deve gastar R$ 60 milhões,
enquanto Pezão, do PMDB, estima gastar R$ 85 milhões. Temos campanhas
eleitorais cada vez mais dispendiosas, o que representa uma barreira
enorme a inúmeros candidatos em potencial, sem condições de levantar
somas tão astronômicas.
Campanhas cada vez mais caras são uma reclamação constante no meio
político. Para o senador Jorge Viana (PT-AC), a única saída é fazer uma
reforma política e proibir a doação de empresas nas eleições: “Se não
fizermos a reforma política e mexermos no financiamento das campanhas,
vai ficar cada vez mais caro. Eu apresentei um projeto para excluir o
financiamento das empresas. Temos que voltar ao passado e fazer
campanhas de baixo custo”.
Já para o presidente do DEM e coordenador da campanha de Aécio, senador
José Agripino (RN), quem nivela os gastos da campanha é o candidato
governista: “O candidato governista é quem normalmente tem mais
capacidade de arrecadação. Os adversários acompanham porque se colocar
uma previsão muito baixa, a suplementação é desgastante”.
De fato, chama a atenção o fato de que o PT, o “partido dos pobres”
(risos), é o que mais tem verba para gastar nas campanhas. É o partido
mais rico, com mais financiamento, inclusive de empresas. Mas creio que
ambos erram o alvo aqui: os gastos com as campanhas não são tão absurdos
assim quando se pensa no prêmio em jogo.
Steven Levitt, em seu clássico Freakonomics, tenta mostrar com diversos
exemplos práticos como as pessoas reagem a incentivos. Seguindo a
tradição de Gary Becker, da Escola de Chicago, Levitt mergulha em casos
do cotidiano, com uma perspectiva inovadora, para concluir que os seres
humanos estão basicamente reagindo aos custos e benefícios em jogo.
O senso comum diz que o dinheiro gasto na campanha define o vencedor,
mas Levitt mostra que, normalmente, é o contrário: o dinheiro segue
aquele que tem mais chance de vencer. E o motivo é prosaico: há inúmeros
benefícios a serem extraídos com o financiamento do vencedor. O prêmio é
alto demais em época de hiperpresidencialismo, com muito poder e
recursos concentrados no governo central.
Colocando o gasto com as campanhas em perspectiva, Levitt lembra que a
quantia de US$ 1 bilhão é a mesma, por exemplo, que os americanos gastam
todo ano com chicletes! Olhando por essa lógica, não parece tão absurdo
assim gastar esse montante para chegar à Casa Branca, com tudo o que
isso representa em termos de poder e recursos.
O governo central brasileiro concentra quase 70% de toda a arrecadação
tributária do país, que já é, por sua vez, absurdamente elevada, perto
de 40% do PIB. Fora isso, há todo o poder político em jogo, em um modelo
que deposita muito peso no papel do Executivo, que chega a governar por
decretos muitas vezes. Gastar R$ 1 bilhão para colocar as mãos em um
“cartão de crédito” que dá direito a gastar 40% de tudo que é produzido
no país parece tão maluco assim?
O prêmio em disputa é alto demais, simples assim. Não adianta falar em
financiamento público de campanha, como querem os petistas, o que é
apenas cortina de fumaça para o verdadeiro problema. Tampouco adianta
proibir financiamento de empresas, o que levará apenas ao financiamento
por fora, com uso de caixa dois. O estado é um troféu tentador demais, e
os fortes grupos de interesse vão continuar atuando, ainda que nos
bastidores e de forma ilegal, para conquistá-lo.
A única saída para mitigar o problema é atacá-lo em sua raiz: reduzir o
prêmio. Ou seja, se o estado for menor, com menos poder concentrado,
com menos recursos para gastar, então haverá perda natural de interesse
para “investir” em sua captura. Descentralizar o poder político e
reduzir o escopo do estado são as únicas formas de atacar o mal pela
raiz.
O resto é discurso para “inglês ver”, de gente que finge lamentar o
custo exorbitante das campanhas, enquanto arrecada justamente a maior
fatia dos tradicionais financiadores, como as empreiteiras.
Fonte: Coluna do RODRIGO CONSTANTINO / O GLOBO
fonte - blogdosombra





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