REINALDO AZEVEDO
Aloizio Mercadante, ministro da Casa
Civil, confessou a esta Folha, em entrevista publicada na quarta-feira,
que o governo segura as tarifas para controlar a inflação. Chamou tal
prática de “política anticíclica”, o que certamente deixou de cabelo em
pé economistas gregos e troianos, guelfos e gibelinos, liberais e
desenvolvimentistas, carnívoros e herbívoros. A originalidade de seu
pensamento econômico sempre foi assombrosa.
Estou
certo de que, ao fazer a revelação, experimentou no cérebro o mesmo
frêmito que Pestana, a personagem de Machado de Assis de “Um Homem
Célebre”, experimentava na ponta dos dedos quando sentia que a grande
obra estava a caminho –a definitiva, aquela que o alçaria ao panteão dos
gênios… E, no entanto, coitado do Pestana!, lá lhe saía mais uma polca.
Seguiu até o fim da vida condenado a fazer… polcas!
O Pestana
da Dilma julgou que estava tendo uma grande ideia: “Agora levo as
oposições para o ringue, faço-as defender a correção de tarifas de
combustíveis e energia, e a gente, em seguida, as acusa de inimigas dos
pobres e de defensoras da inflação”. Ninguém caiu no truque porque é
óbvio demais. E ainda restou a suspeita de que Mercadante estava no
conto errado de Machado. Teria ficado melhor no papel de Simão
Bacamarte,
o médico de loucos, que não batia bem dos pinos. Quem teve de
contestá-lo foi Guido Mantega, que, para incredulidade geral, negou que
os preços estejam represados. A que extremos nos leva o petismo, não é
mesmo? Entre a verdade indecorosa e a mentira decorosa! Nos dois casos,
os propósitos não são bons. É um concerto de Pestanas. LEIA A INTEGRA EM





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