Fernando
Rodrigues
Campanha
publicitária foi lançada
Enviar
cartas é algo cada vez mais raro, mas os Correios vão gastar R$ 42 milhões para
alterar a sua logomarca.
O novo
símbolo –uma flecha amarela e outra azul, apontando para direções opostas– foi
lançado em Brasília na 3ª feira passada (6.mai.2014), com a presença do
ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e atletas patrocinados pela empresa.
O assunto
recebeu pouco destaque na mídia, embora já estejam sendo gastos R$ 30 milhões
em uma campanha publicitária para divulgar a nova marca. O comercial está sendo
veiculado nos intervalos de redes de TV e de rádio do país.
O
desenvolvimento da marca custou R$ 390 mil –a criação do pequeno desenho. A
troca dos letreiros das 11 mil agências próprias e comunitárias espalhadas pelo
país consumirá outros R$ 9,9 milhões, segundo cálculo da estatal –uma média
modesta de meros R$ 819 para reformar cada agência.
O Blog
ouviu no mercado, entretanto, estimativas muito maiores, na faixa de mais de R$
100 milhões. Edifícios dos correios e pequenas agências terão de passar por
reformas em alguns casos para a troca de placas e letreiros não só nas
fachadas, mas nas partes internas desses locais.
Outro
número curioso é a cifra informada pela empresa para trocar a identidade visual
de sua frota de 16 mil veículos. Segundo os Correios, será necessário gastar R$
1,7 milhão para adaptar esses 16 mil carros. Ou seja, apenas R$ 106 por
veículo.
Por que
esse número é curioso? Porque os Correios informaram inicialmente que o custo
total para adaptar os carros e caminhões à nova logomarca seria de R$ 30 mil. O
Blog estranhou e perguntou: só R$ 1,87 por veículo? É claro que havia um erro
na informação.
Aí os
Correios apareceram com a nova cifra, de R$ 1,7 milhão.
O
titubeio da estatal sobre quanto vai custar essa operação pode significar duas
coisas: ou os números reais estão sendo sonegados ou houve pouco planejamento
na operação da mudança da marca da empresa. Ou as duas coisas.
É
importante lembrar que os Correios estiveram na gênese do escândalo do
mensalão, em 2005, quando um de seus funcionários foi filmado recebendo propina
em dinheiro. Depois, os contratos de publicidade da empresa foram questionados
por causa de suposto desvio de verbas.
Os
Correios estão fazendo esse investimento num momento em que o negócio histórico
da empresa está em decadência: o envio de cartas. Também é curioso que seja
feito tanto investimento por uma empresa que não tem concorrentes.
No
Brasil, o mercado de correspondências (cartas, cartões postais e telegramas) é
um monopólio estatal nas mãos dos Correios. Trata-se de um negócio em franco
declínio no mundo inteiro, que tende a ser mínimo no futuro.
Nos
Estados Unidos, o número de cartas enviadas caiu 24% nos últimos 10 anos (2004
a 2013). O Canadá chegou a anunciar, no ano passado, o fim da figura do carteiro que entrega
correspondência na casa das pessoas. No Brasil, o volume estaria estagnado há 5
anos –são cerca de 6,5 bilhões de cartas, cartões e telegramas por ano. A
empresa, entretanto, não explica a razão pela qual esse fenômeno existe no
Brasil, contrariando a tendência mundial.
Já o ramo
de entrega de encomendas e cartas expressas é aberto à competição privada de
empresas nacionais e estrangeiras. Cerca de 60% da renda dos Correios vêm desse
serviço, do qual o Sedex é o carro-chefe. Mas a reformulação da identidade
visual não abrange o produto mais lucrativo da empresa.
Além das
propagandas que faz na TV, os Correios não demonstram muita capacidade de
inovação.
Em
setembro de 2013, o Ministério das Comunicações, que comanda os Correios, anunciou que a empresa estudava criar um serviço
público e gratuito de e-mail com criptografia, para tentar evitar espionagem
como a realizada pelo governo dos Estados Unidos. A previsão inicial era
oferecer o serviço no segundo semestre deste ano, mas os Correios informaram
que o lançamento deve ficar para 2015.
Ao Blog,
a empresa afirmou que nenhum letreiro, embalagem, papel timbrado ou uniforme
será jogado fora devido à adoção da nova logomarca. Segundo a estatal, todos
esses itens serão substituídos por novos no prazo de 2 anos, na medida em que
forem utilizados ou encerrarem sua vida útil.
Fonte – blog diplomatizando
Correios gastam R$ 42 milhões para mudar logomarca





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