Jornalista Andrade Junior

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Truculência do governo contra entidades médicas cresce de acordo com as pesquisas de opinião



Truculência do governo contra entidades médicas cresce de acordo com as pesquisas de opinião


A truculência do governo em defesa do “Mais Médicos” cresce na proporção em que as pesquisas indicam o apoio, real ou suposto (já digo por que a dúvida), da população à medida. Aliás, essa é uma característica de estados, como direi?, “democraticamente” autoritários. Ditaduras se impõem pela força e pronto!, goste o povo ou não. As democracias bolivarianas ou, como a brasileira, com rompantes autoritários costumam usar as maiorias para intimidar quem diverge, quem resiste, quem se opõe. O Caetano Veloso acha que é tudo uma questão de ser “de esquerda” ou “de direita”. Não! A intolerância pode ter qualquer sinal. Ocorre que os intolerantes de esquerda se querem apenas humanistas. Mas volto ao ponto. Como os levantamentos de opinião pública estão a indicar que o programa é aprovado pelo povo, então o governo acha que, agora como antes, não tem nada a negociar: basta ameaçar com punições, e está tudo resolvido.
Por que falo em “suposto” apoio? Porque é preciso ver a que a população está dizendo “sim”. Se me perguntarem, por exemplo, se sou favorável a que médicos estrangeiros atuem em locais onde não há médicos brasileiros, também direi “sim”; poderei integrar aquela esmagadora maioria. Se, no entanto, me indagarem se apoio o “Mais Médicos”, a resposta, obviamente, é “não”. O viés não é ideológico ou político-partidário. Parte dos que respondem, é evidente, concorda com o programa porque defende o governo. Mas parte considerável dá uma de Caetano Veloso: opinar sem saber direito do que se trata.
Para o governo, no entanto, pouco importa. Até que não se possa dizer que o programa está efetivamente funcionando, podendo-se avaliar seus resultados e o impacto na saúde pública, a ordem é superfaturar o aspecto, vamos dizer, moral do programa. Luis Inácio Adams, como se nota (ver post abaixo), quer que tudo se resuma a dizer “sim” ou “não” a “médicos para pobres”. É claro que tal escolha é uma farsa, mas é o que está em curso.
Responsabilização legal e ilegal Pela nova disposição legal (?), fica claro que cada médico do programa é responsável pelas decisões que vier a tomar. Muito bem: no caso de algum erro importante ou omissão, vai acontecer o quê? As associações médicas nada terão a fazer. Os profissionais estrangeiros estarão no Brasil com visto provisório, podendo ser enviados de volta a Cuba a qualquer momento — e o Brasil nem terá controle a respeito.
A ameaça de acusar representantes de entidades médicas de improbidade administrativa é pura truculência. Preciso avaliar direito o caso e conversar com especialistas da área, mas duvido que seja assim tão fácil. Cuba e Venezuela são ditaduras em que se pode apelar a leis criminais ou de improbidade para ameaçar opositores. O Brasil ainda não desceu a tanto.
Sozinhas As entidades médicas precisam ter claro que a máquina de propaganda do governo — por intermédio do subjornalismo financiado com dinheiro público — e do PT foi mobilizada para demonizá-las. A depender de como reajam, estão apenas facilitando esse trabalho. É claro que o debate também é de natureza política, mas de uma outra espécie de política, bem mais ampla, que diz respeito à forma como se trata saúde pública. O debate deveria ser bem mais amplo do que aquele feito só por entidades profissionais. Mas este, hoje, se reduz a setores da imprensa que ainda acreditam que uma democracia se constrói também com valores. Até a novela das nove faz “merchandising social” em favor do programa.
Talvez as entidades médicas colaborem mais com o Brasil e os brasileiros, nesta quadra, se passarem a avaliar a efetividade do programa e a qualidade do atendimento que será prestado à população. Quanto a Luis Inacio Adams, dizer o quê? Mais uma vez, ele demonstra que, numa democracia realmente bolivariana, seus préstimos seriam mesmo inestimáveis.
Por Reinaldo Azevedo

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