"Prostituta feliz" faz diretor perder o cargo
Correio Braziliense -
Campanha publicitária lançada nas redes sociais provocou polêmica e o diretor do Departamento de DST/Aids, Dirceu Greco, foi exonerado. O Ministério da Saúde alega que a peça não foi autorizada.
A campanha veiculada em redes sociais com o objetivo de reduzir o estigma em torno das profissionais do sexo, associadas a doenças sexualmente transmissíveis (DST), foi suspensa pelo Ministério da Saúde e custou o cargo do diretor do Departamento de DST, Aids e hepatites virais da pasta, Dirceu Greco. Ele foi exonerado ontem à noite. A campanha foi lançada no último fim de semana nas redes sociais, com foco na prevenção de DST.
De acordo com a pasta, a campanha, que incluía uma peça publicitária com
o slogan “Eu sou feliz sendo prostituta” foi produzida pelo
Departamento de Aids e não passou pela aprovação da Comunicação Social
do ministério. Como houve descumprimento das normas internas, foi
determinada a retirada da campanha. Além disso, a assessoria da pasta
informou que as peças não estavam de acordo com o padrão das ações
promovidas pelo ministério voltadas à prevenção de doenças sexualmente
transmissíveis porque não traz conselhos específicos sobre formas de
prevenção.
Ontem, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos
Deputados, presidida por Marco Feliciano (PSC-SP), convidou Padilha para
explicar sobre o caso. Hoje, religiosos ligados a ele e ao pastor Silas
Malafaia promovem protesto na Esplanada. Ontem, católicos criticaram a
campanha em uma marcha contra a descriminalização do aborto (leia
abaixo).
A ação, que tem o lema “Sem vergonha de usar camisinha”, foi feita
em homenagem ao Dia Internacional das Prostitutas, no último dia 2. A
campanha divulgada pelo ministério era baseada em panfletos e vídeos
veiculados nas redes sociais. Em uma das gravações, uma profissional do
sexo fala: “Sonhei que sou respeitada, que sou uma flor, uma rosa sem
espinhos”, diz a mulher, no vídeo.
Os banners trazem frases voltadas ao público-alvo, como “Não
aceitar as pessoas da forma como elas são é uma violência”, “Um beijo
para você que usa camisinha e se protege das DST, aids e hepatites
virais” e “O sonho maior é que a sociedade nos veja como cidadãs”. Os
panfletos e os vídeos foram produzidos em uma oficina para profissionais
do sexo ocorrida em março, em João Pessoa. Participaram do evento
representantes de organizações não governamentais, associações e
movimentos sociais de apoio a quem vive da prostituição.
“Só será autorizada a assinatura do ministério em mensagens
restritas a orientações sobre prevenção das doenças sexualmente
transmissíveis para os profissionais do sexo”





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