O Estado de S. Paulo - 03/06/2013
Não haverá milagre que faça a
educação brasileira dar o salto necessário para colocar o País entre os
mais desenvolvidos do mundo se não forem superados os entraves básicos, a
começar pela infraestrutura das escolas.
O retrato de décadas de descaso,
em que a construção de boas escolas não passou de mera promessa em
sucessivas campanhas eleitorais, está num levantamento divulgado pelo
movimento Todos pela Educação, segundo o qual 44,5% dessas unidades
dispõem somente do mínimo para seu funcionamento, isto é, água,
banheiro, energia, esgoto e cozinha,
Não têm biblioteca, quadra de esportes e laboratório, itens considerados necessários para que o aprendizado se desenvolva de modo satisfatório. Apenas 0,6% dos estabelecimentos pesquisados têm estrutura completa. É um quadro desalentador.
Não têm biblioteca, quadra de esportes e laboratório, itens considerados necessários para que o aprendizado se desenvolva de modo satisfatório. Apenas 0,6% dos estabelecimentos pesquisados têm estrutura completa. É um quadro desalentador.
A pesquisa tomou como base o
Censo Escolar de 2011. Naquele ano, estavam em funcionamento quase 195
mil escolas, cujos diretores responderam a um questionário a respeito
dos recursos disponíveis nos estabelecimentos. A metodologia do estudo
levou em conta que nem todas as escolas necessitam de determinados
equipamentos ou espaços, como berçário.
Com isso, foi feita uma escala de
categorias de infraestrutura que considera as diferentes etapas de
aprendizado. A categoria "elementar" é aquela do mínimo necessário. Já
na categoria "básica", além de água e esgoto e energia elétrica,
incluem-se aparelhos de TV e DVD, computadores, impressoras e sala da
diretoria. O nível "adequado" demanda a presença de tudo isso mais
acesso à internet, sala de professores, biblioteca e espaços para o
desenvolvimento motor e o convívio social dos alunos.
No último nível, o das escolas
"avançadas", aparecem também laboratório de ciências e estrutura para
atender alunos com necessidades especiais. Para os pesquisadores, esse é
o cenário considerado "mais próximo do ideal" - e que é quase
inexistente na rede educacional do País.
O mérito dessa pesquisa é mostrar
que a precariedade das escolas, tanto públicas quanto privadas, é um
problema generalizado. Girlene Ribeiro de Jesus, da Universidade de
Brasília, que participou do trabalho, disse que, por mais que esperassem
resultados ruins, os pesquisadores se chocaram com a quantidade de
escolas classificadas no nível "elementar".
As diferenças regionais são ainda
mais graves, Na Região Norte, 71% das 24 mil escolas têm infraestrutura
apenas "elementar". No Nordeste, o porcentual é de 65,1%, enquanto no
Sudeste é de 22,7%, no Sul é de 19,8% e no Centro-Oeste, de 17,6%. Mesmo
nas regiões mais avançadas, a maioria das escolas encontra-se no nível
"básico". No Sudeste, apenas 19,8% são consideradas "adequadas".
Há também diferenças
significativas quando se analisam as redes federal, estadual e
municipal. No nível federal, a maioria das escolas (62,5%) são
"adequadas" ou "avançadas". Já a maioria das escolas estaduais (51,3%)
está na categoria "elementar", enquanto 62,8% das escolas municipais
encontram-se nas categorias "elementar" e "básica". É na esfera
municipal, aliás, que o problema parece mais acentuado, pois é nessa
rede que se concentram quase 100% das escolas
que estão mais próximas do piso da categoria "elementar".
que estão mais próximas do piso da categoria "elementar".
O estudo também confirma a
percepção de que a precariedade estrutural das escolas é um problema bem
mais acentuado no campo do que na cidade. Das escolas da zona rural,
85,2% estão no nível "elementar", ante 18,3% nas áreas urbanas. Mesmo as
escolas particulares -- muitas das quais são apenas caça-níqueis
espalhados pelo País - apresentam graves problemas. Nada menos que 72,3%
desses estabelecimentos têm infraestrutura apenas "elementar" ou
"básica".





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