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08:47
ANDRADEJRJOR

Do país do futebol para o
país da piada pronta foi um salto quase quântico. O surto de cultura
fútil em todas as camadas da sociedade brasileira, mal recheadas por
programas de auditórios de péssimo gosto e suas celebridades ocas, está
ferrando a nação.
O povo – e aqui se inclui pobres e ricos –
avança no rumo de uma imbecilidade coletiva sem fim. Coincidência
histórica ou não, a era da sociologia jeca com o PT no poder estabeleceu
uma queda acentuada no nível de bom senso. Só tá faltando o Rondon.
No
país em que um operário espertalhão constrói um império da indústria
ideológica aos moldes de Hugo Chávez e ainda convence parte das elites
de que seu “case” é diferente, o grosso da população segue seu mantra de
dispensar a prática da leitura.
Fazemos uma História ao avesso
cultuando quem ironiza o conhecimento e combatendo quem acumulou
cultura. No ambiente esquerdopata das universidades nacionais, a
referência é Lula, a indiferença é FHC, nada mais endêmico, pra não
dizer acadêmico.
Não por coincidência, esse movimento oportunista
de falsear o processo histórico cabe bem na nomenclatura “história de
trancoso”, adaptada no Brasil Colônia que levou a sério os “contos e
histórias de exemplo”, do português Gonçalo Fernandes Trancoso.
Melhor
trocar os adjetivos dos textos ufanos e meter um imbecil no lugar de
varonil, caindo melhor na realidade de um país que optou pela ilusão da
quantidade em detrimento do valor da qualidade. Quem dita a regra são as
estatísticas das pesquisas.
Por que Michel Teló é melhor do que
Lenine? Porque vende mais e enche palcos. Por que Ivete é melhor que
Roberta Sá? Porque junta multidões no carnaval e frequenta a TV aberta.
Por que o governo é bom? Perguntem aos quantificados pelas esmolas.
Dada
a incapacidade econômica e cultural de se acabarem os valores e
conceitos capitalistas, o Brasil petista alcançou o socialismo
cognitivo, onde todas as classes pensam semelhante e agem com a mesma
futilidade evacuando sua incultura diária.
O advento das redes
sociais na Internet aproximou o que os bairros caros e as lojas chiques
separavam. Uma navegada no Instagram ou Facebook e percebemos que a
diferença entre uma dondoca e uma doméstica está só no vestido ou na
maquiagem.
Nas postagens sobre as tramas e personagens de novelas
no Twitter, elas também deixam expostas a similitude das frescuras. Não
se distinguem pelo risoto de lagosta e a pizza gigante, mas se
assemelham – e como – no exibicionismo que busca notoriedade.
Já a
ignorância masculina fica mais evidente nas transmissões de futebol
narradas por Galvão Bueno ou pelos caras do canal Esporte Interativo. O
primeiro, o mais legítimo símbolo do pachequismo idiota; os outros,
candidatos diletos ao legado do próprio.
Na voz do locutor, a TV
Globo exercita sua sanha de pontos no Ibope construindo desesperadamente
mitos e heróis populares, forjados quase sempre em pseudoglórias
momentâneas, como na eternidade besta de noventa minutos num jogo de
futebol.
No domingo passado, emissora e locutor colocaram em
prática pela enésima vez a dramaturgia narrativa que buscou numa pelada
amistosa da seleção brasileira uma falsificada epifania nacional. No
picadeiro do Grêmio, uma ópera bufa em dois atos.
Um amontoado de
reservas franceses, e dois ou três titulares exaustos, como
coadjuvantes de uma comédia rococó dos trópicos. Um joguinho caça-níquel
que o Bueno vendeu como vingança épica por derrotas brasileiras
seguidas em três Copas.
E não é que o povaréu (pobres e ricos)
acreditou na farsa, mesmo vendo o futebol minguado da seleção e a vaia
sonora tomada por Neymar, o herói da hora? Chamaram de vitória maiúscula
para “apagar” os três vexames impostos pela França desde 1986.
Vejam
que o consciente coletivo do país é a ampliação da baboseira do Galvão;
onde já se viu conformar-se com uma vitória em amistoso e aceitá-la
como troco a três derrotas dentro das copas. Parece a visão enviesada de
Lula menosprezando os livros de FHC.
Coitado do jogador
Hernanes, caiu na esparrela plantada pelos repórteres em missão especial
de patriotada e se assumiu escriba de uma história reescrita. Ajudou a
incutir na idiotice geral que os 3 x 0 de ontem foram tão importantes
quanto a final de 1998.
Espelhos do ufanismo, jornais dizem hoje
que com a goleada o Brasil está pronto para uma retomada. Faço minhas as
palavras do jornalista Juca Kfouri, na Folha de S. Paulo: “Pronto?
Pronto uma pinoia”. Ainda faltam um futebol culto, um país criativo e um
povo bom de jogo.
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