por Elton Simões
Fique tranquilo. Tudo indica que a incerteza não aumentou. Continua a
mesma. Se alguém duvidava, não há nada de novo nas eleições. O Brasil
perdeu a capacidade de gerar novidades. Segue preso em circularidade
interminável, condenado a repetição, em que o futuro parece ser uma
copia desbotada de passado duvidoso. Tudo já vem envelhecido, carcomido,
podre.
É assim que chegam os primeiros ventos das eleições. Sem nomes novos ou
ideias originais. Basta analisar a lista que vai habitar cédula
eleitoral. Para quem ainda duvida, vai dar para conferir durante o
horário eleitoral que daqui a pouco começa.
Sem risco de errar, atravessaremos meses de campanha eleitoral em
horário nobre sem a transmissão de uma única informação útil. Na melhor
das hipóteses, resta não assistir. Pelo menos para poupar os ouvidos e
possivelmente o estomago.
O estranho é que a gente tenha se acostumado a isso. Já faz muito tempo
que as mesmas caras se apresentam expondo ideias rarefeitas apoiadas em
conceitos ultrapassados, polvilhados por doses generosas de cinismos.
O triste é que a ausência de novidades é apenas sintoma de doença em
estado avançado. É resultado direto de um sistema político onde não mais
existe relação entre o eleitor e o eleito. Crise de representatividade,
enfim.
O país, segue, portanto, sequestrado por grupos políticos a esquerda ou a
direita que transformaram o Estado em somatória de sesmarias
hereditárias. A depender desses grupos, renovação é coisa a ser evitada.
Nomes novos, nem pensar.
Sem a saudável oxigenação da renovação, o Estado brasileiro é reflexo e
consequência de seu sistema eleitoral. Consegue ao mesmo tempo gastar
mais do que pode e entregar nada nada do que deveria. E vai continuar
assim. Perdemos o controle. E muito.
O sistema eleitoral brasileiro é gigantesca máquina de copiar
experiencias falidas em graus decrescentes de qualidade. Uma verdadeira
fábrica de velharias. A cédula eleitoral já anuncia que os próximos 4
anos serão feitos de passado.
Não importa quem vai ganhar a eleição. O eleitor já perdeu.
Elton
Simões mora no Canadá. É President and Chair of the Board do ADR
Institute of BC; e Board Director no ADR Institute of Canada. É árbitro,
mediador e diretor não-executivo, formado em direito e administração de
empresas, com MBA no INSEAD e Mestrado em Resolução de Conflitos na
University of Victoria.
Com Blog do Noblat, Veja
extraídaderota2014blogspot





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