recebi o texto abaixo via e-mail encaminhado por um amigo leitor do blog, retransmito na integra
ASSASSINATO DO MARINHEIRO INGLÊS DAVID A. CUTHBERG
COMISSÃO DA VERDADE, ONDE ESTÁ VOCÊ?
Em 5 de
fevereiro de 1972, chegava ao porto do Rio de Janeiro uma força-tarefa da Real
Marinha Inglesa, em comemoração ao sesquicentenário da Independência do Brasil.
Os marinheiros, como em todo porto, estavam ávidos para conhecer a noite do
Rio, um sábado bafejado pelo calor do verão e pelos primeiros sons de samba,
que antecediam o carnaval carioca.
Liberado
da faina do navio H.M.S.Triumph, o marinheiro inglês David A. Cuthberg, de 19
anos, acompanhado de seu colega Paul Stoud, tomou, na Praça Mauá, o táxi
dirigido por Antonio Melo, que os levaria para conhecer a mundialmente famosa
praia de Copacabana.
Eles não
sabiam que, desde a chegada na praça, estavam sendo observados por oito
terroristas, dissimulados dentro de dois carros.
Na
esquina da Avenida Rio Branco com Visconde de Inhaúma, à porta do Hotel São
Francisco, um dos veículos emparelhou com o táxi e David foi atingido por uma
rajada de metralhadora, disparada por Flávio Augusto Neves Leão de
Salles. Imediatamente, Lígia Maria Salgado da Nóbrega jogou
para dentro do táxi panfletos que falavam em vingança contra os ingleses por
terem massacrado os irlandeses do norte. O "Comando da Frente" acabou
com o sonho de David em conhecer Copacabana, "justificando
plenamente" seu ato pela solidariedade à luta do IRA contra os ingleses.
A ação
criminosa, tachada como "justiçamento", foi praticada pelos seguintes
oito terroristas, integrantes de uma frente formada por três organizações
comunistas: pela ALN, Flávio Augusto Neves Leão de Salles
("Rogério", "Bibico", "Brutus", "Ali",
"José", "Zeca"), Antonio Carlos Nogueira Cabral
("Chico", "Alfredo"), Aurora Maria do Nascimento
Furtado ("Marcia", "Rita", "Patricia") e Adair
Gonçalves Reis ("Elber", "Leonidas", "Robson",
"Sorriso", "Van"); pela VAR-P, Lígia
Maria Salgado da Nóbrega ("Ana", "Celia",
"Cecilia", "Ceguinha", "Isa"), Hélio da
Silva ("Anastacio", "Nadinho") e Carlos
Alberto Salles ("Soldado"); pelo PCBR, Getúlio de
Oliveira Cabral ("Artur", "Feio", "Gogó",
"Gustavo", "Soares", "Tarso").
O jornal
"O GLOBO" comentou o fato, com o título de "REPULSA":
"Tinha
dezenove anos o marinheiro inglês David A. Cuthberg que, na madrugada de
sábado, tomou um táxi com um companheiro para conhecer o Rio, nos seus aspectos
mais alegres. Ele aqui chegara como amigo, a bordo da flotilha que nos visita
para comemorar os 150 anos da Independência do Brasil. Uma rajada de
metralhadora tirou-lhe a vida, no táxi em que se encontrava. Não teve tempo
para perceber o que ocorria e, se percebesse, com certeza não poderia
compreender. Um terrorista, de dentro de outro carro, apontara friamente a
metralhadora antes de desenhar nas suas costas o fatal risco de balas, para
logo em seguida completar a infâmia, despejando sobre o corpo ainda palpitante
panfletos em que se mencionava a palavra liberdade. Com esse
crime repulsivo, o terror quis apenas alcançar repercussão fora de nossas
fronteiras para suas atividades, procurando dar-lhe significação de atentado
político contra o regime brasileiro. A transação desejada nos
oferece a dimensão moral dos terroristas: a morte de um jovem inocente em troca
da publicação da notícia num jornal inglês. O terrorismo cumpre, no Brasil, com
crimes como esse, o destino inevitável dos movimentos a que faltam motivação
real e consentimento de qualquer parcela da opinião pública: o de não
ultrapassar os limites do simples banditismo, com que se exprime o alto grau de
degeneração dessas reduzidas maltas de assassinos gratuitos."
Pode-se
observar que, naquela época, os comunistas eram chamados de
"terroristas", suas organizações, de "reduzidas maltas de
assassinos" e suas ações, de "crimes repulsivos".





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