por Vilma Gryzinski
Um presidente eleito contra todas as possibilidades, com um histórico de declarações explosivas, odiado por todas as elites intelectuais e artísticas, grudado no Twitter, indisciplinado, criador de uma crise por dia, sempre à beira de tombar por seus próprios erros.
Estamos falando de Donald Trump, claro.
E dos incríveis resultados que, por iniciativa dele, a economia americana está alcançando.
Incríveis mesmo, no sentido de inacreditáveis, tanto por algumas das mentes mais brilhantes do mundo financeiro quanto por mentes nada desprezíveis, porém ofuscadas pelas lentes ideológicas.
É uma espécie de Síndrome de Paul Krugman. Os brasileiros com alguma memória já sabem que tudo o que Krugman escreve no New York Times que vai acontecer tem um resultado exatamente oposto.
Agora é a vez dos americanos – ou pelo menos os não afetados terminalmente pelo ódio a Trump. Não obstante seu prêmio Nobel de Economia, Krugman virou sinônimo de profeta ao contrário.
Os mercados globais iriam para o inferno por causa da eleição de Trump e os Estados Unidos afundariam na recessão, prognosticou ele há dois anos e meio.
“O desastre para a América e para o mundo tem tantos aspectos que as ramificações econômicas estão bem embaixo da minha lista de preocupações”, disse o influente Krugman poucas horas depois da eleição.
“Em quaisquer circunstâncias, colocar um homem irresponsável e ignorante que só ouve conselhos das pessoas erradas no comando da nação com a economia mais importante do mundo, seria uma péssima notícia. Mas o que torna isso especialmente ruim no momento é o estado fundamentalmente frágil em que o mundo ainda se encontra.”
Bem, talvez o mundo não tenha melhorado muito, com a Europa no limiar da recessão e a China crescendo pouco, pelos padrões chineses.
Mas a economia americana está bombando a tal ponto que, no momento, existem mais vagas para profissionais técnicos do que candidatos.
“Por que não consigo arrumar um eletricista?”, brincou Eric Schmidt, recentemente saído do comando do Google.
Como um dos maiores financiadores do Partido Democrata, teve um gostinho especial o elogio que fez na conferência do Milken Institute aos grandes empresários e executivos presentes – “heróis americanos” –, incluindo na lista Ivanka Trump.
Para quem acredita em piadas sobre loiras burras: Ivanka assessora o pai no programa de criação de empregos, especialmente no que se refere à reorientação para os cursos de formação técnica.
Desemprego baixo ou quase inexistente, crescimento invejável (3,2% no último trimestre), com juros e inflação (abaixo da meta, 1,6%) que não aumentam e até a criação de vagas no setor industrial, onde os empregos nunca, jamais, em tempo algum sairiam da China, são o sonho de qualquer governante.
Um sonho, teoricamente, impossível.
“Nenhum manual de economia que eu saiba ter sido escrito nos últimos dois mil anos sequer discutiu a possibilidade de que esse tipo de situação perdurasse e com todas as variáveis continuando mais ou menos as mesmas”, disse Warren Buffett, do alto da posição de oráculo do mercado e de terceiro homem mais rico do planeta.
Como qualquer um que não seja “um homem irresponsável e ignorante”, Buffett avisou que estas condições são insustentáveis, principalmente com um governo que continua gastando como um milhão de marinheiros bêbados descendo no porto ao mesmo tempo.
A inveja do milagre trumpiano, com todas as condicionais, é tanta que já tem gente dizendo que “PIB não é tudo”. Ou batendo na tecla que Trump colhe os frutos plantados por Barack Obama. Ou que os efeitos catastróficos do corte de impostos e da desregulamentação da economia ainda estão esperando ali na esquina.
O Partido Democrata, que tem o comando da Câmara, faz tudo para torpedear Trump de qualquer maneira.
A maioria esmagadora da grande imprensa trabalha pelo impeachment.
A opinião pública não se convenceu de que o presidente não tenha algum enrosco com a Rússia, mesmo depois de encerrada a investigação especial sobre o caso, sem nenhuma acusação.
A desaprovação ao presidente sempre é maior do que a aprovação, apesar do índice positivo mais do que razoável de 42%, em média.
Trump praticamente não passa um dia sem criar alguma nova encrenca pelo Twitter.
As pesquisas de opinião indicam uma vitória de qualquer um dos principais dos pré-candidatos da oposição na eleição presidencial do ano que vem.
E existem nos Estados Unidos atualmente 5,8 milhões de desempregados, numa população total de 327 milhões de pessoas. A oferta de vagas está em sete milhões.
Dá para imaginar uma revanche melhor do que esta?
Veja
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