MIRANDA SÁ
“Uma discussão prolongada significa que ambas as partes estão erradas” (Voltaire)
Aceito quase como um
provérbio secular, há um pensamento muito repetido mundo afora pregando a
eliminação dos extremos para revelar o que é íntegro; é uma lição de
Aristóteles, no seu texto “Ética a Nicomaco”. Vem do grego, “In Medio
Est Virtus”, e com a tradução latina do conceito, “virtus in médium”,
que significam “a virtude está no meio”.
Nesta época em que a
política brasileira está conturbada por desprezo à cultura humanista e
falsificação dos seus valores, a Nação sofre pela falta de lideranças
com estofo de estadistas e substituídas por robôs contendo ideologias
deturpadas e/ou superadas por partidos cartoriais ditos “de esquerda”.
Observadores da cena
política veem apenas a movimentação da direita e da esquerda, linhas
paralelas que se tocam no infinito do interesse dos seus protagonistas.
Ambas rejeitam qualquer posição divergente, e negam juntas a existência
de outras tendências. Afirmam-se como “ideologias próprias” sustentando
não haver espaço para uma terceira via.
Diante das massas e para
conquistar o eleitorado, mostram uma polarização de fachada,
propagandística, garantindo para só elas o apoio para ocupar bancadas no
Congresso e cargos executivos na União, estados e municípios.
Entretanto, a prática
discursiva da direita e esquerda entram, porém, em contradição ao
aceitar por vínculo causal, subdivisões e alianças de “centro-direita” e
“centro-esquerda”.
Só dessa maneira admitem
a existência do Centro. É um fato objetivo o reconhecer esta adoção
filosófica presente na consciência humana que anseia por um governo
baseado na razão e na justiça; e que o objetivo inarredável do
desenvolvimento social é a liberdade.
Vê-se, então, que o
espectro político esquerda-direita é a limitação das opções por
imposição conceitos totalitários, enquanto a vocação do centro amplia a
ideia de liberdade, reivindicando um Estado-Providência para atender as
necessidades básicas do povo, e diminuto, restrito a coordenar a vida
social, distribuindo a Justiça e regulando a segurança pública.
Assim, queiram ou não
queiram os extremistas, o mapa das posições políticas se amplia com a
extrema direita, direita, centro-direita, centro, centro-esquerda,
esquerda e extrema esquerda. Isto é um fato concreto, inegável.
Fica desta maneira
reconhecido o Centro Democrático ou Centro Liberal, como uma força
ideológica no prisma político. Não é um rotulo e muito menos uma sigla
partidária; é a expressão da aceitação de um ideário progressista
adotando doutrinas filosóficas e éticas que levem ao desenvolvimento
econômico.
O “centrismo” sincretiza
igualmente, sem preconceito, princípios da direita e da esquerda,
embora se assumindo sempre como uma “terceira via”. “Uma” porque admite a
existência de outras, ao contrário das posições extremistas.
A transformação da
sociedade, da economia e da política é a ideia sustentada pelo Centro
para a conquista do progresso numa sociedade livre, justa, solitária e
democrática. Advoga uma reforma que alcance os poderes executivo,
judiciário e legislativo, livrando-os dos vícios ocasionais, mas
mantendo-lhes a independência.
Estabelecida esta
harmonia estatal, requer também um sistema fiscal com impostos diretos e
progressivos, impedindo qualquer privilégio tributário e tendo a sua
aplicação transparente para combater a corrupção.
EXTRAÍDADETRIBUNADAIMPRENSAONLINE
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