ARTIGO QUE RECEBI, VIA E-MAIL E QUE REPASSO, NA INTEGRA AOS AMIGOS LEITORES.
Mensalão: uma manobra despercebida
As manchetes dos jornais erraram ao dizer que os mensaleiros saíram
derrotados no primeiro dia do julgamento do mensalão. A vitória foi dos
réus, mas ninguém viu. Ou poucos observaram. Fruto de uma manobra muito
bem articulada. Típica do mágico que desvia a atenção da plateia com uma
das mãos para fazer o truque com outra. ...
A tabelinha malandra entre o advogado de defesa Márcio Tomaz Bastos e o
ministro de defesa Ricardo Lewandowski tinha um simples objetivo:
legitimar o ministro Dias Toffoli. A tese do desdobramento da ação era
fadada ao fracasso. Todos sabiam disso. Não foi colocada ali para ganhar
tempo e protelar o julgamento. Isso será feita no decorrer do processo.
Até porque, se ganhou (ou perdeu) com isso cinco horas, correspondente a
leitura da acusação do procurador-geral Roberto Gurgel.
O truque começou quando Márcio Tomaz Bastos pediu a questão de ordem e,
nela, o desdobramento da ação. A ideia foi comprada de imediato pelo
ministro de defesa Ricardo Lewandowski.
Para surpresa de todos, tinha no bolso um voto pronto para o tema. Tipo
assim: “Oh, por acaso eu escrevi um voto para esse pedido!!!”. Seu
voto, com algumas interrupções, levou tempo suficiente para desviar a
atenção.
Além de Lewandowski, apenas outro ministro trouxe um voto pronto sobre o
desdobramento. Foi Dias Toffoli. Conveniente, votou contra Lewandowski.
O truque está ai. Toffoli mostrou que pode votar com independência,
legitimando a sua participação no julgamento. E, assim, constrangendo
Roberto Gurgel de pedir seu impedimento.
Alguém acha que foi por acaso ou coincidência Lewandowski e Toffoli
aparecerem com um voto pronto, sobre o mesmo tema. Tema esse que já
havia sido julgado em três outras oportunidades pelo Supremo. E que numa
dessas oportunidade, Lewandowski havia sido contra o que ele próprio
estava defendendo nesta ocasião.
Mas porque Dias Toffoli poderia ter sua isenção questionada. Ora, o
ministro é conhecido por sua ligação com o PT, centro do escândalo que
culminou com o processo que está sendo julgado. Além de a carreira
jurídica de Toffoli ser ligada ao PT, outros fatores incontroversos
geram a suspeição do ministro.
Entre eles, o fato de o ministro ter uma relação próxima com o “núcleo
político do mensalão” e de ser “homem de confiança” do ex-presidente
Lula e do ex-ministro José Dirceu, um dos réus do escândalo. Assim,
poderia se questionar se Toffoli teria capacidade subjetiva ou
imparcialidade para enfrentar a verdade, que pode manchar a história do
partido do qual ele fez parte a vida toda.
Além disso, o ministro foi sócio, até 2009, de escritório de advocacia
que trabalhou na defesa de outros envolvidos no caso do mensalão. A
outra sócia do escritório, Roberta Rangel, é namorada de Toffoli.
Ser contra a pegadinha de Lewandowski e Márcio Tomaz Bastos fez de
Toffoli um independente. Foi contra hoje, para ser a favor amanhã. Puro
jogo de cena. Para os mensaleiros, a presença dele é voto garantido pela
absolvição.
Só para constar, Ricardo Lewandowski é filho de uma vizinha de Lula e
Marisa Letícia, em São Bernardo do Campo. Foi a ex-primeira dama que o
indicou ao marido para a vaga no Supremo Tribunal Federal. A indicação
foi aprovada pelo então ministro a Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
Ponto para os mensaleiros. Conseguida a permanência de Toffoli, agora
vem a próxima fase, que é tirar o ministro Cezar Peluso do julgamento.
Para isso, os advogados e os ministros de defesa irão provocar todo o
atraso possível. Os mensaleiros irão jogar pesado na campanha “aposenta
Cezar Peluso”.
Peluso é voto certo pela condenação. Sua aposentadoria compulsória
acontece em 3 de setembro, quando completa 70 anos. O ministro é o
sétimo a votar. Se atrasar, ele está fora.
A brecha para contornar o problema está no próprio Regimento do STF,
que permitiria a Peluso pular para a terceira posição, logo após o voto
do relator e do revisor. A medida, no entanto, enfrenta dois obstáculos.
O primeiro é a indefinição sobre a estrutura do julgamento – se cada
ministro votará tudo de uma vez ou se fará participações intercaladas,
votando em blocos, o que prejudicaria a participação de Peluso.
Outro problema é que, ainda que consiga votar, Peluso não deve
participar da ponderação/definição da pena para os réus eventualmente
condenados, o que só ocorre na etapa final do julgamento. Se algum
incidente estender o julgamento para depois de novembro, a Corte também
ficará desfalcada do ministro Carlos Ayres Britto, que completa 70 anos.
Fonte: Blog do Callado -





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