Recebi via e-mail de um amigo leitor do blog e retransmito na integra. leia e repasse. é importante que um numero maior de pessoas possam ter acesso.
NAS FESTAS DA 'CORTE DE BRASÍLIA' A PROMISCUIDADE CEVA A CRENÇA NA IMPUNIDADE
Em post em que comentou um evento envolvendo o Ministro do STF,
Dias Toffoli e um jornalista do jornal O Globo, o Reinaldo Azevedo aponta acertadamente para o que
denomina República dos Fidalgos e identifica a deletéria promiscuidade moral e
ética entre os poderosos e seus áulicos, uma procissão de cortesãos que inclui
variada gama de atividades: Ministros do Supremo, advogados que
patrocinam causas lá ajuizadas, jornalistas, banqueiros, parlamentares e
mais uma pá de gente que se encontra nas famosas "festas dos
grã-finos" de Brasília. As festas servem para divertir e, sobretudo,
resolver questões ligadas a interesses muito particulares que na maioria das
vezes colidem frontalmente com os interesses da Nação.
A excelente memória do jornalista Reinaldo Azevedo permitiu que
retirasse do fundo do baú uma reportagem da revista Veja de setembro do ano
passado, intitulada "A Festa dos Bodes", que reporta uma dessas, como
diria, verdadeiras "festas de arromba", que tipifica a vida "social"
da República dos Fidalgos, e que teve de tudo, inclusive lança-perfume... Para
quem quiser conferir basta ir ao acervo de Veja, no site da revista e
procurar pela edição de 28 de setembro de 2011.
Aproveito a postagem de Reinaldo para transcrever na íntegra A
Festa dos Bodes. Ao ler esta reportagem os prezados leitores poderão então
entender por que crimes como o do mensalão, em julgamento pelo Supremo Tribunal
Federal (STF), podem simplesmente resultar e nada ou, no máximo, cevar a crença
na impunidade que livra das malhas da lei do ladrão vulgar ao primeiro
mandatário da República. Leiam:
Dá-se como regra que em Brasília os assuntos mais candentes não são
resolvidos nos gabinetes e nos plenários, mas em restaurantes, quartos de hotel
e festas particulares. Na semana passada, o Superior Tribunal de Justiça (STJ),
a segunda mais alta corte do país, transformou em pó a mais extensa
investigação já feita sobre a família do presidente do Senado, José Sarney.
Realizada entre 2007 e 2010, a operação mapeou os negócios do clã maranhense
nas abas do poder público, f1agrou remessas milionárias para o exterior, além
de dinheiro do contribuinte indo parar em contas de empresas controladas,
segundo a polícia, por “laranjas” do primogênito do senador, o empresário Fernando
Sarney. Transações quase sempre sustentadas por verbas de órgãos historicamente
comandados por apadrinhados do superpoderoso parlamentar, como as estatais do
setor elétrico. De tão complexo, o caso se desdobrou em cinco inquéritos. Três
deles estavam prestes a se transformar em processos judiciais. Antes que isso
acontecesse, porém, veio a decisão do STJ.
Uma das turmas do tribunal
considerou que juízes de primeira instância não poderiam ter autorizado a
quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico de Fernando Sarney e de outros
investigados apenas com base em informações do Coaf, o órgão governamental
encarregado de monitorar operações financeiras suspeitas. Foi uma transação de
2 milhões de reais, realizada no fim do ano eleitoral de 2006 e mapeada pelo
Coaf, que serviu como ponto de partida para a investigação. Incumbidos da
operação, Polícia Federal e Ministério Público discordam, obviamente, da
decisão. Advogados criminalistas, claro, festejam. Independentemente de qual
lado está com a razão, o fato é que o veredicto do STJ dá força à sensação de
que os poderosos e aqueles que orbitam em seu redor nunca experimentam a força
da lei no Brasil. É mais um elemento a confirmar a fama de paraíso da
impunidade. Fama danosa ao país, mas que garante uma vida tranquila a figuras
de proa da República às voltas com denúncias graves. Gente como os notórios
Paulo Maluf, Luiz Estevão, Jader Barbalho e Renan Calheiros, beneficiados por
um caldo cultural que tem como ingredientes a promiscuidade entre agentes públicos
e empresários, a falta de apetite das instituições para punir certas castas e a
letargia da população diante de malfeitos.
Para entender as razões que
protegem políticos e corruptores do acerto de contas com a Justiça, é preciso
retroceder ao descobrimento. Diz o professor e doutor em história Ronald
Raminelli, da Universidade Federal Fluminense: “A impunidade é uma prática que
veio para cá com os portugueses. Na Europa daquele período, os nobres e
poderosos tinham privilégios e não eram submetidos às mesmas leis dos homens
comuns. A diferença é que os europeus foram se livrando dessa tradição ao longo
do tempo, mas aqui ela perdura até hoje”. Na gênese dessa prática está a
necessidade de autopreservação da elite política – comportamento que se cristaliza,
por exemplo, nas absolvições de parlamentares criminosos e na dificuldade do
Congresso em aprovar leis saneadoras na seara ética. “Para os poderosos, até
hoje fica a interpretação da lei da melhor maneira possível. Há uma rede de
proteção em que as leis são sempre interpretadas de acordo com os interesses
dos grupos dominantes”. prossegue Raminelli.
A Justiça é uma engrenagem
indissociável desse processo. O problema começa na forma como são preenchidas
as vagas nos tribunais superiores. Os ministros são escolhidos pelo presidente
da República. Antes de assumirem, têm de ser sabatinados e aprovados pelo
Senado. “O processo de escolha é uma verdadeira simbiose entre Legislativo.
Executivo e Judiciário e foi levado a um ponto intragável, em que há sempre a
perspectiva, por parte dos magistrados. de agradar aos políticos de plantão,
que podem ajudá-los a galgar postos mais altos na Justiça”, afirma o procurador
Alexandre Camanho, presidente da Associação Nacional dos Procuradores da
República. “Virou uma grande bancada de compadres, onde todos se protegem, se
frequentam, e quem quiser ter vaga no STJ ou no STF tem de usufruir de
proximidade e prestígio com os políticos.” Com mais de cinquenta anos de vida
pública, ex-presidente da República e pela quarta vez no comando do Senado, ao
qual cabe realizar as sabatinas, Sarney construiu uma rede de relações e de
influência sem precedentes – com ramificações em todos os poderes,
principalmente no Judiciário.
Relator do caso que resultou no
arquivamento do processo que investigou a família Samey, o ministro Sebastião
Reis Júnior foi empossado em junho passado no STJ. Um de seus amigos diletos é
o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro. Kakay, como o advogado é
conhecido em Brasília, também é amigo de Sarney e defensor do clã maranhense há
tempos. Essa relação de proximidade entre os três teve alguma coisa a ver com a
decisão da semana passada? Certamente não. Mas relações assim fomentam
determinadas lendas. “O Sebastião é meu amigo há muito tempo, mas não atuei
nesse caso, não conheço os detalhes do processo nem sabia que ele era o
relator”. diz Kakay. Em fevereiro, o advogado organizou uma feijoada na mansão
em que mora, em Brasília, que reuniu ministros. senadores e advogados famosos.
Sebastião Reis era um dos convidados. Na ocasião, apesar de ainda ser aspirante
à vaga no STJ. já. era paparicado como “ministro” por alguns convivas. O
ministro do Supremo Tribunal Federal José Dias Toffoli também participou da
feijoada. que varou a madrugada. Ah. as festas e os quartos de hotel em
Brasília.
Festança
No dia 17 passado, um sábado, Toffoli, Kakay e representantes de famosas bancas de advogados de Brasília voltaram a se encontrar em uma festa, em Araxá, Minas Gerais, no casamento de um dos filhos do ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence. O aeroporto da cidade não via um movimento assim tão imenso fazia muito tempo. Os convidados mais famosos chegaram a bordo de aviões particulares, inclusive o ministro Dias Toffoli. Em nota, ele explicou que o avião lhe fora cedido pela Universidade Gama Filho, do Rio de Janeiro, onde dá aulas. Naquele dia, por coincidência, o ministro, que estava junto de sua companheira, informou que tinha um compromisso de trabalho no campus que a instituição mantém em Araxá.
No dia 17 passado, um sábado, Toffoli, Kakay e representantes de famosas bancas de advogados de Brasília voltaram a se encontrar em uma festa, em Araxá, Minas Gerais, no casamento de um dos filhos do ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence. O aeroporto da cidade não via um movimento assim tão imenso fazia muito tempo. Os convidados mais famosos chegaram a bordo de aviões particulares, inclusive o ministro Dias Toffoli. Em nota, ele explicou que o avião lhe fora cedido pela Universidade Gama Filho, do Rio de Janeiro, onde dá aulas. Naquele dia, por coincidência, o ministro, que estava junto de sua companheira, informou que tinha um compromisso de trabalho no campus que a instituição mantém em Araxá.
Sepúlveda Pertence é o presidente
da Comissão de Ética Pública da Presidência – uma espécie de vigilante e fiscal
do comportamento das autoridades do Executivo. Além de Kakay e Toffoli, ele
recebeu como convidados o ex-senador Luiz Estevão (condenado a 31 anos de
prisão e que deposita suas últimas esperanças em se safar da cadeia nos
recursos que serão julgados no STJ e no Supremo) e o empresário Mauro Dutra
(processado por desvio de dinheiro público) – e advogados que defendem ou já
defenderam ambos. Toffoli é relator de um dos processos de Luiz Estevão no
Supremo. Os quartos do hotel mais luxuoso da cidade foram ocupados,
portanto, por juízes, réus e advogados que atuam em processos comuns. A
feijoada de Brasília terminou na madrugada do dia seguinte, com um inofensivo
karaokê. A festa de Araxá também avançou a madrugada, embalada por música
eletrônica. Havia, porém, uma surpresa guardada para o final.
Lança-perfume
Depois das 3 da manhã, as bandejas dos garçons passaram a circular com frascos de lança-perfume, uma droga ilegal, que pode levar à prisão de quem a distribui. Quem a consome, se flagrado, também tem de se explicar à Justiça. “Teve gente que passou mal no banheiro, mas foi tudo de boa”, conta um dos convidados. Àquela hora, rezemos, os guardiães das leis, incluindo os anfitriões, já haviam se recolhido aos seus aposentos. Não teriam testemunhado, assim, o que, pelas leis vigentes no país, ainda é considerado crime. No dia seguinte, os jatinhos estacionados no aeroporto decolaram em direção a Brasília. Na segunda-feira, quando começa a semana de trabalho, os convivas passam a chamar-se de excelências. Voltam a ser juízes, advogados e réus. Só na aparência. infelizmente.
Depois das 3 da manhã, as bandejas dos garçons passaram a circular com frascos de lança-perfume, uma droga ilegal, que pode levar à prisão de quem a distribui. Quem a consome, se flagrado, também tem de se explicar à Justiça. “Teve gente que passou mal no banheiro, mas foi tudo de boa”, conta um dos convidados. Àquela hora, rezemos, os guardiães das leis, incluindo os anfitriões, já haviam se recolhido aos seus aposentos. Não teriam testemunhado, assim, o que, pelas leis vigentes no país, ainda é considerado crime. No dia seguinte, os jatinhos estacionados no aeroporto decolaram em direção a Brasília. Na segunda-feira, quando começa a semana de trabalho, os convivas passam a chamar-se de excelências. Voltam a ser juízes, advogados e réus. Só na aparência. infelizmente.







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