Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

"Moro pôs a bola em campo"

Elio Gaspari, O Globo

 Sergio Moro lapidou o discurso desconexo de defesa de lei e da ordem que levou Jair Bolsonaro à Presidência da República. Para listar apenas alguns aspectos do pacote do ministro, homicida ficará trancado por, pelo menos, três quintos da duração da sentença; condenados na segunda instância irão para a tranca, e caixa 2 passará a ser crime. A repressão aos crimes de colarinho branco será tão dura quanto aquela que habitualmente atinge pessoas de pele negra. Essas propostas serão festejadas nos balcões das lanchonetes, por onde passam pessoas que têm medo de andar na rua à noite.
Moro quer trazer para o Direito brasileiro a instituição saxônica das “soluções negociadas”. Na essência, elas permitem um acordo entre réu e a promotoria. O cidadão reconhece sua culpa, negocia a redução da pena com o promotor e com isso descongestiona-se o Judiciário. Na teoria, faz sentido. Na prática, toda importação de regras do Direito saxônico equivale a tentar calçar um par de stilettos de Christian Louboutin nos pés de um jogador de futebol. O calo resultante da divulgação por Moro, no meio da campanha eleitoral, de um anexo irrelevante e inconclusivo da colaboração do ex-ministro Antonio Palocci está na memória política do país. Felizmente, Moro fala agora em “soluções negociadas”. Até há pouco falava em plea bargain , talvez para evitar uma das traduções possíveis e evitando a palavra “barganha”.
No Judiciário americano, todas as delações protegidas pela teoria curitibana da “bosta seca” teriam sido mandadas ao lixo. Lá, se um delator diz uma coisa, e outro diz o contrário, mexe-se na bosta seca, empesteia-se a sala e anula-se uma delas, ou as duas.
A solução negociada entre o réu e o Ministério Público pode ser um sonho de consumo. Contudo, no Brasil leis suecas convivem com uma realidade haitiana. No que vai dar, não se pode saber. Afinal de contas, o ex-capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, da PM do Rio, jamais faria um acordo com a promotoria. O “Caveira”, Senhor da milícia de Rio das Pedras, era amigo de Fabrício Queiroz. Sua mãe e sua mulher foram empregadas por ele no gabinete de Flávio Bolsonaro porque, nas palavras do colega, “a família passava por grande dificuldade, pois à época ele estava injustamente preso.” Libertado, “Caveira” foi absolvido. Não se sabe por quê, está foragido. Na outra ponta, qualquer preso que está apanhando numa delegacia faz qualquer acordo.
Num ponto o projeto de Moro parece um jabuti. Quando ele diz que um juiz poderá deixar de impor uma pena ao agente público se “o excesso decorrer de escusável medo, surpresa ou violenta emoção”. Falta definir “medo” e “violenta emoção”. Os policiais cariocas que mataram um cidadão que empunhava uma furadeira e outro que carregava um guarda-chuva tiveram medo, foram surpreendidos ou estavam emocionados?
A proposta de Moro acertou no atacado. Contém apenas lombadas no varejo, mas o Congresso terá tempo para aperfeiçoar o projeto, e pode-se acreditar que senadores e deputados não tentarão proteger o instituto do caixa 2. O surgimento de uma bancada com toques de demagogia haitiana será um contraponto à demagogia sueca. Nesse sentido Moro desviou-se das duas.

O ministro passou a vida no gabinete de juiz, onde sua caneta mudava a realidade. Na nova cadeira, fez tudo direito com a caneta, mas a realidade continuará a assombrá-lo. As milícias do Rio e as quadrilhas do Ceará expuseram-se logo que ele chegou a Brasília, e continuam lá.













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"Pacote de Moro tem o rigor necessário",

editorial de O Globo
 Se é prática política desejável cumprir o prometido em campanha, o governo Jair Bolsonaro deu um passo certo com a apresentação, segunda feira, do conjunto de propostas do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, para o combate à corrupção, à violência e ao crime organizado — portanto, também como forma de reduzir a epidemia de homicídios que acomete o país.
As sugestões, dispostas em 14 projetos de lei e distribuídas por 34 páginas, abrangem mudanças no campo do Direito Penal e avançam em questões operacionais importantes. Caso da ampliação da coleta de DNA de todo condenado por crime doloso, logo na sua entrada no sistema penitenciário; e da adoção definitiva do sistema de videoconferência, para a tomada de depoimentos de presos, sem necessitar seu deslocamento aos fóruns, fonte de grandes despesas aos estados e causa da retirada de muitos policiais das ruas.
Um dos destaques do pacote, já esperado, é o estabelecimento em lei da atual jurisprudência, assentada pelo Supremo, da prisão na confirmação da sentença em segunda instância. Como vigorou desde o Código Penal de 1941 até 2009, quando houve mudança de entendimento do STF, e depois retornando àquela jurisprudência em 2016, prestes novamente a ser discutida na Corte, em abril. A iniciativa de Moro vai ao encontro dos anseios da sociedade pelo fim da cultura de impunidade, em todo tipo de crime. Antecipou o ministro que, caso o STF volte atrás, o governo impetrará recurso.
Ao aceitar o convite de Bolsonaro, o juiz Sergio Moro, um dos vetores-chave da Operação Lava-Jato, deixou no ar o temor de que, devido à sua experiência, o superministério da Justiça e Segurança tivesse uma inclinação maior para o combate ao crime do colarinho branco, quando o país enfrenta uma crise de segurança pública que ameaça o próprio estado democrático de direito.
Na apresentação das propostas, Moro foi convincente ao dizer que a manutenção da prisão em segunda instância, muito marcada como medida anticorrupção na política, também é instrumento necessário no enfrentamento das organizações criminosas. Bem como algumas medidas destinadas a agravar o cumprimento de penas, como uma progressão de regime de prisão mais dura para autores de crimes hediondos, por exemplo. E em especial os cometidos com arma de fogo, iniciativa prudente para o momento em que se começa a liberalizar a posse de armas, e se pretende fazer o mesmo com o porte. De fato, não adianta somente aumentar penas, se elas não forem cumpridas em boa parte — 3/5 em vez de 2/5, como é hoje. O mesmo bem-vindo endurecimento do regime penal, defende Moro, atingirá reincidentes. Além disso, propõe a restrição no uso dos embargos infringentes, um dos recursos mais usados no Brasil e que contribuem para consolidar a imagem de um país em que reina a impunidade.
Cabe ainda aos parlamentares não serem corporativistas e criminalizarem o caixa 2. Devem mais do que nunca entender o recado das eleições, contra a corrupção e de clamor por mais segurança pública.
Seria impossível compor um conjunto tão amplo de propostas sem divergências e polêmicas — saudáveis, para que o Congresso delibere, mas sem desidratar o caráter de endurecimento do pacote, necessário para o momento por que passa o país.
É certo que a tendência de haver um aumento no número de prisões é preocupante, pela superlotação do sistema penitenciário. A ajuda do governo federal, neste aspecto, não pode faltar aos governadores. Que se construam mais presídios. Também neste sentido, falta entre as iniciativas do governo uma política de desencarceramento, a fim de tirar da cadeia autores de crimes leves. Aqui, cabe uma ajuda do Supremo, acelerando a retomada do julgamento da Lei Antidrogas, que descriminaliza o porte de drogas, uma importante causa de prisões desnecessárias.
Outro ponto que não deve passar ao largo de um maior escrutínio é a aplicação do conceito do “excludente de ilicitude” para evitar a punição de policiais que matam. É compreensível que o agente público precisa ser legalmente protegido neste enfrentamento que faz em nome da sociedade. Mas, com o histórico que temos com “licenças para matar”, cujo resultado é o oposto do que se deseja, apenas incentivam-se quadrilhas com distintivo. O tema merece um intenso e específico debate.

Reconheça-se, porém, que se trata do mais incisivo e certeiro pacote de que se tem notícia na área de segurança pública e no enfrentamento da corrupção. A questão agora é aprimorá-lo no Congresso, mas também defendendo-o de lobbies conhecidos.






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"Aprender com a lama em Brumadinho?",

por Roberto DaMatta
FOTO ANDRADE JUNIOR
Envergonha e desperta comiseração o cataclismo de lama de Brumadinho, graças aos trabalhos da nossa maior mineradora. A Vale, cuja grandeza global também engendrou um vale de lágrimas. E criou o momento crítico, trágico e indescritível (mas característico) dos imprevistos que fazem parte do que nós chamamos de “vida”. O maior e o mais poderoso engendrando o pior e o mais tenebroso.

Essas ironias nos acompanham, pois todo inesperado — e acima de tudo os planejados — acentua como é tênue o nosso trajeto, ao mesmo tempo que remarca como aquilo que traz progresso contém simultaneamente sua cota de atraso.
“É o projeto da casa, é o corpo na cama/ É o carro enguiçado, é a lama, é a lama/ É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã/ É um resto de mato, na luz da manhã/ São as águas de março fechando o verão/ É a promessa de vida no teu coração.”
É preciso ir além deste harmonioso rendado de imagens paradoxais, reunidas pelo inconsciente mágico de Tom Jobim; quando — num exercício de livre associação promovido pela continuidade da música — remete a alegrias e angústias?
Por favor, leitor, releia e relembre se puder toda a letra.
É fácil falar de mudança, transformação e revolução. É mais tranquilo ainda reiterar os erros e realizar o nosso exercício favorito: atrapalhar o Brasil através de normas, governos, políticos e partidos. Até votar uma Mesa Diretora de um Senado recém-empossado transforma-se numa vergonha, mas — eis o tom do momento liminar e paradoxal — confirma as renovações dos fins de sistemas e etapas.
Estou seguro de que estamos dispostos a mudar. E, mais que isso: estamos convencidos de que somos obrigados a mudar. As urnas mostraram um sistema cultural que chegou ao seu limite, mas não terminou.
O cataclismo da Vale traz à tona os lugares-comuns de sempre: punir, denunciar e intrigar, mas, singularmente, revela o mais difícil de aprender: o laço amistoso dos jogos de favores entre pessoas no sentido de favorecer seus interesses e dissolver coerências ideológicas. O que se observa claramente é o fetichismo das normas (e ideologias) por contraste com uma esperada e necessária eficácia de preocupações preventivas. As barragens não conseguem barrar o jogo político e econômico baseado no favor e naquilo que caracteriza o nosso secular elitismo: a simpatia pessoal que privilegia os que chegam ao clube do poder à brasileira.
O famoso “esse eu conheço!” começa a perder força, iniciando timidamente uma aguda consciência dos limites entre os cargos e os papéis sociais em suas imposições. E, com os limites consequentes, o dever de dizer não aos amigos e, acima de tudo, a si mesmo. Esse ponto de inflexão da boa-fé, sem o qual não há mortalidade, é — permitam-me — o traço central da democracia. Esse regime que obriga a distinguir os interesses pessoais dos impessoais, coletivos ou públicos. Coisa fácil de falar mas, até onde sei — leiam o meu “A casa & a rua” — muito difícil de fazer no Brasil.
A fusão de pessoas e papéis engendra um estilo onipotente de poder. Ele começa na igualdade legal, mas, depois das polarizações, promessas e posses, retorna às suas zonas de conforto e restabelece a velha aristocracia dos cargos devidamente apropriados por seus atores.
A expectativa é que o novo governo tenha uma aguda percepção dos limites, dos deveres e das obrigações coletivas de todos os cargos públicos. O sistema político brasileiro tem que mudar no sentido de conter-se e diminuir o seu poder, e aí temos um enorme desafio para uma elite que sempre governou pensando o justo oposto. Pois jamais deixou de ampliar e concentrar o seu poder.
PS: Como prova desses tempos de mudança e de aprendizado com a lama, nos quais o velho e o novo surgem misturados, revelando a relatividade dos polos, finalmente a esquerda vai apoiar no Senado da República um coronel puro-sangue.

O Globo

































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PT quer soterrar CPI de Brumadinho

 | #FelipeMouraBrasil JOVEM PAN NEWS
PT quer soterrar CPI de Brumadinho

Sergio Moro e Nilson Papinho... SENSACIONAL!!!

Marcelo Brigadeiro
Sergio Moro nos presenteou com um pacote anti crime que resgata a dignidade do brasileiro enquanto o queriDo Nelson Papinho nos deu uma grande aula de simplicidade e humildade.



LULA É CONDENADO A 12 ANOS NO CASO DO SÍTIO DE ATIBAIA

O ANTAGONISTA
A juíza Gabriela Hardt acaba de condenar Lula a 12 anos e 11 meses de prisão no caso do sítio de Atibaia, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
O petista foi sentenciado por, segundo a juíza, receber R$ 1 milhão em propinas referentes às reformas do imóvel, que está em nome de Fernando Bittar.
Segundo a sentença, as obras foram custeadas pelas empreiteiras OAS, Odebrecht e Schahin.
Como a condenação ocorreu em primeira instância, Lula ainda pode recorrer da sentença. No processo, o ex-presidente insistiu na tese de que é alvo de uma perseguição política e negou ser dono do sítio. Sua defesa também afirmou que não há provas de que as reformas na propriedade tenham ligação com o esquema de corrupção das empreiteiras com as Petrobras. A propriedade pertence ao empresário Fernando Bittar, cuja família é amiga da de Lula há décadas, e era frequentada pelo ex-presidente e seus parentes...

Deputado PETISTA ataca Bolsonaro e Congresso "PEGA FOGO"

VERDADE POLITICA

Deputado PETISTA ataca Bolsonaro e Congresso "PEGA FOGO" CLIQUE NO LINK ABAIXO E ASSISTA O VÍDEO, VALE A PENA...



Moro contra o crime

JOSÉ NÊUMANNE PINTO
As medidas anunciadas pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, para combater o crime organizado e a corrupção serão a primeira batalha de numa guerra que será acirrada porque os tentáculos das quadrilhas contaminam os poderes e os partidos da República. A batalha para sua aprovação será renhida no Congresso, mas a grande resistência virá mesmo do STF. Reunindo promessas de campanha de Bolsonaro com as medidas já propostas e desfeitas antes no Congresso, o projeto servirá de ponto de partida, "primeiro passo", como comentou o ministro do STJ Herman Benjamin em artigo no Estadão. Referi-me também à delação premiada de Léo Pinheiro, da OAS, dizendo que deu propina e doação em caixa 2 para o ex-prefeito de Marília Ticiano Toffoli, irmão do presidente do STF, Dias Toffoli, que na abertura do ano parlamentar, propôs um pacto a Executivo e Legislativo. Que pacto, doutor?


Janaína Paschoal: pacote anticrime de Moro é 'divisor de águas'

JOVEM PAN NEWS
Janaína Paschoal: pacote anticrime de Moro é 'divisor de águas'


"Projeto de Lei Anticrime: um primeiro passo",

 por Herman Benjamin
O Brasil atualmente enfrenta várias crises simultâneas. 
Nenhuma delas afeta mais o pobre e compromete o futuro do País do que a da insegurança e a da corrupção. 
É o operário que tem sua marmita tomada à mão armada. 
É o aluno de escola pública de periferia assassinado a troco de um tênis. 
É a mãe diarista que sai de casa sem saber se voltará para sua família. 
É a corrupção que saqueia os cofres públicos e nega a todos os imprescindíveis investimentos em saúde, em educação, em transporte e também na própria segurança pública.
Como havia prometido, o ministro Sérgio Moro apresentou proposta de reforma pontual do nosso modelo penal e processual penal: o “Projeto de Lei Anticrime”. 
O texto, por óbvio, não se propõe, nem deve ser assim lido, como chave mágica para resolver em definitivo o drama da segurança pública e do combate à corrupção. 
Seus objetivos parecem mais modestos, ou seja, fechar algumas das janelas legais que garantem a impunidade de criminosos, tanto os que matam e roubam, como os que dilapidam o patrimônio nacional.
O conteúdo do projeto é, no geral, inovador e necessário. 
Mas também corajoso, por não se limitar a apresentar diagnósticos. 
Faz, ao contrário, claras opções legislativas e de política criminal. 
Certamente, como todo projeto de lei, será aperfeiçoado na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
Algumas das mais importantes alterações visam impedir que, pela procrastinação do processo, a sanção penal deixe de ser aplicada, vire uma quimera, inclusive pela prescrição. 
O criminoso, sobretudo o do colarinho-branco, conta com a desconexão entre o “tempo da vida” e o “tempo do processo penal”. 
É comum que a justiça para as vítimas e para a sociedade nunca chegue, não por falta de provas dos graves crimes cometidos, mas por emperramento das instituições judiciais, incapazes de resistir a manobras processuais de todo o tipo. 
Uma verdadeira perversão das finalidades do processo penal, que se transmuda em instrumento de negativa de justiça.
Não é à toa, pois, que o texto traz alterações no regime da prescrição. Aqui, a maior novidade é o dispositivo que impede o curso do prazo prescricional na pendência de embargos de declaração ou de recursos aos Tribunais Superiores, estes quando inadmissíveis. 
A prática judicial comprova o uso e abuso de embargos de declaração e recursos aos Tribunais Superiores absolutamente incabíveis e protelatórios, objetivando apenas viabilizar, adiante, a prescrição. 
Ora, sabe-se que não há justiça quando a sanção, caso escape da prescrição, vem efetivada anos depois do crime, tendo o criminoso permanecido por décadas inserido na sociedade e no meio das suas próprias vítimas, o que gera inevitável e perniciosa sensação de impunidade.
Outra importante inovação do projeto é a possibilidade do acordo de não persecução penal, medida de crescente uso em todo o mundo, em países democráticos que influenciaram, e influenciam, a formação do Direito brasileiro. 
A proposta, contudo, vai além da “plea bargain”, preocupando-se em corrigir distorções, contribuindo para a efetividade e a concretização da justiça criminal.
Em vários pontos, o projeto apenas incorpora o que a jurisprudência dos Tribunais Superiores já vem admitindo. 
É o caso, por exemplo, da execução da pena privativa de liberdade depois da condenação em segunda instância. Não que a previsão legal expressa seja desimportante. 
Ao contrário, mostra-se fundamental para ampliar a segurança jurídica.
Destacam-se alterações no rito do Tribunal do Júri. São incontáveis os casos de homicídios dolosos nos quais a condenação ocorre décadas depois do crime, abrindo espaço para a prescrição e para o sentimento social de impunidade. 
Significativa parcela dessa anomalia tem como causa os recursos contra a sentença de pronúncia, que antecede o julgamento em plenário. 
O texto apresentado prevê que as impugnações à pronúncia não mais suspendam o julgamento. 
Com isso, o processo poderá ser levado a plenário mesmo que o recurso permaneça tramitando por anos.
Há também no projeto medidas que cuidam do endurecimento das penas. 
Aqui, a maior novidade é o estabelecimento do regime inicial de cumprimento fechado para o réu reincidente. 
Pela lei atual, o reincidente tem direito a iniciar a execução penal em regime semiaberto, desde que a condenação seja inferior a quatro anos.
Ainda na fixação do regime de cumprimento da pena, a proposição torna obrigatória, como regra geral, a imposição do regime inicial fechado aos condenados por peculato, corrupção ativa e passiva e por roubo qualificado. 
Os “crimes do colarinho-branco” sempre foram tratados com certa benevolência – por distorção cultural, mas também legal e jurisprudencial –, vistos com carga de lesividade menor do que os crimes de sangue ou de violência e, por isso mesmo, suavemente punidos. 
A proposição, corretamente, agrava a situação do infrator nesses tipos penais e dá resposta mais adequada a tal comportamento extremamente nefasto.
O projeto avança no aprimoramento e modernização do ordenamento jurídico penal e processual penal brasileiro. 
Chega em boa hora. 
A Nação passa por momento de depuração ética e exige o enfrentamento da criminalidade, tanto a violenta, como a organizada de qualquer natureza, inclusive a mais organizada de todas – a corrupção. 
Tal sentimento popular legítimo, que nada apresenta de anticivilizatório, deve-se refletir nas leis que regem a sociedade. 
Claro, sempre de maneira a evitar radicalismos e retrocessos, com os olhos bem atentos às garantias fundamentais, conquista inalienável de gerações da qual não se deve, nem se precisa, abrir mão no combate ao crime violento e à corrupção.
*MINISTRO DO STJ E DIRETOR DA ESCOLA NACIONAL DE FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DE MAGISTRADOS

O Estado de São Paulo




























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Um paradoxo: Governo isenta empresas do INSS em R$ 54 bilhões este ano

Pedro do Coutto
É uma grande contradição. Enquanto de um lado o governo Jair Bolsonaro mantém renúncia de empresas para com o INSS, de outro a equipe do ministro Paulo Guedes estuda como conter os gastos da Previdência Social, centrando sua preocupação maior com o pagamento de aposentadorias e pensões exatamente envolvendo INSS.
A contradição foi claramente identificada pela repórter Idiana Tomazelli, edição de ontem de O Estado de São Paulo. Se compararmos essas isenções com o déficit orçamentário da Previdência Social vamos verificar que a fração de 54 bilhões representa a quarta parte do prejuízo previsto para o Instituto desse ano.
FESTIVAL DE BONDADES – Há isenções de vários tipos. As mais altas referem-se a questões envolvendo a pecuária e o agro negócio, rivalizando com as exportações de automóveis e a desoneração para com as entidades filantrópicas consignadas como tal na Lei Orçamentária do presente exercício.
O governo Temer desonerou em 46 bilhões as obrigações previdenciárias relativas ao exercício de 2018. Agora, em 2019 o governo Bolsonaro amplia isenções na escala de 54 bilhões de reais. As entidades filantrópicas estão recebendo uma desoneração de 11 bilhões de reais. Muitas delas têm convênio na área de diversos Ministérios.
Além disso, 54 bilhões representam um montante muitíssimo superior do que a redução das aposentadorias e pensões poderá proporcionar, no caso de o Congresso aprovar a reforma da Previdência.
PODE RECUAR – Idiana Tomazelli acrescenta que, por seu turno, o governo está alarmado com o montante das desonerações eadmite existir espaço para revisão das isenções no correr do atual exercício. Mas talvez seja tarde demais para que essa revisão produza efeito financeiro até o final de dezembro.
VISÃO ERRADA – Em uma entrevista à coluna Mercado Aberto, na Folha de São Paulo de ontem, o presidente do Bradesco, Otávio Lazare, está prevendo maciço ingresso de capitais estrangeiros na economia brasileira, em consequência da reforma previdenciária.

Na minha opinião, a reforma da Previdência Social nada tem a ver com os investimentos econômicos privados. A reforma previdenciária não pode ter efeito também para reduzir a dívida bruta, que se eleva agora à escala de quase 5 trilhões de reais.





























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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

UM POUCO DE DIVERSÃO... RENANZINHO NÃO...

ANDRÉ GUEDES
         FOTO ANDRADE JUNIOR
A professora Marta quer emplacar Renanzinho para auxiliar Jairzinho em suas tarefas de representante!

Paulo Guedes e Rodrigo Maia falam sobre a Reforma da Previdência

FOLHA DO BRASIL
Paulo Guedes e Rodrigo Maia falam sobre a Reforma da Previdência

Cruz, foice, martelo e outras misturas perigosas na China,

por Vilma Gryzinski
De forma geral, tudo o que achamos que acontece ou aconteceu na China não só não é verdade, como é seu exato oposto.
A religião cristã, por exemplo. Ao contrário do que aconteceu nos países onde missionários católicos, geralmente jesuítas, propagaram a versão cordata da palavra de Jesus, na China houve uma monumental revolta de inspiração cristã.
A rebelião de Taiping aconteceu na segunda metade do século 19 e durou quinze anos, deixando um número catastroficamente chinês de vítimas: entre 20 e 30 milhões.
Na prática, foi uma guerra civil. Seu líder, Hong Xiuquan, teve sonhos proféticos depois de falhar quatro vezes no exame imperial, o megaconcurso público de história milenar. Acordou achando que era irmão de Jesus.
O budismo tibetano, tão fascinante para muitos ocidentais em busca de iluminação e paz interior, gerou uma escola agressivamente política, a dos Chapéus Amarelos. Tinha enorme influência sobre os imperadores da dinastia Qing, a dos conquistadores da Manchúria.
O poder e a extraordinária quantidade de rituais mágicos dos Chapéus Amarelos contribuíram para deteriorar a influência dos últimos imperadores.
A República Chinesa que encerrou a monarquia acabou derrubada pela Revolução Comunista, em 1949, propiciando perseguições religiosas de especial virulência até pelos padrões do comunismo real.
Um ano depois, o Tibete, relativamente isolado durante a guerra civil, foi invadido, tornando-se o mais tragicamente exemplar caso de repressão. Como era uma teocracia dirigida diretamente pelos lamas e com uma população extremamente religiosa, sofreu a mais violenta intervenção.
As cinco religiões reconhecidas – Budismo, Islamismo, Catolicismo, Protestantismo e Taoísmo – passaram a ser subordinadas,  cada uma, à respectiva Associação Patriótica. Os poucos católicos tiveram que escolher entre se submeter ou continuar, em segredo extremo, a seguir a liderança do papa.
A reafirmação do poder do Estado sobre as instituições religiosas está na origem de iniciativas recentes como obrigatoriedade de hasteamento da bandeira chinesa, aquela vermelha com cinco estrelas no alto.
A maior representa o sacrossanto Partido Comunista, e as quatro menores simbolizando as classes sociais. A foice e o martelo do desenho original não entraram, mas continuam a figurar em toda a iconografia do partido.
A abertura econômica e a pacificação política iniciadas há quarenta anos, trouxeram, evidentemente, um renascimento religioso. O entusiasmo evangélico, originário dos Estados Unidos irradiou para a China, enxugando a religião católica.
Dos cem milhões de cristãos existentes hoje na China, a grande maioria é protestante. Os católicos, oficiais ou no “armário”, cuja tradição remonta ao legendário jesuíta Matteo Ricci, hoje estão perto de ser rifados por outro integrante da Companhia de Jesus, o papa Francisco, em nome da unificação.

“Lei da Bandeira”

O cristianismo ainda tem uma aura de atração, em especial pela conexão com o sucesso econômico em vizinhos como a Coreia do Sul. Mas tanto católicos quanto protestantes são proibidos de praticar a religião em ambientes fora das instituições oficiais.
Os muçulmanos são na maioria da etnia uighur, um povo da Ásia Central. Atingidos, inevitavelmente, pela ascensão do fervor fundamentalista, os uighurs são considerados uma grave ameaça à unidade nacional e tratados com medidas cada vez mais restritivas.
Não podem usar barba, cobrir o rosto ou seguir o Ramadã, uma vez que manter o ritmo normal de trabalho e comércio é compulsório. As mesquitas e escolas islâmicas são vigiadíssimas.
No Tibete, foram proibidas atividades religiosas para crianças agora durante as férias de verão no hemisfério norte. Os pais têm que assinar um documento se comprometendo a não expor os filhos à religião.
A explicação dada para o aperto como a “lei da bandeira” pelo jornal em inglês do Diário do Povo, a voz oficial do Partido, mostra uma das maiores fragilidade do novo império chinês, a insubmissão de regiões etnicamente diferentes da maioria dos chineses, do tronco han.
“A bandeira nacional é um símbolo do país que precisa ser respeitado por todos os seus cidadãos”, escreveu o Global Times – repetindo quase que ipsis litteris o que diz o presidente Donald Trump.
“Para um país multiétnico e multirreligioso como a China, reforçar a consciência nacional e cívica do povo é de particular importância.”
“As religiões são excludentes. A chave para que vivam em harmonia é sustentar sua identidade nacional. Se o sentido conjunto de identidade nacional desmoronasse, o país se dividiria ou até correria o risco de guerra.”
A Rebelião de Taiping foi muita estudada por líderes comunistas. Hong Xiuquan (a pronúncia aproximada é xiuchuan) fez uma reforma agrária e promovia uma espécie de coletivismo. Seu exército de voluntários chegou a dominar um terço do território chinês.
Tinha também um caráter nacionalista, por se rebelar contra o domínio manchu. Seu objetivo era instaurar o Taiping Tianguo, ou Reino Celestial da Grande Harmonia.

Truques mágicos

Ao contrário de povos que têm como mitos fundadores a criação de origem divina dos primeiros homens e uma hierarquia de divindades, o mito original da China não tem deuses, mas um “imperador perfeito”, que mantém o equilíbrio cosmológico entre os princípios complementares e, assim, beneficia o povo.
A mistura de taoísmo, confuncionismo e budismo que se tornou preponderante na China nem sequer é uma religião.
Os antepassados são obrigatoriamente cultuados (e alimentados) porque podem atrapalhar a vida dos viventes com tramas perversas e produzir “má sorte” – para não falar aquela palavra da qual os chineses têm pavor.
Os surtos de religiosidade e misticismo, como os propiciados pelo budismo tibetano, são absorvidos e incorporados, como tudo, pela imensidão territorial, temporal e da China. Os Chapéus Amarelos desenvolveram sua influência com os khans, os comandantes mongóis, impressionados com suas artes divinatórias e outros truques mágicos.
O poder de influência dos lamas se repetiu nas últimas com atores de Hollywood e outras celebridades ocidentais, mas o paciente círculo de ferro estabelecido pelo regime está se comprovando muito mais forte.
O Dalai Lama, mais prodigioso do que qualquer gênio do marketing na capacidade de conquistar simpatias, teve câncer de próstata e se recolheu. O regime chinês disse que vai escolher o sucessor (“Primeiro, os comunistas chineses teriam que aceitar a teoria da reencarnação”, foi seu estoico comentário.)
Em março passado, pouco antes da Semana Santa, o bispo Guo Xijin, da igreja católica rebelde, foi preso “preventivamente” por se recusar a celebrar a missa de Páscoa em conjunto com o bispo aprovado pelo Estado.
Francisco, o papa argentino, acha que conseguirá resolver a questão das “duas igrejas” aceitando um acordo em que Roma deixaria de nomear os bispos chineses. Apenas teria uma espécie de direito de veto aos escolhidos pelo regime.
Dá para acreditar?
Como para todas as situações do universo existe um provérbio de Confúcio que se encaixa, hoje vamos terminar com este: “Podemos conquistar a sabedoria através três métodos. Primeiro, através da reflexão, que é o mais nobre. Segundo, através da imitação, o mais fácil. E, terceiro, através da experiência, o mais árduo.”
Veja













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Previdência: idade mínima de 65 anos valerá somente para os novos trabalhadores

Geralda Doca, O Globo
A proposta de reforma da Previdência que o presidente Jair Bolsonaro enviará ao Congresso prevê idade mínima de aposentadoria de 65 anos – para homens e mulheres – somente para os novos trabalhadores. Ou seja, para quem ingressar no mercado de trabalho depois da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC). 
Para quem já está no mercado de trabalho, não haverá uma idade mínima expressa em lei, mas um sistema de contagem de pontos (somando idade e tempo de contribuição) para ter acesso à aposentadoria, tanto no setor privado (INSS) quanto no serviço público. Por essa fórmula, quem começou a trabalhar mais cedo poderá pedir o benefício antes dos demais.
O texto ainda precisa ser avaliado pelo presidente Jair Bolsonaro. Segundo o vice-presidente Hamilton Mourão, Bolsonaro não apoia a ideia da mesma idade para homens e mulheres .
O sistema de pontos já existe para os trabalhadores do setor privado e servidores públicos, mas as regras serão endurecidas. Hoje, para ter acesso à aposentadoria no INSS, com valor integral, é preciso alcançar uma nota de 86/96 pontos. Com a reforma, a partir de janeiro de 2020, haverá o acréscimo de um ponto a cada ano até atingir 105 pontos para homens e mulheres. No modelo atual, o limite é de 90/100 pontos.
A contagem de pontos também funciona no serviço público e garante aposentaria integral para quem ingressou até 2003. Ela também é de 86/96 pontos e subirá da mesma forma que os trabalhadores do setor privado (um ponto a cada ano a partir de janeiro de 2020), até atingir 105 pontos para homens e mulheres.
No caso dos professores, que têm regras diferenciadas, o somatório é de 81/91 pontos. A partir de janeiro de 2020, será acrescentado um ponto a cada ano até atingir 100 pontos para homens e mulheres. A proposta de reforma da Previdência do governo prevê idade mínima de 60 anos para os professores .
Apesar das declarações contrárias de integrantes do núcleo do governo e do Legislativo sobre uma mesma idade mínima de aposentadoria para todos, técnicos da área econômica avaliam que as mulheres que estão ingressando agora no mercado de trabalho têm condições semelhantes às dos homens. Diante disso, avaliam que fixar idade mínima igual só para os novos enfrentará menor resistência.
Atualmente, não existe idade mínima no INSS e os trabalhadores podem se aposentar ao completar 35 anos de contribuição (homem) e 30 anos (mulher ). Mas se forem ainda jovens, têm o valor do benefício reduzido. Quem não consegue atingir esse tempo, pode se aposentar por idade: 65 anos (homem) e 60 anos (mulher). No serviço público, há uma idade mínima de 55 anos (mulher) e 60 anos (homem)











extraídaderota2014blogspot

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