Ryan McMaken
Sempre e em todo lugar, as instituições políticas são controladas por elites. Não importa se o tipo de regime é democrático ou monárquico. Não importa se existe uma constituição escrita ou não. Todas as instituições políticas — e certamente todo estado soberano — são dirigidas por um grupo de elites que controla os meios de coerção. O mito do “governo do povo” é precisamente isso: um mito.
Mas isso deixa uma grande questão em aberto: quem são as elites? Wilfredo Pareto, aquele pioneiro da teoria italiana das elites, sugere de forma convincente que as elites são simplesmente aquelas pessoas mais habilidosas em seus respectivos campos. Ser habilidoso não sugere nenhum tipo de virtude ou beleza, é claro, e não podemos supor que qualquer membro da elite seja mais moral ou refinado do que, digamos, um mecânico de classe média.
No caso das elites políticas, ser “elite” significa simplesmente ser o mais eficaz em organizar e comandar a ação política. Isso pode ser feito tanto para fins virtuosos quanto para fins malignos. As elites políticas se destacam em obter e exercer o poder político. Nada mais. Nas monarquias hereditárias, por exemplo, o monarca é monarca porque seus ancestrais foram mais eficazes em usar a violência — e em roubar e matar — do que seus concorrentes. Seus descendentes conseguem permanecer na elite por meio de maquinações políticas eficazes para manter suas posições. Nas democracias, aqueles que conquistam e mantêm o poder são eficazes em enganar o público votante e em cair nas graças das coalizões governantes de vários grupos de interesse. Eles não são “a elite” porque são especialmente virtuosos ou bem-educados. Eles simplesmente se destacam em cultivar o conhecimento necessário para exercer o poder do estado contra seus inimigos e contra potenciais rivais.
Elites econômicas vs. elites políticas
Há, no entanto, frequentemente confusão quanto à diferença entre elites econômicas e elites políticas. Poderíamos dizer que as elites econômicas são aquelas mais habilidosas na gestão da propriedade. Ainda assim, a natureza das elites econômicas depende em grande parte do tipo de regime que existe dentro da sociedade. Em uma sociedade que tem um sistema majoritariamente de mercado, as elites econômicas são aquelas mais produtivas no livre mercado. São as pessoas habilidosas em empreendedorismo, vendas, logística, investimentos e todos os demais aspectos de um mercado que funciona livremente. Em uma sociedade majoritariamente livre, as elites econômicas são livres para dedicar a maior parte de seu tempo às suas atividades no mercado, e são assim recompensadas por empregar seus esforços em melhorar sua própria produtividade. Além disso, toda a sociedade se beneficia desse tipo de elite econômica. Isso porque as recompensas no mercado decorrem de entregar mais bens e serviços a mais pessoas a um preço que um número crescente de pessoas pode pagar.
As coisas são diferentes em uma sociedade em que a economia é dominada pelo estado — e, portanto, pela elite política. Em tal sociedade, as elites econômicas são aquelas mais habilidosas em usar o poder do estado para alcançar sucesso no mercado regulado pelo estado. Nesse caso, as elites econômicas são aquelas capazes de se associar ao regime para obter políticas que as beneficiem por meio da manipulação e da regulação do mercado. Essas políticas incluem resgates financeiros, monopólios respaldados pelo estado e um sistema financeiro alimentado por dinheiro fácil. Nesse sistema, as elites econômicas conseguem manter e ampliar suas posições e sua riqueza por meio da ação política eficaz, e servindo às elites políticas em vez de aos clientes no mercado.
Quando isso acontece, não podemos supor que as elites econômicas estejam ali porque agregam valor à sociedade. Pelo contrário, as elites econômicas nesse último sistema são parasitárias. Elas dependem da exploração dos outros para manter suas posições e para expandir sua participação de mercado. Um dos exemplos mais dramáticos disso pode ser visto na resposta à crise financeira que começou em 2008.
Se o mercado tivesse tido permissão para funcionar, muitos grandes bancos e outras empresas teriam falido, e sua propriedade teria sido reaproveitada por outros proprietários e gestores mais eficientes. Esses novos proprietários poderiam ter se tornado uma nova elite econômica. Mas, graças à intervenção das elites políticas então no poder, empresas em falência foram salvas por meio da redistribuição de riqueza das classes produtivas para empresas e proprietários já estabelecidos, escolhidos a dedo e politicamente conectados. Assim, empresas como Citicorp e AIG foram resgatadas, novas regulações foram impostas, e empresas como o JP Morgan ampliaram enormemente sua participação de mercado. A compra em massa de títulos lastreados em hipotecas pelo Federal Reserve resgatou uma grande parcela do setor financeiro da insolvência. Como resultado, a maior parte da “elite” econômica que encontramos no setor financeiro deve suas posições à ação política, e não a qualquer habilidade real no mercado. Claro, essas pessoas gostam de dizer a si mesmas que são ricas porque “o mercado” as valoriza muito. Na realidade, elas são bem-sucedidas porque lobistas conseguiram sustentar suas empresas e garantir, por meio da inflação monetária constante, o crescimento de suas carteiras.
Mas esse é apenas um exemplo. Em qualquer sociedade em que as elites políticas sejam gastadoras prolíficas, ou se envolvam em ampla regulação da economia, a economia é continuamente distorcida de forma a favorecer os politicamente bem conectados às custas de todos os demais. Por exemplo, as “elites” econômicas que dependem fortemente de contratos governamentais — por exemplo, Elon Musk, Peter Thiel, o fundador da Flock Safety, e outros — não estão na elite por serem especialmente produtivos em um livre mercado. Estão na elite porque são hábeis em se apoderar da propriedade dos pagadores de impostos por meio do mecanismo de tributar e gastar.
Observe que, nesse sistema intervencionista, as verdadeiras elites econômicas — as pessoas que teriam ascendido ao topo de uma economia livre de fato — são sufocadas e mantidas embaixo pela ação governamental que favorece certas empresas. Quem são essas elites em potencial? Nunca saberemos, e, em vez disso, ficamos com nossa classe de bilionários de araque, que é “elite” apenas em sua habilidade de explorar as pessoas que realizam trabalho de verdade no setor privado.
Conclusão
Temos, assim, uma fusão da elite econômica com a elite política. Ambos os tipos de elite geralmente dependem de algum tipo de engano para sustentar suas pretensões.
A elite política, por exemplo, reivindica suas posições em virtude de algum tipo de mandato divino, ou virtude moral, ou porque supostamente refletiria a “vontade do povo”. Tudo isso são mentiras, é claro, mas ainda assim funcionaram para enganar e pacificar o público por muitos séculos.
Sob um regime de intervencionismo econômico, as elites econômicas também dependem de mentiras. Elas alegam que são elites porque são eficientes ou trabalhadoras, ou “servem ao cliente”. Essas alegações também são mentiras, já que, na ausência de um mercado livre — ou mesmo majoritariamente livre —, as elites estão, na verdade, em suas posições devido a manobras políticas. Elas são, com efeito, meramente uma extensão da elite política. Quanto mais intervencionista é o regime, mais isso é verdade.
As verdadeiras elites sempre foram aquelas que recebem o apoio voluntário e livre dos outros por meio do setor privado, ou por meio de outros meios não violentos de interação: por meio das famílias, das instituições religiosas e de outras instituições do setor privado. Por outro lado, aqueles que se tornam “elites” por meio do início da violência, e por meio do saque dos outros, sempre foram fraudes e impostores.
publicadaemhttps://mises.org.br/artigos/22586/as-verdadeiras-elites-vs-as-elites-governantes/
.jpeg)




0 comments:
Postar um comentário