Mais um brilhante artigo que recebi via-email e que foi publicado no site Midia Sem Mascara
Escrito
por Ivanaldo Santos
Quem faz as leis e decide o que é
legal é o STF e agora o Ministério da Saúde. A voz soberana do povo está sendo
sumariamente ignorada.
Na prática o que o governo
federal, na gestão do PT, por meio do Ministério da Saúde, está fazendo é
legalizar o aborto de forma indireta e até mesmo secreta.
O Brasil foi tomado de surpresa com a notícia, amplamente divulgada pela mídia, que o Ministério da Saúde estuda a adoção de uma política de “redução de riscos” para o aborto ilegal, na quarta-feira passada (06). Essa política envolveria uma espécie de “Kit Aborto” que seria distribuído nos hospitais públicos para as mulheres que querem fazer o aborto ilegal. Entre os componentes do “Kit Aborto” estaria o misoprostol, princípio ativo do remédio estomacal Cytotec, de venda restrita e amplamente usado pelas redes clandestinas que praticam o aborto. De acordo com o Ministério da Saúde esse “Kit Aborto” faz parte da política de planejamento reprodutivo do governo. Para justificar essa política de planejamento reprodutivo o referido ministério afirma que no Brasil são praticados um milhão de abortos por ano. De acordo com as informações que foram publicadas na mídia, o projeto do Ministério da Saúde consiste da seguinte estratégia: a mulher grávida vai a uma unidade de saúde pública (hospital, posto de saúde, etc.) mais perto de sua casa e pega o “Kit Aborto” e vai para casa fazer o aborto ilegal de forma segura. Tudo isso financiado com o dinheiro público.
Diante
dessa proposta é preciso se fazer cinco observações.
Primeira,
a proposta do Ministério da Saúde fere gravemente a legislação brasileira. No
Brasil é crime fazer apologia ao crime e financiá-lo. O Estado, na legislação
brasileira, não pode financiar o crime. Essa proposta representa,
na prática, o financiamento público de uma atividade criminosa.
Segunda,
o argumento utilizado pelo Ministério da Saúde, ou seja, que o tal “Kit Aborto”
é um componente da política de planejamento reprodutivo é muito fraco. De um
lado, política de planejamento reprodutivo pressupõe a reprodução, isto é, uma
mulher vai ficar grávida, ter um filho, etc. Com isso, é descartada a morte do
feto por meio da realização do aborto. Do outro lado, é preciso ver que esse
argumento é uma frase bonita, uma espécie de poesia, para disfarçar a
verdadeira intenção, que é a legalização indireta do aborto e, ainda por cima,
com financiamento público.
Terceira,
o Ministério da Saúde está tentando criar uma nova lei. Depois do Supremo
Tribunal Federal (STF), agora é a vez do Ministério da Saúde legislar. A
sociedade contemporânea vive os dias da morte da democracia, onde os
parlamentares e o Congresso, ambos eleitos com voto popular, não tem mais
qualquer poder. Quem faz as leis e decide o que é legal é o STF e agora o
Ministério da Saúde. A voz soberana do povo está sendo sumariamente ignorada.
Quarta,
na tentativa de criar o “Kit Aborto” o ministério da Saúde utiliza o velho e
gasto argumento que diz que no Brasil são realizados um milhão de abortos por
ano. Vamos considerar que este argumento é totalmente verdadeiro, apesar de ter
sido desmascarado diversas vezes. Seria bom que finalmente os segredos que
envolvem esse número fossem revelados. Como foi feita essa pesquisa? Qual o
método foi utilizado? Qual a amostragem? Chega de jogar na cara da população
números sem sentido e sem explicação. Outra coisa, se esses números são
verdadeiros, então por que não se cria a CPI do Aborto? Há muito tempo que os
grupos e movimentos pró-vida lutam para criar essa CPI.
Se
existem tantas mulheres morrendo por causa do aborto ilegal, a CPI do Aborto
seria a grande forma dos grupos pró-aborto demonstrarem a importância da
legalização do ato abortivo. Seria o melhor caminho para definitivamente
desmascarar os grupos pró-vida. No entanto, mais uma vez a CPI do Aborto é
silenciada. Parece que essa história de “um milhão de abortos” não passa de
mágica, de maquiagem, de ficção matemática.
Quinta,
onde está a presidente Dilma Rousseff? Vale lembrar que ela assinou em 2010 uma
Carta Aberta onde se dizia contrária ao aborto e que não faria nada para
legalizá-lo. Logo abaixo constam as declarações da então candidata, a
presidência da república, Dilma Rousseff.
N. 2. Sou
[Dilma Rousseff] pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da
legislação atual sobre o assunto.
N. 3.
Eleita [Dilma Rousseff] presidente da República, não tomarei a iniciativa de
propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros
temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País.
Faz muito
tempo que Dilma Rousseff rompeu com esse acordo. Esse rompimento ficou claro
quando ela nomeou para a Secretária de Políticas para as Mulheres, mais
conhecida como Ministério das Mulheres, a militante radical pró-aborto, Sra.
Eleonora Menicucci. O atual projeto do Ministério da Saúde, da
criação do “Kit Aborto” está inserido dentro desse rompimento. A ordem parece
ser legalizar o aborto de qualquer forma, de qualquer jeito, com qualquer
argumento ou qualquer mentira. Dilma Rousseff, que se elegeu com o discurso da
inovação, segue a velha lógica da política brasileira, ou seja, em tempos de
eleição o candidato promete qualquer coisa, assina qualquer documento, mas
depois que é eleito e toma posse no cargo esquece tudo que disse e tudo que
assinou. Qualquer questionamento sobre seu discurso no período eleitoral é
negado pela assessoria de imprensa. Dilma segue a risca a velha hipocrisia da
política brasileira.
Na
prática o que o governo federal, na gestão do PT, por meio do Ministério da
Saúde, está fazendo é legalizar o aborto de forma indireta e até mesmo secreta.
A gestão Dilma Rousseff está dando o velho “jeitinho brasileiro” para legalizar
o aborto. Se o povo brasileiro não quer o aborto, se os congressistas, por
motivos diversos, não querem legalizá-lo, então o PT, o novo príncipe
maquiavélico, vai legalizá-lo de qualquer forma, de qualquer jeito. A nova bola
da vez é o “Kit Aborto”.
Ivanaldo Santos é escritor, filósofo e professor na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.





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