ARTIGO QUE RECEBI POR E-MAIL E QUE COMPARTILHO COM OS AMIGOS.
Por Reinaldo
Azevedo
A
corrupção no poder não é um problema exclusivamente brasileiro; aqui, no entanto,
as coisas estão saindo do, vá lá, razoável. Sim, há certa razoabilidade até no
mundo da bandalheira. Quem tem uma posição de mando está permanentemente
ameaçado pela tentação de contemplar os próprios interesses. Resistir é uma
questão de caráter. É preciso trabalhar com pessoas decentes. Mas, nas
democracias organizadas mundo afora, confia-se menos nos homens do que nas
instituições; são estas que controlam aqueles, não o contrário. No que diz
respeito à coisa pública, é preciso diminuir o espaço do arbítrio, da escolha
pessoal, em benefício de um padrão que interessa à coletividade. No Brasil,
estamos fazendo o contrário: a cada dia, diminui a margem de escolha dos
indivíduos privados, e aumenta o arbítrio do estado. É o modo petista de governar.
É claro que isso não daria em boa coisa. Convenham: nós, os ditos
"conservadores" — "reacionários" para alguns —, estamos
denunciando essa inversão de valores faz tempo.
A
forma como o poder está organizado no Brasil facilita a ação dos larápios. Há
um elemento de raiz nessa história. O regime saído da Constituição de 1988 foi
desenhado para o parlamentarismo até a 24ª hora; na 25ª, pariu-se o
presidencialismo, e veio à luz um regime híbrido, de modo que o chefe do
Executivo fica de mãos atadas sem a maioria no Congresso, e o Congresso não
existe sem a distribuição das prebendas gerenciadas pelo Executivo. Ai do
presidente que perder a maioria no Parlamento! É claro que Fernando Collor, por
exemplo, caiu por bons motivos, mas os motivos para a queda de Lula em 2005
eram maiores e melhores, e, no entanto, foi socorrido pelo Legislativo. O resto
é história.
Isso
que se convencionou chamar de "Presidencialismo de Coalizão" se
mostra, já escrevi aqui, "Presidencialismo de Colisão com a Moralidade
Pública". Aquele que vence a eleição presidencial precisa começar a
construir, no dia seguinte à vitória, a sua base de sustentação no Congresso.
Não o faz com base num programa de governo. Sabemos como isso está
desmoralizado, não? No máximo, há algumas palavras de ordem. Uma das
idéias-força de Dilma Rousseff, por exemplo, era o ataque às privatizações...
Agora, ela faz o diabo para tentar acelerá-las no caso dos aeroportos, por
exemplo.
Ao
buscar o apoio no varejo, o que tem o eleito a oferecer? Como se viu, nem mesmo
um programa de governo. Resta negociar com o bem público: "Ô Valdemar,
rola o apoio dos seus 40 deputados em troca do Ministério dos Transportes, de
porteira fechada?" Claro que rola! Pensem bem: por que um partido quer
tanto uma pasta como essa? Vocação natural dos valentes para servir? Expertise
adquirida ao longo de sua história, de sua militância? Não! Está de olho na
verba da pasta, no seu orçamento. Passam, então, a usar uma estrutura do estado
e o dinheiro público com três propósitos:
a -
fazer política clientelista com os aliados — distribuindo pontes, asfalto,
melhorias aqui e ali segundo critérios partidários;
b -
fortalecimento do partido por meio da "caixinha" cobrada de
empreiteiros e prestadores de serviços;
c -
enriquecimento pessoal.
O
interesse público, a essa altura, foi para o diabo faz tempo. O PR sabe que
jamais exercerá a hegemonia do processo político; sua principal virtude — ou
melhor: a principal virtude do partido para seus próceres — é ter porte médio;
é ser importante na composição da maioria, mas sem ter a responsabilidade de
governar. Isso ele deixa para os dois ou três grandes aos quais pode se
associar, sempre cobrando o ministério de porteira fechada. Torna-se, assim, um
ente destinado a fazer negócios, não a implementar políticas públicas.
Fragmentação
partidária
A
fragmentação partidária, outra herança perversa da Constituinte de 1988, também
está na raiz desse mal estrutural, que predispõe o sistema brasileiro à
corrupção. Os tais movimentos sociais capitaneados pelo PT e pela igreja, os
egressos do exílio, mesmo os liberais que combateram a ditadura militar, toda
essa gente se juntou para defender a ampla liberdade de organização partidária,
estabelecendo critérios muito frouxos e pouco exigentes para a criação de legendas,
que foram se tornando ainda mais relaxados por legislação específica.
"Pra
que tanto partido, meu Deus?", pergunta o meu coração. Para assaltar os
cofres públicos! Ou alguém identifica no, sei lá, PR, PP e PRB diferenças
ideológicas de fundo, que realmente os diferenciem? Ou ainda: o que eles têm de
incompatível com o PMDB, por exemplo, e este com o PSB ou com o PDT? A
experiência mundo afora tem demonstrado que dois partidos bastam para fazer uma
sólida democracia, eventualmente três. Os demais ou servem à vaidade de líderes
regionais — na hipótese benigna e mais rara — ou ao assalto organizado ao
caixa. Esses partidos não DÃO apoio a ninguém, mas o VENDEM. Os que não
conseguem expressão eleitoral para reivindicar cargos públicos fazem negócios
antes mesmo da eleição: negociam seu tempo na televisão.
Dá
para ser otimista quanto a esse particular? Não! Os encarregados de fazer uma
reforma partidária, por exemplo, são os principais beneficiários da
fragmentação partidária. Isso não vai mudar.
Como
o PT degradou o que já era ruim
Não!
Eu não vou igualar o governo FHC ao camelódromo petista só para que me julguem
isento. Até porque deixo a "isenção" para os que não têm
independência para se dizer comprometidos com certas idéias e teses. Eu,
felizmente, tenho. O tucano também governou segundo esse sistema chamado
"presidencialismo de coalizão", sim; denúncias e casos de corrupção
também apareceram em seu governo, mas o fato é que a sua gestão tinha um
propósito que, a juízo deste escriba, tirou o Brasil do fim do mundo e o fez um
ator importante na ordem global: a modernização da economia, que se expressou
por intermédio das privatizações, da abertura ao capital estrangeiro, da
reorganização do sistema bancário, da disciplina nas contas públicas, da
estruturação da assistência social. E tudo debaixo do porrete petista, é bom
lembrar. FHC governou essencialmente com o PSDB e com o PFL, os dois partidos
que venceram a eleição.
Os
leitores mais jovens não têm como saber, mas eu lembro: quando FHC, então
pré-candidato do PSDB à Presidência, anunciou a disposição de fazer uma
composição com o PFL, a imprensa "progressista" ficou arrepiada.
"Como? O intelectual que veio da esquerda se junta aos conservadores? Que
horror!" Seu governo, depois, e isso todos sabem, foi chamado de
"neoliberal" pelos intelectuais e jornalistas pilantras do PT.
Adiante.
O
PT entrou na disputa de 2002 prometendo duas coisas antitéticas — o que
gloriosamente apontei na revista Primeira Leitura, que fechou as portas em
2006: "mudar tudo o que está aí" (era o discurso de sempre do
petismo) e "preservar tudo o que está aí" — essência da tal
"Carta ao Povo Brasileiro", que Antonio Palocci e outros petistas
redigiram na sede de um banco de investimentos. A síntese que fiz à época foi
esta, e eu a considero, modéstia à parte, muito esperta até hoje: "O PT é
a continuidade sem continuísmo, e Serra (então candidato tucano) é o
continuísmo sem continuidade". Minha síntese é boa, mas algo fica
faltando.
Oferecer
o quê?
O
PT NÃO CONTINUOU FHC num particular: faltava-lhe um projeto de governo. Além da
continuidade sem imaginação, levado pelos bons ventos da economia mundial, o
que o partido tinha a oferecer? Certa resistência do ex-presidente tucano à
feira livre dos cargos, aos lobbies organizados de corporações sindicais e
empresariais, à demagogia do "faço-e-aconteço" — e essa era uma das
virtudes republicanas de FHC — foram transformadas por Lula num grande defeito,
numa evidencia do governante frio e tecnocrata. Ele, Lula, era diferente: abria
as portas do Palácio a quem tivesse alguma reivindicação, ouvia todo mundo,
atendia a todos os pleitos. O Apedeuta transformou o governo federal, em suma,
numa espécie de Pátio dos Milagres de quantos quisessem arrancar um dinheirinho
dos cofres públicos em troca do apoio ao governo.
O
PT JÁ TINHA SE DADO CONTA, ÀQUELA ALTURA, QUE A HEGEMONIA DO PROCESSO POLÍTICO,
QUE ESTAVA EM SEU HORIZONTE DESDE A SUA CRIAÇÃO, EM 1980, SE DARIA NÃO COM A
MUDANÇA DA CULTURA POLÍTICA, MAS COM A SUA MANUTENÇÃO.
Por
isso Lula disparou certa feita a máxima de que governar é fácil. Ele se dava
conta de que a simbiose entre Legislativo e Executivo, de que a fragmentação
partidária e de que a gigantesca máquina federal concorriam para a construção e
consolidação daquela pretendida hegemonia. E não, ele não precisava nem ter nem
anunciar projeto nenhum! Bastava manter nas mãos do PT o núcleo duro do poder e
distribuir cargos à mancheia. Teria o Congresso, como teve, na palma das mãos.
Se a aliança estratégica que FHC fizera no passado com o PFL soou a muitos uma
traição, a de Lula com a escória da política foi tida como evidência de uma
pensamento estratégico e sinal de amadurecimento do PT.
O
PT, FINALMENTE, SE TORNAVA O PRINCIPAL BENEFICIÁRIO DO MODELO CONTRA O QUAL,
PARA TODOS OS EFEITOS, SE CONSTRUÍRA.
Um
novo sentido moral para a corrupção.
Vocês
já devem ter lido que Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e
espião oficial de Lula na gestão Dilma, tentou livrar a cara de Luiz Antonio
Pagot. O Babalorixá de Banânia, embora diga o contrário, não aprova o desmanche
da canalha incrustada no Ministério dos Transportes. Ainda que Dilma seja,
obviamente, beneficiária indireta do modo como Lula construiu o governo, tem lá
algumas exigências incompatíveis com aquela máquina de ineficiência e corrupção
em que se transformou a pasta. Para o demiurgo tornado o ogro da democracia
brasileira, isso é absolutamente irrelevante.
Há
muito, desde o antiqüíssimo Caso Lubeca — pesquisem a respeito —, o petismo
tenta demonstrar que a corrupção praticada pelo partido e por seus aliados tem
um sentido moral diferente daquela eventualmente protagonizada por seus
adversários. As lambanças petistas seriam imposições da realidade e buscariam
sempre o bem comum; no máximo, admite-se que o partido faz o que todos fazem;
censurá-lo, pois, seria evidência de preconceito. Esse juízo chegou ao
paroxismo durante o mensalão. Muito bem! O PR não inovou seus métodos nos seis
meses de governo Dilma; apenas continuou a praticar o que fez nos oito anos de
governo Lula. Não por acaso, Valdemar Costa Neto foi um dos protagonistas do
escândalo do mensalão. E com tal evidência que renunciou para não ser cassado.
Carvalho, em nome de Lula, tenta segurar Pagot porque entende que o PR é parte
da construção da hegemonia partidária. Os petistas deram dignidade à escória da
política brasileira.
Como
se desarma isso?
Como
se desarma isso? Não tenho a pretensão de ter uma resposta definitiva. E acho
que não há "a" ação eficaz. A vigilância da imprensa, como provou
VEJA, é certamente um elemento poderoso. Os partidos de oposição têm de ampliar
sua articulação com a sociedade, que se expressa cada vez mais nas chamadas
redes sociais. A cada um de nós cabe denunciar a corja de vigaristas que, sob o
pretexto de "mudar o Brasil", transforma o país no reino da
impunidade.
E,
definitivamente, é preciso denunciar a ação deletéria do sr. Luiz Inácio Lula
da Silva. É preciso cortar a cabeça dessa Górgona barbuda sempre disposta a
justificar as piores práticas políticas e a petrificar o juízo crítico. Ele se
tornou hoje o símbolo do desastre moral que é a administração pública do
Brasil. Não por acaso, enquanto o governo Dilma se quedava ontem entre a
paralisia e a evidência da corrupção desbragada, lá estava ele ontem
confraternizando com os "governistas" da Fiesp, hoje um dos aparelhos
rendidos ao lulo-petismo. Comemorando o quê?
A
condição de Lula de chefe de um dos regimes políticos mais corruptos do mundo. Isso,
como vimos, não será denunciando pelos "comunistas" da UNE, um
cartório do PC do B, sócio do poder. Também não será denunciando pelos supostos
"capitalitas" da Fiesp, um cartório dos que estão de olho, ou já os
têm, nos empréstimos do BNDES a juros subsidiados ou em alguma exceção fiscal.
É
assim que se faz da corrupção um método e quase uma metafísica.
Lembre-se
sempre:
"Embora
ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode
começar agora e fazer um novo fim".
Esta é uma
comunicação oficial do Em Direita Brasil. Reenvie imediatamente esta mensagem
para toda a sua lista, o Brasil agradece.
Hoje somos
apenas 2.372, poderemos ser milhões,
colabore!...
Se
você deseja enviar uma mensagem para o Em Direita Brasil clique no e-mail: emdireitabrasil@gmail.com
Visite o nosso
site: www.emdireitabrasil.com.br
e faça o seu cadastro.





0 comments:
Postar um comentário