Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Estelionato Eleitoral - Dilma 'trambique' cortará R$ 25 bilhões em gasto social

Murilo Rodrigues Alves e Adriana Fernandes - O Estado de São Paulo

Apesar de ter prometido não mexer em programas sociais, Dilma se viu obrigada a reduzir gastos na previsão de orçamento do ano que vem

A presidente Dilma Rousseff cortou R$ 25,5 bilhões dos gastos com programas sociais previstos em 2016, em relação ao orçamento deste ano, segundo levantamento feito pelo ‘Estado’ com números oficiais do Ministério do Planejamento. A tesourada atingiu até mesmo a construção de creches, unidades básicas de saúde e cisternas. A maior redução de aportes foi justamente em “vitrines” da gestão petista, como investimentos sociais do PAC, Minha Casa Minha Vida e Pronatec.
Durante a campanha e no início do segundo mandato, Dilma repetiu à exaustão que “em hipótese alguma” cortaria recursos dos programas sociais criados pela gestão petista. Mas foi obrigada a abrir mão da promessa para tentar recuperar a confiança dos investidores na economia brasileira. Se somados os cortes adicionais em projetos do PAC que ainda não estão definidos, mas que também atingirão a área social, o enxugamento em 2016 pode chegar a R$ 29,34 bilhões.
O corte dos programas expõe a contradição que vive a presidente e seus ministros nesse cenário de crise econômica e política. Por um lado, precisa provar que o governo está “cortando na carne” para garantir o esforço fiscal, como cobram parlamentares, economistas e empresários. No entanto, com a popularidade na mínima histórica e em meio a protestos e greves promovidos pelos movimentos sociais, evita falar sobre o sacrifício em programas sociais, bandeira de sua campanha à reeleição presidencial.
Cortes.O tamanho do corte nos programas sociais corresponde a 74% do superávit primário – economia para o pagamento dos juros da dívida – prometido pela União em 2016: R$ 34,44 bilhões. Para o economista Mansueto Almeida, especialista em finanças públicas, a presidente não teve outra saída, mesmo que tenha preferido adotar um “corte envergonhado”. 
“O governo tem vergonha de mostrar que está cortando em programas considerados ‘vacas sagradas’. Por isso, fica a impressão ao Congresso e ao mercado que o corte tem sido tímido”, afirmou. Por outro lado, avalia Mansueto, mesmo com os cortes nesses programas, o orçamento engessado inviabilizará o cumprimento da meta estipulada para o ano que vem. 
O corte nesses programas alimenta a briga dos gabinetes na Esplanada dos Ministérios na disputa de quem perde menos. A presidente tentou resistir à pressão, mas acabou cedendo, admitem interlocutores. “O ponto central é que os programas sociais se tornaram insustentáveis”, avalia Murillo de Aragão, cientista político da Arko Advice. 
“Os programas não acabaram, vão continuar existindo, mas nos próximos anos rodarão em ritmo mais lento diante da frustração de receitas. Por mais que haja redução no ritmo, não deixaremos de atender à população”, rebate a secretária de Orçamento do Ministério do Planejamento, Esther Dweck. Ela frisou que esses programas não existiam antes da gestão petista.
Exceções. O único dos programas sociais em que não houve corte no orçamento de 2016 na comparação com o deste ano foi o de financiamento estudantil. O aumento de 5,5% de um ano para outro não significa, porém, que o Fies não tenha sido reavaliado. O resultado do endurecimento das regras de acesso ao programa somente terá impacto nos próximos anos.
As tesouras só não atingiram mesmo o Bolsa Família, que manteve o orçamento de R$ 28,8 bilhões em 2016, o equivalente a 2,4% das despesas totais da administração federal. 



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O “pacote” de d. Dilma e seus jovens ministros

Sandra Starling O Tempo
Afinal de contas, não é tão ruim assim ser mais velha e ter estudado ou vivido episódios da história do Brasil. O anúncio do “pacote” do governo me fez voltar no tempo. Aliás, houve ali um momento muito interessante de verdadeiro ato falho: o ministro Joaquim Levy, ao citar exemplos no mundo de quem vem propondo medidas semelhantes, não teve como segurar e revelou: “Aliás, como vem sendo feito por vários governos conservadores, a saber, o do ministro Cameron na Inglaterra, dentre outros”.
Quer maior candura que isso? Os dois ministros, Levy e Barbosa, são absolutamente crus em matéria de informação histórica e jurídica. Mas os jornalistas que os interrogavam – com exceção apenas do último a perguntar – pouco sabiam sobre os assuntos que estavam sendo propostos.
PACOTES MILITARES
O anúncio de um monte de medidas de uma só vez – ninguém no auditório se lembrou disso – produziu em mim a horrível impressão de ter voltado ao tempo dos “pacotes” dos governos militares. “Pacote de Abril”, para lembrar um que ficou célebre, quando Geisel mandou fechar o Congresso e mudou as regras do jogo eleitoral, para resolver o problema do resultado das eleições de 1974, quando o MDB derrotou fragorosamente a Arena em todo o país.
Pois o “pacote da d. Dilma” tem todas as características. Inclusive porque dificilmente passa no Congresso – a menos que ela se arrogue o direito de fechá-lo ou que os governadores e os prefeitos ajudem querendo o aumento da alíquota para tirar sua casquinha. Afinal, estão todos quebrados.
ATÉ MINISTRO CHIA
A chiadeira já começou mal terminou o anúncio das medidas. Um mundaréu de gente contra. A começar, é claro, pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro, que falou grosso em nome dos empresários contra a remessa de recursos do Sistema S para a Previdência Social.
Memória curta tem d. Dilma. E ela, pela idade, deveria se lembrar. Foi no governo Figueiredo que aconteceu a primeira e única vez em que um decreto-lei foi editado e revogado no curto espaço de um mês. E o motivo, absolutamente idêntico ao de agora: seu governo tentou passar recursos do Sistema S para a Previdência e teve de recuar diante da gritaria dos empresários.
Pegou mal também que o corte de gastos tenha vindo incompleto: quais ministérios serão fundidos com outros ou simplesmente desaparecerão?
BOLA PRETA
Antigos e malandríssimos políticos costumavam dizer que você nunca deve nomear quem não pode demitir. Como é que ela vai fazer para despachar os ilustres representantes da montoeira dos mais diferentes partidos que conformam o “cordão da bola preta” que a elegeu e garantiu a reeleição? A começar pelo próprio PT, que antigamente (ah, o PT de antigamente!) rejeitava qualquer cooptação de movimentos sociais com a criação de secretarias disso ou daquilo – como foi o caso em Minas, quando Tancredo Neves criou pela primeira vez, creio, uma Secretaria das Mulheres e entregou esse confeito de bolo para alguma sigla cooptável… Tristes tempos os de agora!




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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Patinando na lama sem achar o caminho

Luiz Tito O Tempo
O tempo passa, as soluções não acontecem, os problemas se agravam e, a cada dia, o país está mais fraco e vulnerável.
Políticas públicas eleitoreiras, o inchamento da folha de salários com cargos produzidos por mero apadrinhamento político, a desnecessária presença da União, dos Estados e municípios em empresas condenadas à ineficiência pela incapacidade e o descompromisso quase generalizado dos gestores públicos; a corrupção amplamente denunciada pela imprensa e sob extensa apuração e julgamento do Judiciário – tudo isso faz parte do acervo de mazelas que formam o nosso patrimônio e reputação, e o conceito de que o Brasil goza na avaliação dos investidores, das instituições de fomento e de mensuração de risco das quais dependemos.
TUDO DE NOVO
Essa miséria não foi construída em dias; ela está entre nós há décadas. Já tivemos inflação de quase três dígitos, dólar beirando R$ 4,00, desemprego em níveis assustadores, corrupção, que deixou milhares de espertos milionários. Também não é de hoje que temos cargos comissionados distribuídos aos baldes, expedientes e mutretas que produzem aposentados aos 50 anos, geralmente funcionários públicos que se retiram com vencimentos e benefícios integrais. Senado e Câmara dos Deputados, assembleias estaduais, tribunais de contas e câmaras municipais, sem exceção, são fortes cabides de empregos com benefícios, muitas vezes, considerados, no mínimo, imorais.
MÁQUINA INERTE
A ineficiência da máquina pública está também presente no Poder Judiciário, onde as decisões não acontecem em processos que se arrastam, milhares, há décadas, consolidando sua espera irreparáveis prejuízos aos que demandam justiça.
Quem reclama da ineficiência do agente público, ou não tem qualquer solução de seu problema ou corre o risco de ser retaliado, ter seu processo ou requerimento ou pedido recolocado no final da fila. Ou negado, por capricho. É assim. Ponto.

Nada de novo e sei que tudo isso é o que se denuncia todos os dias.
OPOSIÇÃO DÉBIL
Falar sem nada fazer é quixotesco e, infelizmente, essa é a moldura da nossa realidade. Uma oposição política descaracterizada, débil, sem projeto, sem propostas e sem alternativas a não ser vociferar pelo impeachment da Dilma.
E o que virá, se Dilma for deposta? Assumirá Michel Temer ou teremos novas eleições? Está apenas na deposição de Dilma e sua troca pelo PMDB ou pelo PSDB a solução do Brasil? O Brasil é só o Poder Executivo e seu/sua chefe?







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Nenhuma Presidência vale tanto

Carlos Chagas

A submissão da presidente Dilma às exigências do PMDB rachado e dividido constitui apenas um capítulo nessa novela de horror, mas só pode ter uma explicação: Madame tem medo do impeachment. Para evitá-lo, fará qualquer coisa. Dispõe-se a humilhações, avanços e recuos. Aceita imposições e imobiliza seu governo, mais do que vinha acontecendo antes de optar pela reforma do ministério. Quer suprimir dez pastas, mas não sabe quais, definindo ora umas, ora outras, ao sabor do fisiologismo de seus aliados. Viajou para os Estados Unidos sem saber quantos ministros vão sair ou vão ficar. Nem quais os escolhidos. Quando retornar, o dia seguinte terá ficado pior do que a véspera, por conta de outras tantas trapalhadas e lambanças.
Nenhuma presidência vale tanto. Melhor faria Dilma se pedisse para sair, preservando o resto de honra que ainda possui. Com o país envolto em agudos índices de desemprego, o dólar alcançando patamares raras vezes registrados, o custo de vida aumentando em níveis sombrios, elevando-se o índice de impopularidades pela criação de mais impostos, sempre sacrificando a população – quais os dividendos que a presidente imagina tirar de performance tão negativa?
Dela, cada iniciativa redunda em fracasso. Seus aliados fogem, quando não a estão traindo. Seus ministros omitem-se. Seu partido evaporou. Pergunta-se porque ainda insiste. Se é para permanecer no palácio do Planalto às custas de tantos dissabores, melhor faria se reconhecesse a impossibilidade de seguir adiante. Não deu certo. Essas coisas acontecem, importa reconhecer a derrota e tirar dela efeitos ainda capazes de poupar sua biografia.
DESAGREGAÇÃO
Do jeito que as coisas vão, o risco é da desagregação nacional. Haverá que recomeçar, sob outra direção. O governo dos trabalhadores demonstra não ser  dos trabalhadores e nem ser governo. Tornou-se um aglomerado de fracassos, faltando-lhe programas, planos e estruturas. Lembra as ruínas de uma cidade assolada por formidável terremoto. Impossível reconstruí-la, preferível erigir outra, em outro terreno, sem o governo atual. Antes que as instituições afundem, reformá-las.
Trabalhadores, empresários, classe média, intelectuais, funcionários públicos, religiosos, jornalistas, militares, estudantes, até políticos, estes com vastas exceções, ainda poderiam dedicar-se à reconstrução, se unidos. Mas sem a equipe responsável pela queda. A começar por ela.






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As desventuras de Dilma Rousseff na Terra do Nunca-Jamais

Carlos Newton
O Brasil é uma nação muito estranha, que pode ser comparada à Terra do Nunca-Jamais, das aventuras de Peter Pan. Aqui, também as coisas acontecem em ritmo de faz-de-conta, vive-se mais na fantasia do que na realidade. Agora, por exemplo, perde-se um tempo enorme discutindo se deve ser proibida a doação de empresas às campanhas eleitorais. A Câmara dos Deputados aprova uma coisa, o Senado aprova outra e antes que cheguem a uma conclusão, vem o Supremo e põe uma pedra em cima do assunto. E a presidente Dilma já vetou a decisão da Câmara, numa confusão jurídica de péssima qualidade.
Quem acompanha o noticiário fica impressionado e até pensa que a coisa é séria. Na realidade da vida, porém, opera-se de maneira bem diferente. Políticos e empresários estão pouco ligando para a lei. Se for permitida a doação, eles continuam enchendo de dinheiro as campanhas, depositando mais recursos nas contas dos favoritos, é claro. Se for proibida a doação, tudo bem, eles repassam o dinheiro para o Caixa 2 e estamos conversados.
DIZENDO O ÓBVIO
Desculpem dizer o óbvio: para o Brasil ser mais limpo, é preciso apertar a fiscalização, em todos os sentidos. Acontece que os tribunais de contas são órgãos auxiliares do Legislativo, funcionam como uma espécie de confraria de políticos aposentados. Os corpos técnicos são de primeira categoria, escolhidos por concursos públicos, mas a convivência com a lama da política acaba por também os emporcalharem. Assim, os governantes fazem o que bem querem, os tribunais de contas os apóiam, celebra-se a impunidade, e la nave va.
O caso do provável parecer pela rejeição das contas de Dilma Rousseff é apenas uma exceção que confirma a regra. Será preciso erguer uma estátua em homenagem ao ministro-relator Augusto Nardes, formado em administração de empresas no Rio Grande do Sul, com pós-graduação e mestrado em Política do Desenvolvimento pelo Instituto Université d’Études de Genebra, na Suíça.
ESTAVA ESCRITO…
Vejam o que é o destino. Com a aposentadoria do ministro Humberto Souto em 2004, coube à Câmara dos Deputados indicar o substituto à vaga no TCU e Nardes obteve a indicação do PP. Houve quatro candidatos e, por votação secreta, Nardes venceu com 203 votos, contra 137 votos dados ao deputado José Pimentel (PT-CE), 75 a Osmar Serraglio (PMDB-PR) e 55 a Carlos Nader (PFL-RJ), com 5 votos em branco..
Ou seja, se Nardes não tivesse se candidatado, hoje o ministro-relator das contas de Dilma seria seu correligionário e amigo José Pimentel, que atualmente é líder do PT no Senado. Portanto, as contas do governo já teriam sido aprovadas, o TCU continuaria a mesma podridão e nem se falaria no assunto do impeachment.
Com dizem os árabes, “maktub”. Quer dizer, estava escrito, tinha mesmo de acontecer.






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ARCA DE NOÉ

MIRANDA SÁ 
A arca desconjuntada/ Parece que vai ruir/ Entre os pulos da bicharada/ Toda querendo sair” (Vinicius de Moraes)
O deputado federal Alessandro Molon eleito pelo PT no Rio de Janeiro, um dos vice-líderes na Câmara deixou o partido para ingressar na Rede de Sustentabilidade de Marina Silva.

Molon militava quase 20 anos no PT, e não era um bicho comum entre os lulo-petistas. Sem me aprofundar na sua biografia, não me parece com os ratos que roem o queijo do Erário, nem como as gazelas carreiristas, nem camaleão oportunista, nem os burros que carregam a carga pesada, ou as hienas que comem o resto do banquete dos tigres, ou os urubus que sobrevoam o desgoverno apodrecido de Dilma.

Embarcou no lulo-petismo pensando em salvação, mas não justifica que tenha agüentado tanto tempo sem enjoar na arca perdida da pelegagem.

Essa arca à deriva não se parece nem um pouco com a Arca de Noé descrita nos capítulos 7, 8 e 9 do Gênesis, que descreve como Noé foi orientado por Deus para construir um grande navio que o salvaria e à sua família, e mais um casal de cada espécie de animais do mundo.

O deus de Abraão nada tinha de brandura. Estava disposto a destruir a humanidade que reconhecia perversa, através de um grande dilúvio, e assim o fez. Cientistas discordam da veracidade da Arca, sem aceitar a capacidade da embarcação referida pela Bíblia, atribuindo-a as lendas das religiões antigas.

No infeliz Brasil sob o reinado da ignorância implantado pelo apedeuta Lula, Dilma, sua representante na presidência da República, subverte a visão realista associando a Arca de Noé ao avanço da ciência através dos tempos.

Não é apenas um chute pseudo cultural. Talvez Dilma sustente a sua tese com as bugigangas chinesas da sua loja de R 1,99, pois um grupo de professores mandarins gozaram na web a insustentável descoberta da Arca no Monte Ararat…

Como uma arca ardilosa, o PT navega por 14 anos nas águas turvas de um projeto criminoso de manutenção do poder. E leva no seu bojo uma bicharada famélica por propinas, comissões, caixa 2, enfim, pixulecos para cada representante da sua “revolução dos bichos”.

O Brasil inundado pela má gestão, incompetência e roubalheira do PT-governo, assiste prazeirosamente o naufrágio da Era da Pelegagem; e eis que sem o avanço da ciência baseada em lendas pela “ignoranta Presidenta”, o barco petista está afundando.

Já pressente o fim da cabotagem infame a fauna de oportunistas e carreiristas pendurados nas tetas do Erário e/ou nas negociatas escusas com empreiteiros e banqueiros. Não sei se é verdade científica ou mito, mas ouvi dizer que a estória dos ratos serem os primeiros a abandonarem o navio, vem  da Arca de Noé.

Aqui, pelo menos, após a chuva de devassidão cair por 40 dias e 40 noites, as ratazanas pelegas preparam-se para  pular do convés vendo escoar as águas do mar de lama e surgir a terra firme da Justiça, nos contrafortes do Ministério Público, Polícia Federal e o juiz Sérgio Moro.

Há,  porém, uma distinção: Começam a abandonar a canoa furada do PT os animais superiores e sensíveis, escapando  por pranchas improvisadas do barco da pelegagem para uma jangada pronta a receber os desertores… Que saiam outros mais, além de Molon, porque qualquer coisa que flutue é melhor do que a Arca de Dilma.

E ao assistirmos o soçobro da embarcação petista, em vez de adorarmos os ratos como os indus fazem no templo Karni Mata do Rajastão, vamos cantar com o leonino povo brasileiro a poesia de Vinicius de Moraes vendo a arca ruir:

“O salto do tigre é rápido/ Como o raio, mas não há/ Tigre no mundo que escape/ Do salto que o leão dá”…
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O ESTADO QUE NOS SERVE

por André Vanoni de Godoy.
O atento leitor certamente percebeu o duplo sentido do título: qual Estado queremos e a serviço de quem ele deve estar. Esta dualidade semântica guarda a causa e a solução para a maioria dos problemas enfrentados pelas sociedades que ainda não compreenderam o papel deste ente abstrato, com todos os prejuízos que esta incompreensão pode causar.
  Então, qual Estado queremos? Certamente deve ser o que cumpre sua vocação de prover saúde, educação básica e segurança (aqui incluído um eficiente sistema judiciário). Estas funções cabem ao Estado porque sua oferta não pode ficar a mercê de interesse outro que não a instrumentalização dos cidadãos, a permitir que escolham com liberdade o seu destino. Isto é, dar-lhes condições para que desenvolvam suas capacidades e tenham oportunidades para ser aquilo que desejam ser, livres da tutela de um estado onipresente e falaciosamente eficiente.
Fica claro que o Estado deve estar a serviço do cidadão, e não o contrário. Parece óbvio, não? Mas não é o que se vê naquelas sociedades mencionadas lá no início, entre as quais está a brasileira. Pois, por aqui, ainda há os que entendem que o Estado deve atuar em todos os campos de nossa vida. Querem um Estado hipertrofiado para resolver todos os problemas que não teríamos se não fosse o seu gigantismo. Esta visão distorcida fez com que o Estado brasileiro se tornasse um polvo com longos tentáculos, que quer decidir o que e onde devemos empreender, o que devemos vestir e até se podemos ter saleiros nas mesas dos restaurantes.
O avanço desmesurado do Estado se reflete também na influência exagerada que a política partidária tem na vida do país, já que interesses de partidos, não raro pouco republicanos, imiscuem-se nos interesses do Estado e acabam por contaminar a racionalidade das decisões dos agentes econômicos.
Assim, inflado e narcisista, adulado por suas corporações, o Estado brasileiro tornou-se um fim em si mesmo, sangrando a Nação com excessivos tributos, os quais, consumidos quase que integralmente para sustentá-lo, em muito pouco revertem aos seus legítimos destinatários.
O Estado que nos serve deve ser humilde e eficiente, garantindo nossa autonomia para escolhermos nosso destino com liberdade. E nós, como cidadãos, devemos assumir os bônus e os ônus inerentes à responsabilidade de sermos livres.

* Advogado. Mestre em Direito, Diretor do Sistema FIERGS, Conselheiro do SEBRAE/RS










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O PSDB AFUNDARÁ COM O PT?

por Paulo Moura.
A intensidade dos acontecimentos que levaram o país à crise atual, notadamente na área política, econômica e moral, puxa o foco da mídia para as entranhas do governo Dilma e para a operação Lava Jato. E, quando o povo é protagonista dos fatos, para as manifestações de rua que, simbólicas pelo impacto que causam na opinião pública, ou expressivas pela grande participação da cidadania, empurram para a frente a agenda das mudanças.
Em política usa-se a expressão “o governo joga com as brancas” em alusão às regras do xadrez segundo as quais o primeiro movimento no tabuleiro é de quem joga com as peças brancas. Sob circunstâncias normais o padrão do jogo é o de que o governo paute a agenda e provoque reações da oposição ou de agentes sociais e grupos de interesse.
Essa relação de forças somente se inverte em situações de crise nas quais os fatos oferecem à oposição a possibilidade de tomar as iniciativas e forçar o governo a reagir. A situação do Brasil no momento é dessas. Seria de se esperar, então, que o principal protagonista da oposição fosse o PSDB. Afinal, os tucanos governaram o país por dois mandatos consecutivos, tendo o PT como principal opositor, e, quando o PT passou ao governo, foram os candidatos do PSDB os principais adversários de Lula e Dilma nas eleições que se sucederam.
Mas, ao olhar-se para os principais acontecimentos políticos nacionais, quem vemos como os principais criadores de problemas para o governo do PT?
Em primeiro lugar o povo nas ruas, mobilizado pela insatisfação com a crise econômica, política e moral que assola o país sob o patrocínio de Lula. Em segundo lugar, as centenas, talvez milhares, de cidadãos autônomos que se organizam (ou não) em grupos de ação política nas mídias sociais e nas ruas, gerando fatos que forçam os partidos e lideranças políticas tradicionais a terem esse elemento em conta ao fazerem suas escolhas.
Em terceiro lugar, o PMDB que, não obstante fazer parte do governo petista, dá verdadeiras aulas de esperteza, dribles, rasteiras e bailes de política em todos os demais players, inclusive, e especialmente, em Lula.
Em quarto lugar, o próprio PT. Isto é, suas lutas internas que trazem à luz as guerras de poder pelo controle do governo moribundo de Dilma e pelo espólio do petismo. Nesse ambiente, Lula movimenta-se erraticamente, ora criticando Dilma para salvar sua imagem do desastre que criou, ora tentando salvar seu acesso às instrumentalidades que o poder disponibiliza para quem precisa salvar-se da cadeia, melar a Lava Jato, influenciar julgamentos no STF e comprar difíceis apoios na bacia das almas, a um preço cada vez mais impagável.
Sim, não nos iludamos como fizeram os editoriais do Estadão, acreditando que Lula está louco para largar o osso e voltar à oposição, deixando ao sucessor de Dilma à responsabilidade por consertar seus estragos. Lula pode até sonhar com isso. Mas, não pode se dar a esse luxo. Se o PT perder o governo, seu poder de compra no mercado de pixulecos se esvairá de forma mais intensa e rápida do que o preço das ações da Petrobrás.
Ao observador atento não terá passado desapercebido que, nas duas últimas oportunidades em que Dilma ganhou algum fôlego para protelar seu fim inevitável, foi por obra de Lula, que foi às compras para consertar os estragos de Mercadante na articulação política do governo. O primeiro movimento foi o acordo com Renan Calheiros, chefe da Casa onde o impeachment será votado. O segundo, mais recente, foi a tentativa de dar ao PMDB (e ao PDT) mais ministérios, de forma a barrar a formação do quórum pró-impeachment da Câmara dos Deputados.
O esquartejamento da Lava Jato e o anúncio desse acordo causaram comoção nos grupos autônomos que debatem, trocam informações e organizam as ações políticas que impulsionaram as três últimas grandes manifestações de rua contra o PT. Sem conhecimento teórico, sem malícia e nem experiência os mais precipitados anunciaram estar jogando a toalha e desistindo da luta.
Em menos de 24 horas o cenário mudou da água para o vinho. Eduardo Cunha (PMDB/RJ), que muitos imaginavam comprado, pautou o impeachment na Câmara dos Deputados. Logo após Fernando Collor de Mello (PTB/AL), o maior especialista vivo em impeachment no país, concede entrevista a Fernando Rodrigues (UOL), afirmando que, depois de instaurado o processo torna-se irreversível devido à impossibilidade de controlarem-se as pressões das ruas.
Em seguida o PMDB leva ao ar um programa em rede nacional de TV, no qual se apresenta como alternativa de poder em condições de substituir o estrelismo reinante. Movimento seguinte, líderes do baixo clero peemedebista recuam do acordo supostamente firmado com Lula, anunciando que não abririam mão dos ministérios da Saúde e Infraestrutura que lhes teriam sido oferecidos, ante anunciadas reações do petismo diante da possibilidade de perderem as tetas da Saúde, até o momento, muito sugadas, mas pouco alcançadas pela Lava Jato.
Coincidência ou não, o presidente do TCU anuncia que as pedaladas fiscais deverão ser rejeitadas na segunda quinzena de outubro, num movimento que exala cheiro de sincronismo com a agenda de Eduardo Cunha (PMDB/RJ) para a tramitação do impeachment na Câmara e com a Convenção Nacional do PMDB, agendada pera 15 de novembro, data em que se comemora a proclamação da República. Evento que, como se sabe, terminou com o Império na história do Brasil.
O leitor atento terá percebido que acabo de escrever onze parágrafos sobre os principais acontecimentos da cena política nacional recente e, em nenhum deles o PSDB e seus líderes foram citados como protagonistas. Pelo contrário, o que se vê, é o ex-presidente FHC resistindo ao impeachment sob alegação de trauma nacional (para quem?), e falando frases de efeito para as manchetes como quem imagina que não sabemos que em política valem as atitudes e não a retórica.
Falando em atitudes, o ex-candidato Aécio Neves, anda providencialmente calado e submerso, não sem antes protagonizar solenes ambiguidades retóricas e notadas ausências nas manifestações de rua em que 100% dos seus ex-eleitores pediam sua adesão militante.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, tido como líder conservador do PSDB, e, portanto, capaz de angariar simpatias, é flagrado protagonizando cenas de personalismo explícito em favor de seu interesse em derrubar Aécio da posição de presidenciável; ao contestar o impeachment contra a absoluta e majoritária vontade das ruas.
O senador Álvaro Dias (PSDB/PR), por seu turno, foi flagrado apoiando explícita e veementemente a nomeação de um advogado do MST para o STF, e o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB/SP), sendo arrastado para dentro da Lava Jato.
A cúpula do PSDB não deve saber, mas em vários desses grupos que mobilizam a cidadania nas mídias sociais e nas ruas formando as redes de influência que levaram milhões às três grandes manifestações de março, abril e agosto, há membros da base do PSDB e outros partidos, que são natural e democraticamente aceitos como parceiros pelos milhares de indivíduos sem partido que saíram da zona do conforto para mudar o país e varrer o petismo do poder.
Os tucanos de alta plumagem não percebem, mas a corrosão da imagem do PSDB junto a esse público líder das opiniões mobilizadas é enorme. Como participante de vários desses grupos, testemunhei as cobranças e constrangimentos que os tucanos sofrem dos demais; li cartas de desfiliação do PSDB endereçadas à direção partidária e publicadas nos grupos virtuais e perfis pessoais dessas pessoas; testemunhei militantes tucanos ativos nas ruas questionando-se: “Porque FHC não cala a boca???” “Porque Aécio não fala e não age?” “Será que estão com o rabo preso?”
As placas tectônicas da política brasileira estão se movendo. A estrutura da polarização PSDB versus PT está em vias de desaparecer devido à perda de poder, força e tamanho do PT. E ao desgaste da imagem do PSDB, em função dos fatos aqui referidos. A esquerda levará tempo para se reagrupar sob outras lideranças e se constituir em polo de poder após a falência do PT. A estratégia do PMDB é de nítida tomada do poder e a agenda que o os peemedebistas têm acenado é conservadora nos valores morais e liberal na condução da economia.
O PSDB, que protagonizou a criação do Plano Real e poderia articular alguns dos melhores economistas do país em torno da agenda da mudança, está perdendo uma oportunidade que não se oferecerá novamente. Esse Congresso já deu sobrados sinais de que não vai entregar saídas para esse governo. O PMDB vai tomar o poder. Não há saídas com Dilma. Só há saídas com o PT fora do poder.
Quando o impeachment de Collor emergiu, a geração de líderes caras pintadas que assumiu o poder no país nos anos seguintes, e se corrompeu, já estava dentro dos partidos tradicionais. Naquela oportunidade não houve nenhum trauma, pelo contrário, foi o impeachment de Collor que possibilitou o Plano Real e a eleição de FHC. O momento e as circunstâncias são outros. Mas, o PSDB vai seguir enfiando a o bico no chão e deixando a bunda de fora como avestruz?
As lideranças que mobilizam os grupos e as ruas no movimento pelo impeachment de Dilma e a faxina das instituições, está fora dos partidos tradicionais, cuja credibilidade perante esses segmentos mobilizados da opinião pública é baixíssima.
Das ruas emergirá uma nova direita, moderna, liberal/conservadora e democrática, avessa ao estatismo e ao patrimonialismo. Ao contrário do que dizia Marx, a vanguarda das mudanças é a classe média e não o proletariado. É por isso que Marilena Chauí e o PT nos odeiam. Nós representamos a sepultura do lulopetismo.
As lideranças dos grupos virtuais e reais que mobilizam as ruas se compõem de empresário médios e pequenos; de profissionais liberais, gente com noções de administração e estratégia que estão sendo aplicadas no planejamento de suas ações. Gente que tira dinheiro do próprio bolso para as vaquinhas que financiam ações nas mídias sociais e nas ruas. Gente que vai levar esse know-how para dentro da política partidária em estratégias sofisticadas para eleger líderes identificados com a causa da liberdade e da democracia, por vários partidos. Poucos, muito poucos, talvez alguns poucos tucanos venham a merecer os votos e o apoio dessas pessoas.
Essas pessoas começarão a invadir a política formal já nas próximas eleições municipais. Muitas delas pelo Partido NOVO. A maioria, em outros partidos de centro e centro-direita, mas, todas, ostentado selos de certificação conferidos pelos grupos a que pertencem, por sua identidade e compromisso com a agenda das ruas; com a defesa das liberdades; da democracia; da economia de mercado; da boa qualidade dos serviços públicos e da redução do Estado e da carga tributária.
E o PSDB de FHC e Aécio Neves, que, por falta de opção à direita, foi o estuário recebedor dos votos, das esperanças e expectativas desses milhões de brasileiros, está perdendo o bonde da história; jogando no lixo a oportunidade de corresponder aos sonhos que outrora representou. Talvez haja tempo para o PSDB mudar seu destino. Mas, estaria o PSDB interessado nisso?
(Membro do grupo Pensar+)






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FATIAMENTO? O NOME CERTO É TRAPAÇA!

 por Augusto Nunes - Veja.
Sempre que craques da Justiça ameaçam golear campeões da bandidagem, juízes do Supremo Tribunal Federal arranjam algum pretexto para atrapalhar atacantes cujo esquema tático é tão singelo quanto eficaz: aplicar a lei. Foi assim no julgamento do mensalão: os delinquentes estavam a um passo da prisão em regime fechado quando o STF exumou um certo “embargo infringente”.
O palavrão em juridiquês reduziu crime hediondo a contravenção de aprendiz, transformou culpado em inocente e acabou parindo duas brasileirices obscenas: a quadrilha sem chefe e o bando formado por bandidos que agem individualmente, nunca em grupo. Agora incomodado com o desempenho exemplar do juiz Sérgio Moro, dos procuradores federais e dos policiais engajados na Operação Lava Jato, o Supremo inventou o que a imprensa anda chamando de “fatiamento” do escândalo.
Fatiamento coisa nenhuma. O nome certo é trapaça.






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REGINA DUARTE TINHA OU NÃO RAZÃO?

por Percival Puggina.
Em 2002, quando se desenhava a vitória de Lula nas eleições de outubro, a economia brasileira levou um solavanco. O dólar bateu em quatro reais, os investidores externos se retiraram e os internos se retraíram. A atriz Regina Duarte expressou esse sentimento de insegurança num vídeo gravado para a campanha de José Serra. Sua primeira frase foi - “Tenho medo”. Era uma peça muito forte e suscitou reação imediata das hostes petistas que responderam afirmando que a esperança haveria de vencer o medo.  Já naquela época, quem acompanhava a atividade do Partido dos Trabalhadores sabia. Sabia que a democracia direta defendida por ele e por seus parceiros internacionais sempre descambou em totalitarismo. Quem repelia a violência e a ruptura da ordem que o PT promovia através de seus movimentos sociais sabia. Quem era capaz de reconhecer a corrupção moral em suas várias formas (mentira, mistificação, assassinato de reputações, desonestidade intelectual, etc.) também sabia. E todos nós, que sabíamos, podíamos antever para onde estávamos sendo levados. Era de ter medo, sim. O que não podíamos imaginar era o nível de degradação a que as instituições políticas seriam deliberadamente conduzidas.
O tempo, como senhor da verdade, veio mostrar que Regina Duarte tinha razão. Seria muito melhor para o país se ela estivesse errada. Se nós estivéssemos errados. Os muitos males produzidos pelo petismo – e eu não os vou desfiar aqui porque agora estão bem visíveis aos olhos do mundo – nos fazem regredir muitos anos. E a sociedade convive com o medo em proporções inimagináveis em 2002: é o medo da criminalidade, é o medo de não haver instituição política em que confiar, é o medo da inflação, do desemprego, da fuga de capitais, da depreciação do real e de uma crise de muitas faces, com proporções inimagináveis. E o dólar, treze anos depois, volta aos patamares para onde disparou naquele ano em que Regina Duarte expressou o sentimento de tantos brasileiros. O medo, agora, não é de que o PT chegue ao poder, mas o de que ele prossiga atravessando nossa história como o cavalo de Átila, após o qual nem a grama nasce.





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PSDB pede ao STF abertura de investigação contra Dilma

Dinheiro – Portal Terra
Com base no pedido da Polícia Federal para ouvir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito das investigações da Operação Lava Jato, o PSDB protocolou uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF) com pedido para que o ministro Teori Zavascki autorize uma investigação da presidente Dilma Rousseff.Delegado da Polícia Federal solicitou ao STF na última semana autorização para tomar depoimento de Lula, parte dos procedimentos solicitados em inquérito que investiga uma suposta organização criminosa que atuou no esquema de corrupção na Petrobras. Zavascki ainda aguarda parecer do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre a solicitação, já que a PGR é a condutora do inquérito que corre perante do Supremo. No mesmo relatório, a PF aponta que a Constituição veda a investigação da presidente Dilma, ao estabelecer que o "presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções". 
O PSDB argumenta ao STF que, pela peça da Polícia Federal, "há elementos mais do que suficientes para dar início às investigações de Dilma Rousseff". A vedação à responsabilização de presidente da República, segundo o partido, precisa de uma reanálise. Com base em despacho do próprio ministro Teori Zavascki, o PSDB argumenta que a presidente pode ser investigada, ficando restrita apenas a abertura de uma ação penal.
O documento, protocolado no início dessa tarde, é assinado pelo líder do PSDB na Câmara, deputado Carlos Sampaio. "Os fundamentos lançados por Vossa Excelência são no sentido de que a presidente Dilma Rousseff pode, sim, ser investigada. O que ocorreu naquele caso concreto é que, no entendimento de Vossa Excelência, não haveria elementos para que a mesma fosse investigada", escreve Sampaio, sobre a avaliação da PGR endossada pelo ministro Teori Zavascki de não investigar a presidente em março, quando inquéritos contra políticos foram abertos no STF.
"Entretanto, diversa é a hipótese deste processo, em que todos os elementos conduzem para a necessidade de se investigar. A própria condição funcional de Dilma Vanna Rousseff à época dos fatos, ou seja, Ministra de Minas e Energia, Presidente do Conselho de Administração da Petrobras e Ministra da Casa Civil, por si só, a coloca no centro dos fatos criminosos, exigindo, no mínimo, explicações plausíveis e aceitáveis para eventual alegação de que 'nada sabia'", escreve o PSDB.






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Navegando no pântano

Fernando Gabeira: Publicado no Estadão
Navegando no pântano do Rio Pandeiros, no norte de Minas, tive uma intuição sobre o curso das coisas no Brasil. As plantas aquáticas dominavam o caminho, não se via água. Onde estava o leito do rio? Nosso objetivo era alcançar o São Francisco onde o Rio Pandeiros desemboca.
O barco avançava entre os aguapés ao som do ruído do choque das plantas com o metal do casco e percebi que sozinho ficaria perdido na imensidão daquele pântano verde-garrafa. Por isso levamos o barqueiro Pedro, que conhece as pequenas e fugidias trilhas da água. E ele nos levou, depois de quase três horas de viagem, ao encontro do São Francisco.
A verdade é que na volta, pelo mesmo caminho, o motor do barco fundiu. Mas Pedro faz o mesmo percurso quase todo dia. Sabe se mover no pântano.
A sensação de se mover de forma errática naquele território de mil hectares seria insuportável. No entanto, ela se parece com a que vivemos na cena nacional. Os atores aparentam não conhecer as trilhas do pântano. E se perdem no emaranhado das folhas, retrocedem achando que avançam.
Falemos dos projetos de “bondades” que o Congresso aprovou e Dilma vetou. Derrubar os vetos da presidente, sem dúvida, a enfraqueceria. Mas ao custo de perpetuar a mesma ilusão que nos jogou no buraco: fazer o bem sem olhar o momento ou saber como pagar.
O governo, então, parece ter adotado o pântano, como os jacarés. Delira em público sobre impostos, da CPMF à Cide, e termina sua noite nos cassinos, sonhando em legalizar o jogo. Com quem será, com quem será que a gente vai se ferrar?
Todos sabem que não se sai do pântano sem um timoneiro. E a maioria considera o impeachment inevitável. Mesmo o PT já deve estar discutindo internamente se a renúncia ou o impeachment pode servir-lhe melhor na outra vida. Se houver outra vida depois da que se perdeu na delinquência.
Dos atores pantaneiros, o que me parece ter um esboço do caminho é o PMDB. Recusou indicar ministros e marcou para dia Proclamação da República a convenção que pode romper com o governo federal. Daí para se unir com a oposição e despachar Dilma é somente um passo.
Não é um trajeto fácil, porque o barco do PMDB ainda vai enfrentar a tempestade da Lava Jato, mais ameaçadora ainda com o surgimento de novas delações premiadas. E alguns dos seus quadros não resistem a participar de um governo, mesmo depois de morto.
E há as grandes dificuldades do pós-impeachment. As empresas brasileiras perderam R$ 1 trilhão em valor de mercado. O dólar aumenta vertiginosamente, com reflexos na economia, no cotidiano e na produtividade de quem depende de produtos importados.
São instrumentos de trabalho que não se vendem no posto Ipiranga. Falava de tudo isso, segunda-feira, num encontro com amigos em Niterói, no momento em que o motorista que me esperava na porta foi sequestrado e assaltado.
Com os últimos arrastões no Rio e a insegurança que sinto nos meus deslocamentos, deveria ter enfatizado algo que apenas esbocei em alguns artigos. As duas crises que se alimentam mutuamente, a política e a econômica, começam a disparar o gatilho da que realmente vai mudar a qualidade do processo: a crise social.
Dois importantes termômetros são o índice de desemprego e o aumento da violência urbana. Daí o sentido de urgência não só de despachar Dilma, de mas esboçar uma visão de como sair do pântano. Algumas realidades não desaparecem com a saída de Dilma. O rombo no Orçamento, por exemplo. Teremos pouco dinheiro para demandas crescentes.
Creio que as trilhas do impeachment são visíveis no momento. Para o depois, nem tanto.
Existe um quase consenso, do qual compartilho, de que é preciso reconquistar a confiança do mercado. Inúmeras vezes defendi essa tese no Parlamento, a de uma sintonia com o mercado. No entanto, sempre ressalvei que precisava trabalhar com outras coordenadas, senão iria soltar a voz na Bolsa de Valores, e não no Congresso Nacional.
O desafio de sintonizar-se com o mercado, articulando as diferentes dimensões da crise, é dos políticos. Talvez esteja dramatizando um pouco, mas em outro contexto. O Congresso deveria estar fervilhando não apenas com o impulso da queda de Dilma, mas no debate das opções que se abrem.
Em linhas mais gerais, ficou claro que só é possível avançar respeitando as leis que regem o capitalismo. Só tem sentido contrariar essas grandes realidades quando se tem outro modelo como estratégia. Exemplo: o “socialismo do século 21” na Venezuela. Na verdade, uma ruína do século 21.
Ao longo destes anos, o governo do PT suscitou um arsenal crítico que é um ponto de referência. Mudar a política externa, hoje talvez seja fácil, pelo menos no curto período que vai até 2018: bastaria inverter as prioridades do governo petista. Isso não significa voltar as costas para os vizinhos continentais. Mas diante das potencialidades do país, não podemos distanciar-nos da inovação tecnológica.
A tarefa central de um governo minimamente articulado será a de levar o país para 2018, restabelecendo um fio de confiança no processo político brasileiro. Aí, então, será possível renovar a esperança e prosseguir na tarefa gigantesca não só de resolver a crise econômica, mas todos os problemas que incomodavam quando a economia, para muitos, ainda parecia bem em 2013 e milhões de pessoas foram às ruas exigir melhores serviços públicos.
Quando caiu o Muro de Berlim, os camelôs vendiam seus pedaços aos turistas. O material acabou e os camelôs passaram a vender pedaços de muro falsificados. Não sei se vejo bem, mas a ideia me ocorreu quando comecei um livro sobre o meu aprendizado da democracia nos trópicos.
Este momento histórico mostra a implosão, no país, do último pedaço falsificado do Muro de Berlim.




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A ESQUERDA NO PARAÍSO -

 RODRIGO RANGEL REVISTA VEJA
Esquema distribuía propina, pagava despesas pessoais de políticos e mantinha um apartamento em Miami para o lazer dos petistas, os donos do poder

Para os petistas, Cuba é um paraíso, mas só da boca para fora. Petista que se preza gosta mesmo é de Miami, especialmente se as mordomias forem pagas com dinheiro do povo trabalhador do Brasil desviado para seu bolso pelos esquemas de corrupção armados nos governos de Lula e Dilma. Os investigadores da Operação Lava-Jato descobriram que um discreto posto de gasolina em Brasília servia como entreposto de vários esquemas de corrupção. Seguindo o dinheiro, encontraram doleiros, funcionários públicos, empresários, políticos, partidos e campanhas eleitorais que se nutriam daquela mesma fonte. Logo ficou claro que a mesma estrutura criminosa se espraiava por vários órgãos do governo como braços de um esquema único cujo objetivo comum era arrecadar e distribuir propina aos partidos que apoiavam o governo do PT — claro, com sobra para bancar as necessidades e, principalmente, os desejos ilimitados do grupo de privilegiados.

A polícia descobriu tentáculos do esquema no Ministério do Planejamento. Em troca de um contrato milionário, a Consist, uma empresa de tecnologia digital, distribuía propina aos políticos. Alexandre Romano, um ex-vereador do PT do interior de São Paulo, conhecido entre os companheiros pelo carinhoso apelido de Chambinho, era o responsável por fazer o reparte do dinheiro arrecadado. Entre os beneficiários estão Gleisi Hoffmann (PT) e o marido dela, Paulo Bernardo (PT) — ela senadora e ex-ministra da Casa Civil de Dilma Rousseff, ele ex-ministro do Planejamento e das Comunicações nos governos Lula e Dilma. Documentos apreendidos comprovam que o dinheiro desviado pagava despesas pessoais do casal em Curitiba, como o salário do motorista particular. Até mesmo uma multa aplicada a Gleisi pela Justiça Eleitoral nas últimas eleições, em que ela se candidatou sem sucesso ao governo do Paraná, foi quitada com recursos recebidos do esquema.

A prisão de Chambinho impulsionou as investigações. Há indícios de que o ex-vereador manteve laços financeiros com pessoas muito próximas do atual ministro da Previdência, Carlos Gabas, um dos auxiliares mais prestigiados pela presidente Dilma Rousseff. Foi Gabas quem levou Dilma a passeios por Brasília na garupa de sua moto Harley-Davidson. O Palácio do Planalto já sabe que o ministro pode ser alcançado pela investigação. Chambinho repassava parte da propina ao então tesoureiro do PT João Vaccari, o notório "Moch", que criou a expressão "pixuleco" para se referir à propina. Outros figurões do partido receberam repasses de Chambinho, um eficiente arrecadador. Uma operação em especial tem chamado a atenção dos investigadores. Chambinho comprou no ano passado, com a Lava-Jato já a pleno vapor, um apartamento em um condomínio de luxo nos arredores de Miami, na Flórida. Pagou 671.000 dólares — mais de 1,5 milhão de reais àquela altura. Os investigadores suspeitam que Chambinho seja apenas o laranja, tendo feito a transação com o intuito de ocultar o verdadeiro dono do imóvel.

O apartamento de Chambinho, que fica na South Tower at The Point, um dos cinco prédios do condomínio, teve ilustres ocupantes temporários, entre eles o deputado Marco Maia (PT-RS), ex-presidente da Câmara dos Deputados. O condomínio é um daqueles típicos paraísos capitalistas, com uma generosa área de lazer, marina e spa. Os investigadores já sabem que Maia e Chambinho se encontraram tempos atrás nos Estados Unidos. Em julho passado, o deputado viajou para Miami com a família e passou suas férias no apartamento. Uma gentileza entre amigos, segundo o parlamentar:

Qual a relação do senhor com Alexandre Romano?
Sou amigo dele. Eu o conheci há poucos anos, quando ainda era presidente da Câmara. Ele estava representando interesses de empresas do setor elétrico, mas nada ilegal.

O senhor se hospedou em um apartamento na South Tower at The Point, em Miami?
Ah, sim. Esse apartamento é dele (de Romano). Acho que ele me convidou e eu utilizei o apartamento. Fiquei lá uns dez dias.

Quantas vezes o senhor já foi a esse apartamento?
Acho que fui uma vez só, mas tenho de ver isso com atenção.

O senhor é o verdadeiro dono do apartamento?
Não, não, não é meu. Não tenho nenhuma relação com isso.

O senhor já esteve com Alexandre Romano nos Estados Unidos?
Não, nunca... Ah, lembrei que uma vez encontrei com ele, acho que em Nova York.

Há alguma ligação financeira entre vocês?
Só amizade mesmo.

Alexandre Romano, o Chambinho, estava negociando um acordo de delação com os procuradores da Lava-Jato. Nas conversas preliminares, ele contou coisas surpreendentes. A decisão do Supremo de tirar da Lava-Jato investigações não diretamente ligadas ao petrolão, porém, vai adiar o acerto de contas de Chambinho com a Justiça. Enquanto isso, a vida continua na paradisíaca South Tower, a apenas 530 quilômetros de Cuba.
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"Brasília virou as costas para o Brasil",

por Vinícius Mota Folha de São Paulo
Governos fracos se desconectam da realidade. A desconexão da realidade enfraquece ainda mais os governos. Essa lei de ferro das crises políticas está em franca vigência no Brasil.
A presidente Dilma Rousseff, sequestrada pelo ex-presidente Lula, dedica-se à tarefa errada. Desperdiça o seu precioso tempo em costuras quixotescas com a raia miúda da política nacional, obcecada com a ideia de contar votos na Câmara para evitar o impeachment.
Enquanto isso, na planície, a economia e as finanças entraram em espiral demoníaca. Os juros para cidadãos e empresas comuns estão explodindo a um ritmo que, se for mantido, vai causar estragos gigantescos em pouquíssimo tempo. 
Em dias. Muitos negócios vão simplesmente parar por falta de oxigênio em suas artérias. Vamos nos deparar com esqueletos que nem sabemos que existem. Vamos criar outros que não precisariam ser fabricados.
Os agentes econômicos necessitam de uma resposta política imediata para essa ameaça iminente. Não para frear o impeachment.
Os políticos não entenderam o tamanho do problema diante dos olhos. As finanças públicas estão quebradas. O que acontece no Rio Grande do Sul, falta de dinheiro para pagar salários de servidores, vai se alastrar para outros Estados e municípios se nada for feito rapidamente.
Uma presidente dedicada obsessivamente a salvar a própria pele neste momento prediz muita desgraça logo à frente, e não apenas para ela. Deputados e senadores tranquilos, que deveriam estar reunidos em sessões emergenciais extenuantes para produzir resposta rápida à ameaça de descalabro, completam a cena de um grupo dirigente que virou as costas para a população. Ai de nós.



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"Empregos piores",

editorial da Folha de São Paulo
Uma particularidade da atual recessão é a velocidade com que se degradou o mercado de trabalho. Deixada para trás uma conjuntura historicamente favorável, as proporções da queda do emprego neste ano superam as observadas nas duas retrações econômicas anteriores, em 2003 e 2009.
No mês de agosto, 7,6% dos interessados em uma ocupação nas seis principais metrópoles do país não obtiveram sucesso, conforme divulgado pelo IBGE nesta quinta-feira (24). Em igual período de 2014, essa taxa limitava-se a 5%. O número de desempregados, portanto, já cresceu mais de 50%. E o processo segue em andamento.
Reverteu-se desde janeiro uma trajetória de melhora contínua que, iniciada em 2010, contribuiu para a eleição e a recondução da presidente Dilma Rousseff (PT) –ela própria associa o atual colapso orçamentário às políticas adotadas para estimular a criação de vagas.
Se é verdade que desonerações tributárias, programas sociais e crédito subsidiado nos bancos públicos sustentaram a demanda e as contratações, os ajustes convenientemente procrastinados até o segundo mandato cobram agora seu preço com juros de mora.
Empregos caem em quantidade e qualidade. Nota-se que, entre as pessoas que permanecem ocupadas, a renda média declinou 3,5% em um ano, descontada a inflação do período. Trata-se de uma perda superior à projetada para a economia nacional neste ano, de 2,7%.
A média encobre situações mais dramáticas. Para os empregados sem carteira de trabalho assinada, o exemplo mais eloquente, a queda atinge 12,6%. Além de contar com os menores rendimentos, esse segmento, que representa 13% dos ocupados, acumula a vulnerabilidade de não contar com benefícios como o seguro-desemprego.
São visíveis, ademais, as tendências de redução do contingente de assalariados com carteira assinada e de aumento dos que trabalham por conta própria –o que, descontado o formalismo das classificações, revela haver mais gente obrigada a trocar empregos por bicos.
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"Fim de festa, por ora",

por Vinicius Torres Freire Folha de São Paulo
Os vizinhos fazem festa com barulho exagerado até altas horas. Chegam a polícia e o Samu. O pessoal joga substâncias suspeitas no ralo, leva uma dura e os paramédicos dão assistência aos mais prejudicados. A festa acaba, a turma se acalma, uns tomam glicose. Mas os motivos de animação continuam. Polícia e remédio, um dia, podem não bastar.
Em termos rudes, foi mais ou menos isso que se passou ontem no mercado, dia de dólar variando entre R$ 4,24 e R$ 4, de taxas de juros que não subiram mais porque bateram no teto regulamentar da Bolsa e, depois, porque tomaram um sossega-leão. O Banco Central ameaçou derrubar, na marra, exageros no dólar. O Tesouro tomou medidas para segurar as taxas de juros na praça e, assim, também ajudou a curar as feridas de quem havia se arrebentado com alta recente dos juros, o que ajudava a empestear o ambiente.
Enfim, não se pode desprezar o fato de que a coisa se acalmou aqui também porque o tumulto no mercado mundial também diminuiu.
O risco de investir no Brasil sobe desde que o governo passou a dar sinais de que jogara a toalha, de que não pretendia ou seria capaz de controlar o aumento da dívida, evidentes no final de julho. Desde a semana passada, o risco desembestou, acelerado pelo desastre político doméstico e pelo tumulto causado pela indefinição dos juros americanos.
Risco crescente, na prática, significa juros e dólar em alta, cada um ajudando o outro a dar saltos.
Alexandre Tombini, presidente do BC, saiu-se bem ontem no papel de xerife. Ele e/ou seus diretores avisaram que:
1) O Banco Central não vai aumentar as "suas" taxas de juros, não vai chancelar a projeção de alta em tese embutida nas taxas do mercado, que não se renderia à extravagância (talvez) temporária dos donos do dinheiro;
2) Se necessário venderia dólares das reservas;
3) Agia em acordo com o Tesouro, que daria um jeito de derrubar excessos nas taxas de juros no mercado;
4) Afora problema maior, a taxa de juros continua na mesma por tempo "prolongado" porque o BC considera que a inflação vai diminuir, mesmo com a alta do dólar, que não será tão repassada aos preços devido à recessão profunda o bastante para compensar o efeito desvalorização do real;
5) O pânico atual decorre do descrédito na política fiscal;
6) Sem perspectiva de contenção do buraco nas contas do governo, o BC não vai ser capaz de levar a inflação à meta em 2016, com acreditava pelo menos até julho;
7) Segundo testes do BC, mesmo com as exorbitâncias desta semana, os bancos aguentam o tranco;
8) Não há problemas nas contas externas ou fuga de capitais.
A mensagem do BC foi repetida a mercado e mídia, com argumentos disciplinadamente semelhantes.
A princípio, pelo menos é arriscado testar a determinação do BC, que funciona. Isto é, tende a funcionar no curto prazo, se as ameaças não parecem vazias, se eventuais medidas de emergência não se tornam rotina e desde que problemas de fundo comecem a ser resolvidos.
O Tesouro comprou títulos (da dívida do governo), para acalmar a praça (com o que o preço dos papéis sobem, os juros caem). Anunciou um programa de compras diárias até a semana que vem, o que deve conter juros e colocar alguma ordem nos preços do mercado.
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"O estrago está alto demais",

por Pedro Luiz Passos Folha de São Paulo
A persistência do ambiente de indefinição política, somada à crise econômica cada vez mais profunda, tem provocado uma destruição em massa do valor dos ativos brasileiros. Segundo a consultoria Economática, as companhias listadas na BM&FBovespa perderam US$ 1 trilhão em valor de mercado entre abril de 2011 e setembro de 2015.
Não se trata de simples variação contábil ou de perdas que afetam apenas o mundo corporativo, o que já seria motivo para preocupação, sendo as empresas as principais responsáveis pela arrecadação tributária, pelos empregos e pelos investimentos. Esses números apontam que parte relevante da riqueza nacional se evaporou nos últimos anos e, com ela, a confiança dos brasileiros.
O derretimento dos ativos coloca em ação uma engrenagem perversa, que, nos movimentos subsequentes, acentuará o desemprego e a retração do já frágil fluxo de investimentos. Ou seja, a conta está alta e, se nada for feito, pode ficar maior.
Os efeitos já se manifestam com vigor, mas sem a dimensão que tende a ganhar corpo em 2016. A taxa de desemprego foi a 8,3% no segundo trimestre, ante 6,8% no mesmo período de 2014, e tem viés ascendente. Como em outros períodos de recessão, o esgarçamento do emprego atingirá, na próxima etapa, a renda, que vinha sendo preservada pelos ganhos reais dos acordos salariais e pela pujança no mercado de trabalho. Isso deixou de existir.
Diante de tal cenário, não há o que esperar. Com a retração econômica e o imbróglio político se alimentando mutuamente, já passa da hora de se adotar o único caminho exequível para enfrentar a crise: a abertura de um diálogo franco e transparente entre as principais lideranças do país para buscar consensos mínimos capazes de romper os impasses que paralisam as decisões e angustiam a sociedade.
Não será, porém, o velho e desgastado método de buscar acordos ou trocas com representações políticas de baixa estatura que trará a legitimidade necessária para alcançar a aprovação da sociedade a essa nova agenda.
Sem esse nível de entendimento, qualquer esforço no campo econômico estará condenado ao fracasso, aprofundando o caos ora instalado no país. Isso envolve Congresso, Executivo e todos os líderes genuinamente preocupados com o futuro turvado por uma crise que nem sequer deveria existir.
É momento de revisar, antes de criar impostos e elevar alíquotas, a parafernália de subsídios e desonerações, assim como passar a estrutura do Estado por um pente-fino, em que o objetivo não seja apenas a redução de custos, mas o aumento de eficiência e produtividade.
A agenda mínima deve contemplar medidas que ofereçam perspectivas para estabilizar as contas públicas, ao mesmo tempo em que preservem a rede de proteção social contra os efeitos deletérios da recessão.
Tal sinalização torna possível restaurar a confiança e, por tabela, o crescimento da economia. O horizonte empresarial desanuviado e a política apaziguada são condições para se desobstruir entraves estruturais, como o deficit da Previdência, que carece de regras atualizadas à realidade demográfica, a reforma tributária e a revisão da legislação trabalhista, além de maior aproximação com a economia internacional.
Ainda que antiga, essa agenda continua na ordem do dia. Ela não avançará sem que o cenário de curto prazo se altere profundamente. Gestos claros para essa construção é obrigação que os governantes não podem mais adiar, mostrando-se à altura da gravidade da crise e capazes de resolver a confusão criada por eles mesmos. 






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‘Eu quero sumir daqui!’,

por Eliane Cantanhêde O Estado de São Paulo
Acena mais lancinante da semana não partiu do Planalto, nem do Congresso, nem das Bolsas, nem do mercado de câmbio, mas de um hospital público da Capital da República, onde um médico negou atendimento a um moribundo, recebeu voz de prisão de um bombeiro e entrou em surto, gritando desesperadamente: “Estou estressado. Tá faltando tudo, tá faltando tudo. Eu quero sumir daqui!”.
Pois foi nesta mesma semana que a presidente Dilma Rousseff jogou o Ministério da Saúde para as hienas do PMDB na Câmara. O vice-presidente Michel Temer, o deputado Eduardo Cunha e o senador Renan Calheiros vazaram para a imprensa a versão de que tinham se recusado a sugerir nomes para a reforma ministerial de Dilma. Ato contínuo, o partido se jogou de corpo e alma no festim para devorar nacos de poder enquanto o governo ainda respira.
O ex-presidente Lula tenta negar, mas ele defendeu esse troca-troca numa reunião com Dilma e o núcleo duro petista do governo e usou até uma versão mais objetiva do conhecido “vão-se os anéis, salvam-se os dedos”. Segundo Lula, “é melhor perder ministérios do que a Presidência”. Mas logo o Ministério da Saúde?!
Para piorar, os nomes apresentados pelo PMDB à presidente são chocantes. O deputado Manoel Júnior votou em Aécio Neves em 2014 e acaba de defender a renúncia de Dilma. O deputado Celso Pansera é aquele que o doleiro Alberto Yousseff chama de “pau mandado do Eduardo Cunha”. E vai por aí afora.
Sem contar a intrigante escolha do ministério que, no butim, vai caber ao PMDB do Senado. Dilma ofereceu a cabeça do ministro Armando Monteiro, ops!, ofereceu o Desenvolvimento, mas a bancada do partido preferiu Integração Nacional, que distribui verbas para os governadores. E quem é governador? O filho do presidente do Senado, Renan Calheiros, aquele que “se recusou a indicar nomes...”
Nada poderia ser mais dramaticamente sintomático da perda de poder político de Dilma Rousseff, que não consegue nem o básico: fechar o Orçamento, equilibrar as contas, aprovar o coração do ajuste fiscal, concluir a reforma ministerial e anunciar o tão prometido corte de pastas. Ela está totalmente nas mãos do PMDB. E que PMDB!
No programa que foi ao ar ontem à noite na TV, o principal partido da base aliada usou imagens quase sombrias e um tom de oposição em campanha eleitoral. O recado foi claro: o fim do “estrelismo”. E o foco foi em cima de Temer, o substituto natural e constitucional de Dilma em caso de vacância de poder.
Tem-se, assim, que Dilma entrega anéis e ministérios, mas nem por isso garante que vá salvar os dedos e a Presidência. O Congresso lhe deu uma vitória ao manter 26 dos 32 vetos presidenciais e está a caminho de aprovar os restantes, mas essas votações têm uma dinâmica própria, pois evitam implodir de vez as contas públicas. E agora? Dilma vai de fato conquistar os votos do PMDB? Ela tem condições de aprovar a criação da CPMF, coração do pacote fiscal? Consegue impedir a abertura do processo de impeachment?
E mais: a presidente só tem 7% a 8% de aprovação, as greves pipocam por toda a parte, o MTST põe as manguinhas de fora e lê-se que até o líder do PT já grita como oposição. Dar a Saúde para o “baixo clero” do PMDB não assegura a lealdade do partido nas decisões de vida ou morte e, ainda por cima, tende a tirar ainda mais apoio de Dilma na opinião pública e na sua base social.
A boa notícia para o Planalto é que, se as cenas dantescas dos peemedebistas devorando a carniça no Planalto são péssimas para Dilma, não se pode dizer que sejam animadoras para o PMDB. Elas não apenas destroem o que resta de popularidade do atual governo como esgarçam de véspera a esperança num eventual governo de transição com Michel Temer. Com esse PMDB? Com Cunha? Com Renan? Com um Manoel Júnior na Saúde? 




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