Jornalista Andrade Junior

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

'O governo Lula tem tudo para começar mal'

 O novo presidente, duas semanas depois da eleição, ainda não disse quem vai ser o seu ministro da Economia J.R. Guzzo:

O governo Lula ainda nem começou, mas tem tudo para começar mal. 

Não há nenhuma pista sobre o que possa vir a acontecer de bom; em compensação, ele próprio já fez questão de desenhar o que pode acontecer de ruim, a começar por uma área essencial — a economia. 

O novo presidente, duas semanas após a eleição, ainda não disse quem vai ser o seu ministro da Economia e, enquanto não diz, o Brasil fica sem saber se vai para um lado ou se vai para o lado oposto; os nomes postos em circulação, tanto quanto se saiba, querem coisas que se excluem entre si — como é que fica, então? 

Além disso, as primeiras pregações econômicas de Lula compõem um temporal em formação. 

Ele se referiu à estabilidade fiscal como “essa tal de estabilidade”, uma exibição pública de que despreza a ideia de ordem nas contas do governo. 

Ele quer a instabilidade, então? 

Não está claro o que pode resultar de bom de uma declaração como essa.

O resto do que Lula tem dito não é melhor. 

Ele afirmou, como se ainda estivesse caçando voto, que “as pessoas podem sofrer” para se obter o equilíbrio entre entrada e saída de dinheiro no caixa do governo. 

E por acaso as pessoas vão ganhar se houver desequilíbrio? 

O futuro presidente considerou estranho, também, um país ter metas de inflação e não ter metas de crescimento. 

Pode soar bonito, mas não adianta nada, nem muda as realidades. 

O que ele propõe? 

O mundo inteiro é assim: os governos se propõem metas de inflação, mas não podem baixar decretos-leis mandando a economia crescer tantos por cento no ano. 

Quando se tenta fazer diferente dá em Argentina, que está com 80% de inflação em 2022, ou em Venezuela, onde já nem se faz mais a conta — pela última estimativa do FMI, a alta no índice deve estar nos 500% anuais. 

Não há vantagem absolutamente nenhuma para “as pessoas” nesse tipo de delírio. 

É o exato contrário: só o pobre perde com os preços subindo todo dia, pois jamais, em toda a história, foi possível compensar inflação com aumento de salário, ou colocando zeros a mais na moeda. 

Quem ganha, sempre, é o rico, que vai aplicar dinheiro a juro na ciranda financeira.

Lula também diz que gasto público não é despesa, é “investimento”. 

Ele pode chamar do nome que quiser, mas despesa continua sendo despesa, e tem de ser paga em dinheiro. 

Fala em combater a “fome”, quando o Banco Mundial acaba de anunciar que a pobreza extrema no Brasil é a menor desde 1980 — e por aí vai. 

O mercado não gostou, é claro. O dólar subiu, a Bolsa caiu. 

Deveria não ter gostado antes. 

Até a véspera da eleição, dizia que Lula já tinha sido “precificado” e que estava tudo bem. 

Não estava e não está.





 


Publicado originalmente no O Estado de S. Paulo 


Revista Oeste













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