EU APÓIO AÉCIO PRESIDENTE - 45
Por Ricardo Noblat
O que
tem a ver o caso da analista do banco Santander demitida na semana passada por
exercer direito o seu ofício, com o caso do correspondente do The New York
Times ameaçado de expulsão do Brasil em maio de 2004?
Os dois
aconteceram no começo e no que poderá ser o fim do período de 12 anos de
governos do PT. Foram protagonizados por Lula. E são casos exemplares da
prepotência dele e de sua turma.
De
volta ao futuro... Na época, pensei: o cara pirou. Só pode ser. Ou está de
porre. Compreensível que tenha se sentido ofendido pela reportagem do The New
York Times sobre seu gosto por bebidas alcoólicas.
Mas daí
a determinar a expulsão do país de Larry Rother, correspondente do jornal mais
importante do mundo? Sinto muito, era um flagrante exagero. Uma escandalosa
arbitrariedade.
Foi
isso o que Lula ouviu dos poucos assessores com coragem para confrontá-lo.
Um
deles, durante reunião no gabinete presidencial do terceiro andar do Palácio do
Planalto, sacara de um exemplar da Constituição e apontara o artigo que
garantia ao jornalista o direito de permanecer no Brasil.
Então
Lula cometeu a frase que postei em meu blog às 15h16 do dia 12 de maio de 2004,
poucas horas depois de ela ter sido pronunciada.
Ele
disse: "Foda-se a Constituição".
Foi
mais ou menos isso que você leu. Um ministro que ouvira a frase reproduziu-a
para um assessor. E o assessor, que trabalhara comigo durante vários anos, me
telefonou contando.
Esperei
durante o resto do dia o desmentido que não veio. Ainda espero. Prevaleceu a
opinião sensata de Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça, que desaconselhou
a expulsão por ilegal.
Impedido
de consumar sua vontade, Lula tentou tirar proveito político do episódio se
comportando como vítima. A presidência da República fora ultrajada por um
irresponsável jornalista estrangeiro.
Mas,
generoso e obediente à lei, o presidente desculpara o malfeitor depois que ele
divulgou uma nota dizendo que não tivera a intenção de ofendê-lo. Quanto ao
jornal... Recusou-se a desmentir o que publicara.
A
coragem que sobrou à direção do jornal faltou à direção do Santander.
Em
discurso para sindicalistas em São Paulo, Lula cobrou do banco a demissão
imediata da analista, autora do boletim enviado para clientes de alta renda
relacionando a queda de Dilma nas pesquisas de intenção de voto com a eventual
melhoria do câmbio e valorização de ações de grandes companhias.
E a
cabeça da analista foi oferecida de presente a Lula.
Um ato
de subserviência. Que nem de longe parece ter envergonhado Emilio Botin,
presidente mundial do Santander, amigo de Lula e admirador declarado de Dilma.





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