Em muitas
cidades do Nordeste, o Bolsa Família é tão decisivo que a maior parte dos
eleitores nem mesmo se preocupa em saber quem são os rivais da presidente Dilma
Rousseff. Com 40 milhões de eleitores beneficiados, o programa supera, como
colégio eleitoral, São Paulo, o mais populoso Estado brasileiro, com 32 milhões
de pessoas aptas a ir às urnas. O site de VEJA analisou números, conversou com
especialistas e ouviu eleitores em cidades da Bahia e do Maranhão para mostrar
o peso que o programa federal poderá ter na corrida presidencial.
FONTE - DIPLOMATIZZANDO
A reeleição e a Petrobras
Rogério Furquim Werneck
O Estado de S. Paulo, 15/08/2014
Voltas
que o mundo dá. A presidente Dilma agora acha que a Petrobras deve ser
preservada da campanha eleitoral. “Se tem uma coisa que tem que se
preservar, porque tem que ter sentido de Estado, sentido de nação e
sentido de país, é não misturar eleição com a maior empresa de petróleo
do país. Não é correto, não mostra qualquer maturidade."
Quem
agora diz isso é a mesma candidata que, a partir de 2009, transformou a
partidarização do papel da Petrobras no pré-sal em plataforma de
lançamento de sua candidatura à Presidência. É difícil que alguém já
tenha se esquecido da sua campanha eleitoral em 2010, saturada por cenas
em que a candidata aparecia, em sondas, plataformas e navios, com mãos
lambuzadas de petróleo, envergando indefectíveis capacetes e macacões da
Petrobras.
O
problema é que, desde então, a Petrobras converteu-se em inesgotável
poço de temas espinhosos, que a presidente preferiria não ter de tratar
na campanha da reeleição. O Planalto tem boas razões para estar
preocupado. O potencial de desgaste político é, de fato, grande.
Para
começar, é preciso ter em mente que, por impressionantes que sejam, as
perdas decorrentes das trapalhadas de Pasadena são incomparavelmente
menores que as envolvidas no faraônico projeto da Refinaria Abreu e
Lima, imposto pelo Planalto à Petrobras. E, como já tive oportunidade de
destacar em artigo publicado neste mesmo espaço, em 4 de julho, sob o
título “Desperdício em grande escala”, Dilma Rousseff é a figura chave
para esclarecer como essa imposição de fato se deu, pois ocupava
posições centrais em cada um dos principais elos da cadeia de comando
com que o Planalto controlava os investimentos da Petrobras. Era, ao
mesmo tempo, ministra-chefe da Casa Civil da Presidência, coordenadora
do PAC e presidente do Conselho de Administração da Petrobras.
Mas
as dificuldades com as duas refinarias são apenas parte dos espinhosos
problemas que vêm aflorando na empresa. O irresponsável represamento de
preços de combustíveis vem não só impondo grande desgaste ao governo,
como exigindo dotes de malabarista para tentar manter um discurso que
faça sentido sobre a questão. A rápida deterioração das contas da
Petrobras, na esteira da “queima de caixa” decorrente desse
represamento, vem reforçando expectativas de que o governo não terá como
deixar de aumentar preços de combustíveis logo após as eleições. Mas,
empenhado em vender a ideia de que a inflação voltará a ficar abaixo do
teto de tolerância da meta no fim do ano, o governo não quer dar alento a
expectativas de um “tarifaço” pós-eleitoral. É o que explica as
manifestações desencontradas sobre correção de preços dos combustíveis
que vêm sendo feitas pelo governo e pela Petrobras.
Em
entrevista ao “Valor” de 11 de agosto, Rui Falcão, presidente do PT,
preocupado com a questão, apresenta a melhor racionalização que
conseguiu articular para a política de represamento de preços de
gasolina: “...Você tinha que fazer uma escolha entre remuneração de
acionistas e o poder aquisitivo da população. E a Petrobras, além de ter
acionistas, é um patrimônio do povo brasileiro.”
A
racionalização revela visão confusa e deturpada do problema. O povo
brasileiro, através do Tesouro, é o acionista controlador da Petrobras.
Manter preços de gasolina irrealistas é uma política pervertida que
subsidia proprietários de automóveis à custa do povo brasileiro. O
governo só teve de apelar para esse represamento populista de preços
porque não soube conduzir a política macroeconômica. Agora, só lhe resta
tentar evitar na marra que a inflação fique ainda mais alta do que já
está.
- - - - - - - - - -
Sobram
razões para o Brasil lamentar o desaparecimento prematuro de Eduardo
Campos, um dos políticos mais talentosos e promissores de que o País
dispunha. Como bem mostrou sua entrevista ao “Jornal Nacional”, na
véspera do acidente que lhe foi fatal, o candidato do PSB à presidência
tinha visão extremamente lúcida da urgência de se dar encaminhamento
mais consequente às grandes questões que hoje afligem o país.
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Rogério Furquim Werneck
O Estado de S. Paulo, 15/08/2014
Voltas
que o mundo dá. A presidente Dilma agora acha que a Petrobras deve ser
preservada da campanha eleitoral. “Se tem uma coisa que tem que se
preservar, porque tem que ter sentido de Estado, sentido de nação e
sentido de país, é não misturar eleição com a maior empresa de petróleo
do país. Não é correto, não mostra qualquer maturidade."
Quem
agora diz isso é a mesma candidata que, a partir de 2009, transformou a
partidarização do papel da Petrobras no pré-sal em plataforma de
lançamento de sua candidatura à Presidência. É difícil que alguém já
tenha se esquecido da sua campanha eleitoral em 2010, saturada por cenas
em que a candidata aparecia, em sondas, plataformas e navios, com mãos
lambuzadas de petróleo, envergando indefectíveis capacetes e macacões da
Petrobras.
O
problema é que, desde então, a Petrobras converteu-se em inesgotável
poço de temas espinhosos, que a presidente preferiria não ter de tratar
na campanha da reeleição. O Planalto tem boas razões para estar
preocupado. O potencial de desgaste político é, de fato, grande.
Para
começar, é preciso ter em mente que, por impressionantes que sejam, as
perdas decorrentes das trapalhadas de Pasadena são incomparavelmente
menores que as envolvidas no faraônico projeto da Refinaria Abreu e
Lima, imposto pelo Planalto à Petrobras. E, como já tive oportunidade de
destacar em artigo publicado neste mesmo espaço, em 4 de julho, sob o
título “Desperdício em grande escala”, Dilma Rousseff é a figura chave
para esclarecer como essa imposição de fato se deu, pois ocupava
posições centrais em cada um dos principais elos da cadeia de comando
com que o Planalto controlava os investimentos da Petrobras. Era, ao
mesmo tempo, ministra-chefe da Casa Civil da Presidência, coordenadora
do PAC e presidente do Conselho de Administração da Petrobras.
Mas
as dificuldades com as duas refinarias são apenas parte dos espinhosos
problemas que vêm aflorando na empresa. O irresponsável represamento de
preços de combustíveis vem não só impondo grande desgaste ao governo,
como exigindo dotes de malabarista para tentar manter um discurso que
faça sentido sobre a questão. A rápida deterioração das contas da
Petrobras, na esteira da “queima de caixa” decorrente desse
represamento, vem reforçando expectativas de que o governo não terá como
deixar de aumentar preços de combustíveis logo após as eleições. Mas,
empenhado em vender a ideia de que a inflação voltará a ficar abaixo do
teto de tolerância da meta no fim do ano, o governo não quer dar alento a
expectativas de um “tarifaço” pós-eleitoral. É o que explica as
manifestações desencontradas sobre correção de preços dos combustíveis
que vêm sendo feitas pelo governo e pela Petrobras.
Em
entrevista ao “Valor” de 11 de agosto, Rui Falcão, presidente do PT,
preocupado com a questão, apresenta a melhor racionalização que
conseguiu articular para a política de represamento de preços de
gasolina: “...Você tinha que fazer uma escolha entre remuneração de
acionistas e o poder aquisitivo da população. E a Petrobras, além de ter
acionistas, é um patrimônio do povo brasileiro.”
A
racionalização revela visão confusa e deturpada do problema. O povo
brasileiro, através do Tesouro, é o acionista controlador da Petrobras.
Manter preços de gasolina irrealistas é uma política pervertida que
subsidia proprietários de automóveis à custa do povo brasileiro. O
governo só teve de apelar para esse represamento populista de preços
porque não soube conduzir a política macroeconômica. Agora, só lhe resta
tentar evitar na marra que a inflação fique ainda mais alta do que já
está.
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Sobram
razões para o Brasil lamentar o desaparecimento prematuro de Eduardo
Campos, um dos políticos mais talentosos e promissores de que o País
dispunha. Como bem mostrou sua entrevista ao “Jornal Nacional”, na
véspera do acidente que lhe foi fatal, o candidato do PSB à presidência
tinha visão extremamente lúcida da urgência de se dar encaminhamento
mais consequente às grandes questões que hoje afligem o país.
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